Quarta Feira, 29 de janeiro de 2020

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Autores mineiros participam da Bienal Internacional de Poetas em Paris

Durante os dias 15 a 18 de novembro, evento destaca a importância da literatura latino-americana e recebe a presença dos escritores Ana Martins Marques, Ana Elisa Ribeiro, Edimilson de Almeida Pereira, Fabrício Marques e Lucas Guimaraens

Celeiro da literatura brasileira, Minas Gerais sempre esteve associada à vanguarda literária, com obras de inúmeros escritores aclamadas ao redor do mundo. Em novembro, essa produção de excelência estará bem representada em Paris durante a 14ª Bienal Internacional de Poetas Paris/Val-de-Marne. Entre os dias 15 e 18, a capital francesa recebe cinco escritores mineiros durante a programação do evento literário, considerado um dos mais importantes do mundo. Nesta edição, o encontro literário presta homenagem aos poetas latino-americanos, com destaque especial para brasileiros e colombianos.

Edimilson de Almeida Pereira, Ana Martins Marques, Ana Elisa Ribeiro, Fabrício Marques e Lucas Guimaraens são os poetas que representam a poesia mineira durante o encontro literário. A participação dos mineiros na bienal é resultado das tratativas entre a Secretaria de Estado de Cultura junto ao Ministério da Cultura da França, o Institut Français e a Embaixada da França no Brasil. Todos os custos serão arcados pela organização do evento e parceiros franceses. “O governo mineiro chancela uma iniciativa que já é de uma política cultural internacional. Essa bienal reúne os grandes editores mundiais em um intercâmbio cultural que busca a transculturalidade como forma de entender a organização da sociedade contemporânea por meio da literatura”, aponta Lucas Guimaraens, que além de ser um dos curadores do evento, também atua como superintendente de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário da Secretaria de Estado de Cultura.

Com o subtítulo de “Estado de Urgência Poética”, a bienal traz o antagonismo do mundo atual e busca na força do discurso poético a construção de diálogos com as diferentes realidades que compõem a contemporaneidade. A edição deste ano é dividida em duas vertentes: uma chamada “Viva poesia!”, que presta uma homenagem aos poetas latino-americanos, especialmente aos brasileiros e colombianos; e outra intitulada “A palavra aos jovens poetas!”, que dá voz às novas tendências da escrita, bem como aos novos territórios do poema.

De acordo com Francis Combes, diretor do evento e responsável pelo convite aos escritores mineiros, é na América Latina que se encontram as maiores manifestações poéticas e onde há maior ressonância entre os escritores e público. “Isto se dá, entre outros fatores, pela criatividade inventiva em formas, em transculturalidade, que agrega contextos e culturas diferentes, aliando emoções individuais às inquietudes e aos desejos de um continente em constante mutação”, pontua Francis.

A CARAVANA DE MINAS GERAIS

Minas Gerais é um emaranhado de bons poetas. No desfiladeiro de nomes possíveis, a riqueza na linguagem existente nas obras de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Affonso Ávila e Alphonsus de Guimaraens é algo raro e particular. Tendo como alicerce uma produção de tamanha qualidade, a geração atual de nossos poetas bebe em fonte poética cristalina. É com esse lastro literário que os cinco escritores participam da 14ª Bienal Internacional de Poetas Paris/Val-de-Marne. “Essa bienal vai fazer com que grandes editores mundiais olhem para o que é criado e produzido em Minas Gerais. É uma excelente oportunidade para os escritores mineiros de estar mais uma vez inseridos no circuito dos eventos internacionais de grande repercussão”, avalia Lucas Guimaraens. Confira a biografia dos participantes:

Foto: Divulgação – Ana Martins Marques

 

Ana Martins Marques é belo-horizontina que busca na expressão da linguagem contemporânea observar o cotidiano por meio de sua poética. É formada em Letras e doutora em literatura comparada pela UFMG. Publicou os livros “A vida submarina”, “Da arte das armadilhas” e “O livro das semelhanças”, esses dois pela Cia das Letras. Em 2007 e 2008, recebeu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte de Literatura. Com “Da arte das armadilhas” recebeu o Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional na categoria poesia e foi finalista do Prêmio Portugal Telecom. “O livro das semelhanças” recebeu o Prêmio APCA de Poesia e o terceiro lugar do Prêmio Oceanos. Recentemente, publicou dois livros em dupla: Duas janelas, com o poeta Marcos Siscar, e Como se fosse a casa (uma correspondência), com o poeta Eduardo Jorge.

 

 

Ana Elisa Ribeiro, também nascida em Belo Horizonte, possui uma criação voltada ao poema curto em que trata das questões relacionais e de gênero. É escritora, professora e doutora em linguística. Publicou mais de 20 livros entre poesia, conto, crônica, infantis e técnico-científicos. É autora de Poesinha (BH, Pandora, 1997), Perversa (SP, Ciência do Acidente, 2002), Fresta por onde olhar (BH, InterDitado, 2008), Anzol de pescar infernos (2013, SP, Patuá, semifinalista do prêmio Portugal Telecom) e Xadrez (BH, Scriptum, 2015). Com o poeta Bruno Brum publicou Marmelada, pela coleção Leve um Livro, que ela também edita, com o patrocínio da Prefeitura de Belo Horizonte. Tem poemas publicados em mais de uma dezena de antologias, revistas e jornais no Brasil, além de poemas publicados e traduzidos na Espanha, no México, na França e em Portugal. Tem participado de festivais literários em mesas-redondas, leituras e oficinas. Atualmente, em seu trabalho como professora e pesquisadora, tem investigado as questões editoriais de mulheres escritoras e editoras no Brasil.

