Quinta Feira, 20 de setembro de 2018

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Diocese de luz: 100

Ozório Couto

No inicio do século XX, a Santa Sé cogitou criar no Alto São Francisco uma nova diocese. Foi uma peregrinação para que alguma cidade aceitasse, pois não desejavam essa responsabilidade. Dom Silvério Gomes Pimenta, de Mariana, por determinação do Vaticano, visitou as cidades. Viajava a cavalo pelo sertão das alterosas.
No distrito de Aterrado, com padre Joaquim das Neves Parreiras, visitou Dores do Indaiá, a cidade sede. Padre Luís Gonzaga da Silva e Souza, presidente da Câmara, bom político e religioso, recusou, pois isso poderia atrapalhá-lo e, ainda, tinha filhos. Diante das recusas, Dom Silvério não avistava solução. Que fazer? Na volta, Parreiras perguntou se um arraial poderia ser diocese. O arcebispo respondeu que sim, mas iria consultar a Santa Sé, e advertiu: desde que tenha catedral e palácio. Parreiras consultou o povo aterradense que aceitou com alegria o desafio.
Caso único, no dia 8 de julho de 1918 foi criada, pela bula Romanis Pontificibus, de Bento XV, no Aterrado de Nossa Senhora da Luz, oeste mineiro, banda esquerda do rio São Francisco, a Diocese de Aterrado. Determinação do pároco, que ergueu a “catedral velha”, hoje Santuário de Nossa Senhora de Fátima, o segundo no mundo em homenagem à Virgem.
No dia 10 de abril de 1921chega o primeiro bispo: Dom Manoel Nunes Coelho. Em 1923, não tendo êxito com o governo estadual, conseguiu em audiência com o presidente Artur Bernardes elevar Luz a município, em 7 de setembro. Construiu a belíssima catedral neogótica de Nossa Senhora da Luz (todos carregando pedra por pedra), o Paço da Assumpção, o colégio, 90 casas, a Vila Vicentina, e o responsável pela criação da comarca, entre outras importantes obras.
Em 1960, o bispo coadjutor Dom Belchior Joaquim da Silva Neto fundou o seminário e mudou o nome de Diocese de Aterrado para Diocese de Luz. Segundo bispo em 1968, no cinquentenário, Dom Belchior foi o idealizador do Ministério da Eucaristia, implantado por Paulo VI, e trouxe para Luz a Universidade Católica, depois Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FASF), e hoje FASF/UNISA.
Dom Eurico dos Santos Veloso (1994/2001) foi bom administrador, prestativo e do bem, saneou a diocese, novos cursos, mas pensou em transformar Luz em sede histórica e transferir a diocese para a vizinha Lagoa da Prata. Hoje é arcebispo emérito de Juiz de Fora. Dom Antônio Carlos Félix (2003/2014) investiu em patrimônio, mas vendeu a faculdade para a Unisa e o imenso prédio; este retornou para o povo, e é o Centro Administrativo. Hoje é bispo de Governador Valadares.
Domingo, 8, a Diocese, com 450 mil habitantes, 33 cidades, sete foranias e 52 paróquias em 24.990 km2, e uma das mais bem estruturadas do país, comemora com júbilo o seu centenário com missa celebrada pelo núncio apostólico, Dom Giovanni d’Aniello, com dezenas de festividades, pelo Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e pela Assembleia Legislativa.
Dom José Aristeu Vieira, o 5º bispo, o Pastor do Centenário, criador do Centro de Memória, desde 2015 está fazendo uma transformação da mais alta importância na Mitra e em toda a diocese, com louvor e destemida dedicação.
Salve Nossa Senhora da Luz! Salve a Diocese de Luz, que está preparada para os próximos 100 anos.

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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