Quinta Feira, 15 de novembro de 2018

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Turbulência: por que não devemos ter medo dela?

As turbulências podem ser encaradas como um verdadeiro pesadelo por alguns passageiros, para outros, é apenas algo irritante. Em todos os casos, é importante ter em mente que as turbulências raramente são perigosas, embora possam ser bem desconfortáveis.
Mas o que causa a turbulência? E como os pilotos lidam com ela? Confira abaixo entrevista com Menno Kroon, piloto da KLM desde 1990:

Turbulência causada pelo vento
Há uma distinção entre turbulências de altitudes elevadas e turbulências de altitudes baixas. As turbulências perto do chão são muitas vezes causadas por ventos pesados. Isso pode ser problemático durante a decolagem ou pouso em tempestades. No entanto, equipes de voo são treinadas justamente para lidar com essas situações.

Turbulência causada por ar ascendente
Em altitudes mais elevadas, as turbulências surgem quando o ar sobe verticalmente – de baixo para cima. Funciona da seguinte forma: o sol esquenta a terra e o ar acima dela. O ar quente se expande e sobe. Isso causa o que chamamos de updraft, que nada mais é do que uma corrente de ar ascendente. Assim que o ar sobe, sua temperatura cai até o ponto de condensação. Se o ar subir ainda mais, partículas de umidade começam a se formar, criando nuvens. E isso é bom, pois assim podemos ver a turbulência, não só pela janela da cabine de comando, como também mostra em nosso radar meteorológico.
Porém, se o ar ascendente estiver muito seco, não ocorre a condensação e não podemos ver a turbulência. Isso é conhecido como clear-air turbulence, ou seja, uma turbulência sem nuvens, e é complicada, pois pode nos pegar de surpresa. O radar de tempo também não pode detectá-la, pois não há partículas de umidade no ar para refletir os sinais de nosso radar.
O movimento vertical do ar geralmente é interrompido em altitudes elevadas, porque as temperaturas são muito baixas, motivo pelo qual voamos tranquilos acima das nuvens. Às vezes, porém, nuvens de formato vertical, podem atingir altitudes maiores. Nós normalmente as encontramos em áreas tropicais e fazemos nosso melhor para voar em torno delas.
Em resumo, temos que lidar com turbulências apenas em altitudes mais baixas na atmosfera. Nos tempos antigos, antes dos aviões terem cabines pressurizadas, tínhamos que voar em altitudes muito mais baixas, onde as turbulências eram mais comuns.

Mas o que os pilotos podem fazer?
Ao nos prepararmos para um voo, sempre estudamos as tabelas de previsão do tempo. Isso permite prevermos o tempo e onde podemos esperar encontrar turbulências.
Durante o voo, tentamos evitar qualquer turbulência que possamos ver da cabine de comando ou em nossas telas de radares. Também mantemos contato com o controle de tráfego aéreo e com outras aeronaves na área para nos manter a par das condições climáticas recentes.
Frequentemente me perguntam se as turbulências podem danificar as aeronaves. Há pouca ou nenhuma chance de isso acontecer. Um avião na verdade é bastante flexível. Uma vez eu visitei a planta da Boeing e vi a asa de um 747 dobrada vários metros para cima numa estrutura de testes, só para ser solta novamente com um estalo. Isso se repetiu vez após vez, dia após dia, ano após ano, e tudo permaneceu perfeitamente intacto. Então se você alguma vez estiver num assento na janela e vir a asa se movendo para cima e para baixo, não se preocupe, ela foi feita para fazer isso mesmo.

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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