Fabrício Marques é poeta memorialista natural de Manhuaçu, no território Caparaó, que trabalha a relação entre o homem e a máquina para dar corpo à sua poesia. Foi editor do Suplemento Literário de Minas Gerais em 2004. Publicou os seguintes livros de poesia: Samplers (Relume Dumará, 2000, Prêmios Culturais de Literatura do Estado da Bahia), Meu pequeno fim (Scriptum, 2002) e A fera incompletude (Dobra Editorial, 2011, finalista dos Prêmios Portugal Telecom e Jabuti). Também é autor de Uma cidade se inventa (Scriptum, 2015, finalista do Prêmio Jabuti), Dez conversas (entrevistas com poetas contemporâneos, edição bilíngue, Gutenberg, 2004, finalista do Prêmio Jabuti) e Aço em flor: a poesia de Paulo Leminski (ensaio, Autêntica, 2001). Organizou, para a Editora da UFMG, Sebastião Nunes (2008) e Papel Passado (seleção de poemas de Libério Neves, 2013). Juntamente com Tarso de Melo, organizou a antologia digital Inventar la felicidad. Muestra de poesía brasileña (Vallejo & Co., 2016). Participa de antologias e festivais de poesia no Brasil e no exterior.

Edimilson de Almeida Pereira – Foto de Carlos Mendonça

Natural de Juiz de Fora, Edimilson de Almeida Pereira possui uma poética multicultural, ligada a pesquisas etnográficas, principalmente voltada à poesia africana. Nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1963. É docente de Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora. Na área de antropologia social publicou, dentre outros, os livros Mundo encaixado: significação da cultura popular (1992) e Do presépio à balança: representações sociais da vida religiosa (1995), A saliva da fala: notas sobre a poética banto-católica no Brasil (2017) e Entre Orfe(x) e Exunouveau: análise de uma epistemologia de base afrodiaspórica na Literatura Brasileira (2017). Na área de literatura infantil e infantojuvenil editou, dentre outros, Os reizinhos de Congo (2004), O primeiro menino (2013); Poemas para ler com palmas (2017, no prelo). Sua obra poética foi reunida nos volumes Zeosório blues (2002), Lugares ares (2003), Casa da palavra (2003) e As coisas arcas (2003). Seus livros de poesia mais recentes são Relva (2015), maginot, o (2016), Guelras (2016), E (2017) e Qvasi – segundo caderno (2017, editora 34).

 

 

Lucas Guimaraens – Foto de Vanusas Campos

 

O poeta Lucas Guimaraens é neto de Alphonsus de Guimaraens. Possui uma produção calcada na remissão literária e no coloquialismo da geração contemporânea, utilizando uma linguagem atrelada ao neo-surrelismo de Murilo Mendes. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1979. Atualmente, é o Superintendente de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário de Minas Gerais e embaixador da UNESCO. É poeta, ensaísta e tradutor. Possui formação em Direito, no Brasil, e em filosofia, na França. Publicou poemas em diversas antologias, periódicos e revistas no Brasil e no exterior (dentre as quais, a Revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional, a Revista da Academia Mineira de Letras, a revista Espanhola En Sentido Figurado, a turca Siiristanbul Poetistanbul 2014 e a francesa Caravelles), tendo recebido alguns prêmios literários. Lançou, em 2011, seu livro: “Onde (poeira pixel poesia)”, pela editora carioca 7Letras. Em setembro de 2014 lançou, em Paris, pela editora L’Harmattan, o livro de filosofia “Michel Foucault et la Dignité Humaine”. Em 2015, lançou, pela Azougue Editorial, novo livro de poemas, “33,333 – conexões bilaterais”, com o artista plástico Fernando Pacheco. Em 2017, lançou, em Paris, pela editora L’Harmattan, seu terceiro livro de poemas, “Exil – Le lac des incertitudes”, em edição bilíngue.

 

 

 

BIENAL INTERNACIONAL DE POETAS PARIS/VAL-DE-MARNE

A Bienal Internacional de Poetas Paris/Val-de-Marne foi criada em 1991 por meio da iniciativa do poeta Henri Deluy, com o apoio do Conselho Geral de Val-de-Marne, juntamente com o Ministério da Cultura da França e da Direção Regional de Ação Cultural de Île-de-France. O evento se tornou ao longo dos anos um dos principais festivais de poesia da França e é o mais antigo. Durante esta trajetória, mais de 500 poetas estrangeiros e franceses participaram do encontro. O evento é realizado em diversos locais de Paris, como teatros, bibliotecas, universidades, escolas secundaristas, livrarias, facilitando a troca simbólica entre os poetas o público. As últimas edições contemplaram a poesia da África do Sul, da China, da Austrália, da Coréia do Sul e do Canadá. O presidente atual da Bienal é o poeta Alain Lance e o diretor geral é o poeta e editor Francis Combes.

 

Fonte: Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais

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