Quarta Feira, 19 de setembro de 2018

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Entrevista com presidente da ABAV

"Trazer uma empresa internacional para Confins e transferir voos para a Pampulha seria uma irresponsabilidade"

José Maurício Miranda Gomes – Presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens

A decisão do Governo Federal de permitir aeronaves de grande porte, no Aeroporto da Pampulha, mas somente para voos dentro do território mineiro, foi recebido com controvérsias no turismo. Qual sua opinião?

Já tínhamos um posicionamento contrário em relação ao retorno dos voos das companhias nacionais para o aeroporto da Pampulha, uma vez que, temos um histórico do que se passou na aviação na nossa cidade e obviamen-
te atingindo o nosso estado. Tivemos um período em que o aeroporto de Confins ficou um verdadeiro “elefante branco” e a Pampulha extremamente estrangulada, inclusive, os passageiros ficavam fazendo fila do check-in do lado de fora do aeroporto, porque não tem a capacidade de atender a demanda.

Nós conseguimos inicialmente a transferência, eu digo nós porque a ABAV foi extremamente atuante junto com os governantes e outras entidades, para que os voos da aviação nacional retornassem para o aeroporto internacional Tancredo Neves. Entendemos que o aeroporto internacional é um aeroporto de conexão, recebendo passageiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia, Vitória, para embarcar em Belo Horizonte nos voos internacionais.

Essa transferência que inicialmente seriam de três voos para o Aeroporto da Pampulha, certamente seria a abertura de portas para que outros voos viessem e mais uma vez iriamos perder as conexões dos voos internacionais, isto acontecendo certamente levaria as companhias internacionais a saírem novamente de Belo Horizonte.

Não podemos deixar de levar em conta a reforma do aeroporto internacional que teve como objetivo ampliar sua capacidade para receber mais voos com segurança e conforto, acredito que seria no mínimo irresponsabilidade trazer uma empresa internacional para administrar o nosso aeroporto, exigir melhorias e depois transferir voos.

Todos sabemos que o mundo digital e virtual dificulta a atuação de entidades de classe, muito fortes nas décadas passadas. No entanto, a ABAV, especialmente a de MG, é um exemplo de sucesso. Qual o segredo?

Buscamos estar sempre atualizados para proporcionarmos aos nossos associados os melhores benefícios possíveis. Realizamos cursos e palestras que mostram para os agentes de viagens todas as formas do nosso mercado, com temas atuais e dinâmicos. Além disso, também fazemos parte deste mundo digital, no qual proporcionou a ABAV-MG estar mais próxima aos profissionais do setor.

A integração da ABAV-MG com as demais entidades do “trade” e com o Governo de Minas é também uma realidade. Como vocês conseguem isso, mesmo com Governos com propostas diferentes?

Isso acontece com muita facilidade, uma vez que os dirigentes das outras entidades são parceiros comerciais a muitos anos, isso facilita para que haja um entrosamento com todos do trade. Com relação ao governo, a gente busca sempre se adequar as propostas que os governantes estão colocando em prática, obviamente sem perder as nossas ideologias profissionais.

Você é um veterano do turismo mineiro, como este Repórter. O que evoluiu no turismo mineiro, nessa sua longa caminhada? O que precisa ser feito e ainda não foi feito?

Na última década houve uma evolução muito grande dos agentes de viagens e profissionais de turismo em Minas Gerais, a grande maioria conseguiu enxergar a internet como aliada e fez com que seus profissionais estivessem atualizados e buscando sempre uma interação com a ABAV para que tudo isso acontecesse. É evidente que nos dois últimos anos sofremos com a crise o que não foi apenas o mercado de turismo, mas sim o país como um todo. Crise que infelizmente não estamos vendo um fim, mas estamos na esperança para buscar dias melhores.

O que precisa ser feito e ainda não foi feito?

Nós somos uma atividade econômica muito forte, mas não somos reconhecidos pelos governantes, infelizmente. A maneira como é tratado o nosso seguimento, tanto a nível federal quanto a nível estadual, vem provando como somos pouco valorizados, basta ver quantidade de Ministros e secretários que tivemos nos últimos dois anos, provocando interrupções de ações.

Crédito: Waldez Maranhã

 

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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