Terça Feira, 23 de julho de 2019

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Lagoa Santa recebe 14ª edição do Lapinha Museu Vivo: Encontro de Culturas De Raiz

Evento realizado desde 2004 tem por objetivo valorizar a cultura afrobrasileira com rodas de samba, capoeira, apresentação de dança afro e muito mais

De 09 a 11 de junho (sexta a domingo), a cidade de Lagoa Santa, Região

Metropolitana de Belo Horizonte, acolhe a 14ª edição do “Lapinha Museu Vivo:

Encontro de Culturas de Raiz”. A abertura do encontro se dará com uma roda de

capoeira na Praça Dr. Lund, Centro de Lagoa Santa, às 18 horas.

Em 2017, temos Mestre Dunga (Belo Horizonte/MG) e Mestre Bigo (Itaparica/BA –

São Paulo/SP) como convidados. Estarão presentes, também, Dona Maria do Coco

e o Tambor Manto de São Benedito (São Luís/MA), além do candombe do

Quilombo do Açude, da Serra do Cipó/MG (de Dona Mercês, eternizada pela música

“Casa Aberta”, interpretada por Milton Nascimento e Marina Machado). Haverá

também a presença da Guarda 13 de Maio de Congo e Moçambique e o Boi da

Manta de Lagoa Santa.

Na abertura, após a roda de capoeira angola, haverá a apresentação da Companhia

Primitiva de Arte Negra, que exibirá uma performance baseada na religiosidade

afrobrasileira permeando as histórias dos Orixás. Às 21h30, Dona Elisa e Mestre

Conga, da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte, embalam a confraternização

de início do Lapinha cantando samba de raiz. A programação completa dos três

dias de evento encontra-se disponível logo abaixo.

Realizado desde 2004 pela Irmandade dos Atores da Pândega (Contramestre

Gercino Alves) – frente de trabalho da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro

(ACESA – Mestre João Angoleiro), o Lapinha Museu Vivo é um importante evento

de patrimônio cultural, premiado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).

Trata-se do maior encontro de culturas de raiz de Minas Gerais, e é um dos dois

eventos culturais realizados no Brasil voltados especificamente para a valorização

e difusão dos saberes tradicionais brasileiros.

O investimento para os três dias da Chamada é de R$80,00 antecipado (no dia do

evento, o valor será de R$ 120,00). As inscrições poderão ser feitas (por onde?).

Para informações, entre em contato com o contramestre Gercino pelo telefone (31)

98561-5456. Mais informações e o link para inscrição estarão disponíveis na

página do evento – https://www.facebook.com/lapinhamuseuvivo/

Convidados e convidadas

Mestre Bigo (Itaparica/BA – São Paulo/SP)

Da Ilha de Itaparica (BA) para São Paulo, “Francisco 45” ou Mestre Bigo já vive em

Capoeira Angola há pelo menos 60 dos seus 71 anos. Apesar da fala mansa, na roda

é dono de um jogo de muitas chapas e mandingas. Incrivelmente ágil, aprendeu

tudo com Mestre Pastinha, seu único mestre, a quem Bigo se dedicou até a sua

passagem. Depois da morte de seu Pastinha, Mestre Bigo mudou-se para São Paulo

e passou um tempo afastado da capoeira. Apesar disso, afirma que nunca esteve

separado dela, pois a “capoeira está no seu sangue, correndo em suas veias”. Em

1989, fundou, então, a Academia de Capoeira Angola Ilê Axé, onde ainda hoje

realiza um bonito trabalho e presenteia, com a energia de suas rodas, a Zona Sul da

cidade de SP.

Dona Maria do Coco (São Luís/MA)

Maria dos Santos Cantanhede recebeu o apelido de Maria do Coco devido ao fato de

vender coco no centro histórico de São Luís. Filha de pais quilombolas, nasceu no

povoado de Porto de Baixo, município de Guimarães (MA), em 21 de janeiro de

1943. Sua bisavó, que foi escravizada, iniciou a Maria do Coco nas rodas de Tambor

com apenas quatro anos. O Tambor Manto de São Benedito, criado pela bisa de

Maria do Coco, teve suas primeiras gerações de roda realizadas ainda na região de

Guimarães, chegando a São Luís somente em 1977. Em 2007, Maria do Coco

ganhou o Prêmio de "Mestra da Cultura Popular" Oferecido pela Secretaria do

Estado da Cultura do Maranhão. Em 2012, recebeu um novo prêmio do SESC, como

Mestra de Tambor de Crioula, o que lhe proporcionou a experiência de participar

de um encontro na África. E, em 2014, foi novamente premiada pelo Iphan, que

reconhece sua singularidade na detenção e transmissão dos saberes tradicionais

do Tambor de Crioula.

