Quarta Feira, 22 de maio de 2019

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Quando os sabores definem a sua experiência de viagem; o fenômeno dos viajantes “foodies” na América Latina

Por Claudio Altieri, Diretor New Business and Operations, Amadeus América Latina

Já faz alguns anos que a experiência gastronômica vem sendo parte fundamental do planejamento de uma viagem para um grupo em particular. Trata-se dos “foodies”, aqueles fanáticos por tudo o que gira em torno da comida e da bebida e que fazem dos sabores e odores seus principais guias turísticos.

 Mas quem realmente são estes amantes do “bom viver”? São chamados de “foodies” aqueles que disfrutam deste hobby mais como um estilo de vida do que como um passatempo. Investem a maior parte do seu tempo em percorrer e conhecer os destinos cujo vínculo com a comida seja indiscutível. Visitam restaurantes, bares e pubs com a finalidade de conectar seus sentidos aos sabores locais e assim fundir-se com a cultura do lugar.

 Há alguns dias, conversando com Alejandra Medina, travel manager da agência de viagens chilena Turismo Universal, concordamos que o comer já não é visto como uma necessidade, e sim como uma experiência lúdica e extremamente estimulante. Nesse sentido, a gastronomia se torna uma nova e poderosa motivação para viajar, comentou-me.

 A agência vem desenvolvendo produtos de nicho nesta última década e, na região, os “foodies” são um importante. Ele lhes permitiu desenvolver rotas de interesse com a colaboração de especialistas que atuam como facilitadores da experiência eno-gastronômica e que dão à experiência de viagem um alto valor agregado. Dentro das atividades culinárias que mais chamam a atenção deste grupo de viajantes, se destacam as rotas gastronômicas, as aulas de culinária, as degustações e provas de vinho, as visitas a mercados locais, assim como participar de festivais de comida.

 Francisco Mandiola, dono e chef do Restaurant Europeo em Santiago, faz parte deste nicho de viajantes. Consultado sobre o que é que ele busca na hora de planejar uma viagem foodie, ele me confessou que se informar sobre o universo gastronômico do país de destino é indispensável. Os dados em aplicativos especializados para este tipo de viajante, blogs de gastronomia e redes sociais são referências para ele nesta busca de sabores. Ainda que as recomendações sejam sempre bem-vindas.

 Em seu papel de anfitrião gastronômico, Mandiola comentou que está iniciando uma nova era em seu restaurante. Nesse impulso para conquistar novos públicos, o turismo foodie é um nicho importante, e para isso incluiu as experiências vividas em suas viagens em um novo cardápio e ambientação renovada. Quer dizer, este tipo de turismo tende a, por que não, dar forma aos restaurantes de amanhã com base nas vivências de quem constitui a indústria gastronômica.

 Da América Latina para a sua mesa

 Desde os vinhedos do Chile e da Argentina, até os restaurantes do Peru e do México, passando por pratos e taças de outros países da região, a América Latina tem recursos para explorar o turismo gastronômico que demandam os paladares exigentes dos foodies.

 Por exemplo, no Chile, o enoturismo é uma atividade que vem crescendo consistentemente nestes últimos anos. Um total de 600 mil visitantes chilenos e estrangeiros foram no ano de 2015 em algum dos 78 vinhedos abertos ao turismo que existem no Chile, o que representa um crescimento de 10% em relação a 2014. A meta do Enoturismo no Chile é ter 3 milhões de visitantes aos vinhedos em 2022.

 Por sua vez, o Peru goza de fama mundial por sua gastronomia e identidade culinária. Em 2013 foi escolhida como a capital gastronômica da América Latina e a lista dos “50 melhores restaurantes da América Latina de 2016”, é liderada pelo estabelecimento “Central”, de Lima.

 O México, enquanto isso, se destaca por sua gastronomia de qualidade mundial que lhe permitiu se valer de um nome próprio graças à diversidade que sua cozinha traz, impulsionada pelo multiculturalismo que oferece. Também conta com três restaurantes entre os 10 primeiros na lista “50 melhores restaurantes da América Latina de 2016”, com Pujol, Quintonil e Biko.

De acordo com o que me contou Alejandra, os foodies costumam ter uma idade moderadamente alta. 60% têm entre 36 e 55 anos. Mas não se deve deixar enganar. Os Millennials estão se interessando cada vez mais pelo turismo gastronômico. Contudo, exigem outros tipos de produtos e serviços que, sem dúvida, irão moldando o futuro deste tipo de turismo, algo que as agências deverão começar a considerar se querem andar junto às novas tendências.

 Em relação e esse ponto, as agências também devem proporcionar uma diferenciação a respeito do que as grandes ferramentas de busca oferecem hoje em dia na hora de planejar uma viagem foodie. Junto à crescente demanda por este tipo de turismo, também cresceu explosivamente o excesso de informação na internet a respeito. A chave para as agências está em entregar uma proposta personalizada, que permita descobrir a cultura e a tradição de um povo por meio dos sentidos.

Sugestão e foto enviado por: Speyside Corporate Relations

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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