Quarta Feira, 14 de novembro de 2018

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Para sempre Portugal

Embaixador do Brasil em Portugal, Luis Alberto Figueira Machado, com os acadêmicos Maria Lúcia
Faria de Azevedo Soares e o escritor e advogado e escritor Luiz Carlos Abritta, na Embaixada do Brasil em Lisboa

Percorrer terras lusitanas sempre me proporciona imensas alegrias e intensas emoções. Meus avós maternos e paternos eram portugueses.

Dona Vicência, minha inesquecível avó materna, nascida na Ilha da Madeira e com quem convivi intensamente, era uma observadora meticulosa da realidade e uma excelente narradora de suas vivências.

De seus relatos fascinantes comecei a compor, no meu imaginário, um Portugal encantador. Sonhava em atravessar o Atlântico para desfrutar das belezas que minha avó me contava. Estar em Portugal é sentir-se em casa. O passado, o idioma, os costumes, a cultura: tudo nos é familiar.

Desde a minha infância me acostumei com os sons, os sabores, os aromas e os saberes de Portugal. Em casa, o bacalhau, o caldo verde, o cozido, as rabanadas e os doces conventuais faziam parte constantemente do cardápio alimentar.

Na Academia de Letras e Artes de Portugal, Maria Lúcia Soares e o empossado Luiz Abritta, escritor brasileiro convidado a integrar esta entidade. Com Dom Miguel de Orleans e Bragança, herdeiro do trono português

As canções, na voz de renomados intérpretes como a fadista Amália Rodrigues, enchiam de alegria e animação as reuniões familiares.

As obras de Eça de Queiroz e Fernando Pessoa compunham a biblioteca de meu pai, o advogado Dr. Vasco, assim batizado em homenagem ao navegador português Vasco da Gama, descobridor do Caminho para as Índias.

Anos atrás, as viagens do Brasil para a Europa se faziam de navio: eram muitos dias de festa e divertimentos em alto mar. Com meus pais, fui algumas vezes ao Cais Mauá, no rio de Janeiro, para as partidas e chegadas de meus avós em suas viagens a Portugal.

Com as facilidades advindas da modernização dos meios de transporte e da tecnologia, em poucas horas, voos diretos cruzam o oceano que nos separa. Portugal e Brasil ficaram mais próximos. Cada viagem e permanência em Portugal me proporcionam oportunidades de encontrar as origens da minha família. Em Lisboa, em suas belas e ajardinadas avenidas, encontramos monumentos, estátuas e referências a personagens históricos que conhecemos de perto: Pedro Álvares Cabral, Vasco da Gama, Camões, Marquês de Pombal e D. Pedro IV, nosso imperador D. Pedro I.

Na denominação de logradouros, escolas e edifícios estão nomes e sobrenomes que nos são próximos. O Aeroporto Sá Carneiro a mim parece homenagear um parente querido. No bairro do Chiado está “A Brasileira”, tradicional ponto de encontro da intelectualidade.

A estátua de Fernando Pessoa sentado em uma de suas mesas nos espera para um café emoldurado por seus poemas.

“Ó mar salgado, quanto de teu sal são lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar! Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e ao abismo deu, mas nele espelhou o céu”.

O Oceanário, no Parque das Nações, exibe espécimes dos Oceanos Atlântico, Pacífico, Índico e Antártico.

A Embaixada do Brasil está instalada na Quinta das Mil Flores, no bairro dos Sete Rios, em uma linda construção colonial do século XVII, totalmente restaurada e preservada. A Torre de Belém nos indica o lugar de onde partiram os navios para o Brasil trazendo nossos antepassados. Lá estão os grandes navegadores, comandados pelo Infante Dom Henrique.

Na belíssima cidade do Porto estão os maravilhosos azulejos da Estação São Bento, preciosamente resguardados e semelhantes aos que até hoje decoram cidades históricas brasileiras, como Rio de Janeiro e Recife.

No Estoril e Cascais localizam-se espaços culturais importantes, como o Museu dos Coches e a tradicional Academia de Letras e Artes de Portugal.
Ainda no Porto, visitando a mais antiga e tradicional livraria, a “Lello e Irmão”, voltei no tempo quando fazia pesquisas para tarefas escolares, décadas atrás, na enciclopédia portuguesa Lello Universal.

Todos esses sentimentos e emoções que mim se revelam no contato com a nação portuguesa me levam a concluir que se o Brasil é minha pátria-mãe, Portugal é minha pátria-avó”.

Maria Lúcia tendo ao fundo azulejos portugueses na Estação São Bento, no Porto, Portugal

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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