Mamour Ba (Dakar, Senegal)

Experiente músico, percussionista, compositor e multi-instrumentista, o senegalês,

Mamour Ba teve sua iniciação musical africana ao lado de artistas de renome e

formação acadêmica na Escola de Arte de Dakar, Senegal. No Lapinha deste ano,

Mamour comanda a regência do Coral Brasil África Vocal.

Mestre Dunga (Belo Horizonte/MG)

Amadeu Martins, o Grão Mestre Dunga, nasceu em Feira de Santana/BA, mas veio

para Minas ainda pequeno. Em 1970, após ingressar no Exército, fixou-se em BH

com a transferência para o 12º Batalhão de Infantaria (12 BI). É um personagem

muito conhecido, por exercer intensamente, desde a década de 1970, um trabalho

conjunto de divulgação da capoeira de rua e praças da cidade. Acolheu meninos em

situação de rua para inseri-los nas atividades de aprendizagem e treinamento, de

modo que muitos se tornaram mestres com a missão de difundir e preservar a

capoeira e multiplicar o trabalho social com crianças e jovens em comunidades

carentes. Também nos anos 1970, Mestre Dunga fundou a Associação Cordão de

Ouro Eu Bahia, conhecida como “A Senzala”, local de aprendizagem, treinamento e

formação de professores e mestres de capoeira de todo o estado. O trabalho de

mestre Dunga passa também por cursos folclóricos e terapêuticos para públicos

diversificados como crianças, jovens, adolescentes, adultos, pessoas com

deficiência e terceira idade. Mestre Dunga, patrono da capoeira em Belo Horizonte,

recebeu em 2017 o título de Honra ao Mérito da Câmara Municipal pela sua

intensa contribuição para a cultura de matriz africana na cidade.

Mestre João (Belo Horizonte/MG)

Nascido em 27 de julho de 1961, em Belo Horizonte, João Bosco Alves da Silva está

com 55 anos, dos quais mais de 40 foram dedicados à capoeira. Ingressou na

capoeira regional no início na década de 1970, frequentando rodas de rua de

Mestre Dunga. Esse convívio aguçou-lhe atenção para um estilo especial de dança,

a soul music. Nascia ali, em meio aos transeuntes, outro amor na vida de João

Angoleiro: a dança. Alguns anos depois, conhece a capoeira angola, da qual se torna

adepto. A dança afro e a capoeira angola serviram-lhe de sustentáculo para fundar

e presidir a Associação Cultural Eu Sou Angoleiro, que abriga o Grupo de Capoeira

Angola Eu Sou Angoleiro e a Companhia Primitiva de Arte Negra. Durante todo seu

tempo de atuação, Mestre João tem formado diversos professores de capoeira

(treinéis) e dançarinos afro, implantando, em sua militância sociocultural, 12

núcleos de trabalho voluntário ou em parceria com escolas públicas e associações

de bairro. Um trabalho que começou no início da década de 1990, com seis alunos,

e hoje está espalhado por diversas periferias da capital e do interior de Minas

Gerais, atendendo crianças, jovens e adultos, prioritariamente, pessoas em

situação de vulnerabilidade social, de baixa renda, com difícil acesso à cultura.

Programação

09/06/2017 – sexta-feira

Local: Praça Dr. Lund – Centro

17h – Credenciamento dos/as participantes

18h – Roda de capoeira angola

20h30 – Performance: Cia. Primitiva de Arte Negra

21h30 – Apresentação: Mestre Conga e Dona Elisa

10/06/2017 – sábado

Local: Gruta da Lapinha

08h – Café da manhã

09h – Oficinas com os mestres convidados

12h – Almoço

15h – Roda de conversa: a mulher nos saberes tradicionais

17h30 – Roda de capoeira angola

20h – Apresentações culturais

11/06/2017 – domingo

Local: Gruta da Lapinha

08h – Café da manhã

10h – Bênção de Nossa Senhora do Rosário e oficinas com os mestres convidados

12h – Apresentação: Coral Brasil África Vocal (Mamour Ba)

14h – Almoço

15h – Roda de conversa: avaliação política e cultural do momento atual do país

16h – Encerramento / Roda de capoeira angola

Fonte: Bruno Vieira

Crédito: Divulgacão acesa

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