Segunda Feira, 17 de dezembro de 2018

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Como é a vida de uma mulher piloto de aviões

Marlies Beek, piloto holandesa de B747 e B777 da KLM, conta como é seguir a carreira de seu pai e voar pelo mundo.

Não peça a esta piloto – que por acaso é uma mulher (como ela mesma gosta de dizer) – para escolher entre uma cama de hotel e a sua própria cama. Ela simplesmente ama sua vida demais para escolher. Voar é a vida dela. E entre os voos, ela trouxe 4 crianças ao mundo. Já parece que sua filha de 12 anos vai seguir seus passos, assim como ela, Marlies (46), seguiu seu pai, que também era piloto da KLM. Ela até voou com ele. Quando trabalharam juntos no cockpit, ela era a terceira piloto, ou “co-copiloto”.

Breve biografia

Data de nascimento: 3 de abril de 1971

Lugar de nascimento: ‘s Hertogenbosch, Holanda, ou Den Bosch, para facilitar.

Posição: Comandante a bordo dos voos intercontinentais da KLM desde dezembro de 2010

Vida pessoal: Marlies é casada e tem 3 filhos, Jesse (13), Fender (10) e Kester (8), e uma filha, Louke (12)

Carreira: Entrou na KLM em 1991

Mais recentemente

26 anos se passaram, mas parece que foi ontem. Na verdade, não me lembro do meu primeiríssimo voo. Mas lembro-me claramente dos voos para Nova York e Nairóbi que fiz nos primeiros tempos de minha carreira.

Como muitos dos meus colegas, eu comecei como segundo oficial depois de me formar na academia de voo. Os segundos oficiais são designados para voos intercontinentais, o que significa que você passa a pilotar aeronaves maiores.

2 anos como segundo oficial

Como segundo oficial, você é o piloto extra que permite que os outros pilotos descansem. Você não faz decolagens e aterrissagens, embora tenha treinado para fazê-las. Você só tem que sentar nos controles quando está em piloto automático e os outros estão descansando. Passei 2 anos fazendo isso.

Carreira

Depois desses 2 anos como segundo oficial, as coisas avançaram rapidamente. Eu me tornei uma copiloto a bordo do Boeing 747, onde permaneci por 4 anos. Então mudei para o B747-400, novamente como copiloto, e aí fiquei por um bom tempo. Meus filhos nasceram naqueles anos. Eu também comecei a trabalhar como instrutora, junto com minhas obrigações de piloto. Quando me ofereceram o emprego de comandante em voos intercontinentais, agarrei a oportunidade com unhas e dentes.

Trabalho em equipe

Cada piloto tem listras nas mangas. Um copiloto tem 3, um comandante tem 4. Os que têm 4 listras têm a responsabilidade final, mas acredite, quando estamos voando, sempre discutimos o plano de voo uns com os outros. No cockpit, tudo é questão de trabalho em equipe e igualdade.

Meu pai

Meu pai era piloto e, claro, ele me deu o exemplo. Mas, de novo, isso realmente não é um trabalho só para homens. Eu nunca fui tratada de maneira diferente porque sou mulher. Eu sou apenas um piloto que por acaso é uma mulher. É assim que eu vejo.

Meu pai se chama Wim. Eu fui a copiloto no último voo dele como comandante. Foi incrível. Também trabalhei com ele como segundo oficial. Ele se aposentou em 2013.

Um emprego comum

Minha família está acostumada com o fato de voarmos. É apenas um trabalho como outro qualquer, para nós. Um dos meus filhos também tem ambições de voar. Gosto disso, mas não é algo que eu espere. Quase não penso nisso, mas a verdade é que só cerca de 5% dos pilotos são mulheres. Então suponho que seja bem especial.

Amo meu trabalho

Meu trabalho é realmente uma fonte de imensa alegria. Eu faço o mesmo trabalho há 26 anos e ainda amo isso loucamente. Poucas pessoas podem dizer o mesmo sobre o trabalho delas, por isso sou muito grata.

Se pudesse escolher novamente, escolheria ser piloto.

Trabalho e vida familiar

Essa é a única desvantagem do meu trabalho: às vezes tenho que trabalhar nos dias em que preferia não ir e perdi alguns eventos especiais dos meus filhos. No entanto, nunca vou trabalhar de mau humor. E quando não estou voando, sempre ponho em dia todos os momentos que perdi e os aproveito ainda mais.

Especial

Certa vez sentei no cockpit de um 777 com um amigo piloto, o que foi muito especial. “Olhe para nós sentados aqui!” Um sonho que tivemos na academia de voo se tornou realidade. Foi um voo fantástico. Para Nova York. Saímos para tomar café juntos. Uma lembrança maravilhosa.

Novas pessoas a cada vez

Sempre voo com novas pessoas. A tripulação do cockpit nunca é a mesma. Mas tudo ainda acontece sempre da mesma maneira, então sabemos o que esperar uns dos outros. Mesmo que nunca tenhamos nos encontrado antes, podemos confiar uns nos outros. Trata-se de estar alerta e seguir as instruções de segurança, as regras e os nossos métodos de trabalho – todos dançam ao mesmo ritmo. Essa é uma parte muito especial do meu trabalho.

O toque humano

Apesar de seguirmos um plano de voo e de toda a rota ser traçada antecipadamente, temos que saber o que fazer se as coisas mudarem repentinamente ou se o vento mudar de direção. É bastante necessário um toque humano. Talvez seja por isso que nunca fique chato. Você está sempre sentado ao lado de uma pessoa diferente, que talvez nunca tenha conhecido antes.

Amizade

Tenho um grande grupo de amigos e, de vez em quando, faço novos amigos graças ao meu trabalho. Conheço muitas pessoas e é possível desenvolver um relacionamento com os colegas em um curto espaço de tempo. Nos primeiros dias de minha carreira, eu sempre dizia: vamos nos reunir em breve. Ou, devemos nos ver com mais frequência. Mas a vida continua e dificilmente se consegue contatar um ao outro.

Força muscular

Acho que os primeiros pilotos eram na maioria homens porque era preciso muita força muscular para decolar e aterrissar. Mas esses dias já se foram faz tempo. Hoje em dia, é muito mais uma carreira para homens e mulheres. Na verdade, na KLM, é um trabalho onde ter filhos não afeta o desenvolvimento da carreira. Há muito espaço para encontrar um bom equilíbrio entre trabalho e vida familiar.

Mas nós, mulheres, ainda temos um bom caminho a percorrer. Desde que entrei na KLM, o número de pilotos femininos aumentou apenas de 4% para 5%. Então, há muito espaço para melhorias. Não acho que as mulheres devam ter precedência, mas acho que mais mulheres devem descobrir que esse é um trabalho fantástico. Você precisa ser capaz de lidar com o jetlag e com o fato de que você sempre trabalha com uma equipe diferente. Você também precisa ter uma afinidade com a tecnologia. Mas essas são coisas que se aplicam tanto a homens quanto a mulheres. O que quero dizer é que este trabalho não é adequado para todos e nem todos são adequados para este trabalho. Mas seria bom ver mais mulheres fazendo isso, com certeza.

Piloto típico

É preciso ter um número de qualidades específicas para ser piloto, como ser imune ao estresse. Felizmente, isso não é necessário com muita frequência. Também é preciso ser decisivo – estar disposto e ser capaz de tomar decisões. Acho que as coisas estão mudando um pouco agora. Voar costumava ser mais técnico – tudo agora depende muito mais do trabalho em equipe.

Mas isso é apenas uma das minhas batalhas: criar uma boa atmosfera na equipe. Acredito em união, no espírito de equipe. É importante em todas as esferas da vida, e isso inclui voar. Acredito que o trabalho colaborativo em equipe sempre resulta em melhores operações. A única desvantagem é que você tem que ser capaz de lidar com o feedback. Então hoje em dia você realmente tem que ser capaz de ter empatia.

E sim, habilidades analíticas, pensar no futuro e, portanto, cooperar. Estas são todas qualidades importantes. Também noto que nos concentramos nessas habilidades na KLM, o que é um desenvolvimento positivo.

Ousar ser vulnerável

Isso é fundamental para o meu trabalho. Com isso, quero dizer estar aberto aos outros, não se apegando às suas próprias ideias, mas desejando contribuir e ter disposição para mudar. Você não é frágil nem se quebra, mas está aberto. Isso é tão importante para o seu próprio desenvolvimento. No trabalho e além. Eu realmente acredito nisso.

O bom do meu trabalho?

Decolar e pousar – é sempre uma alegria vivenciar. Mas tem mais. Saber que, apesar de estar em casa hoje, vou passear por Xangai amanhã. Com quem, o que e como? Isso eu vou descobrir ao longo do caminho. E na semana seguinte, estarei de volta em Cingapura. Tornou-se normal para mim, mas na verdade está longe disso [risos].

Sabedoria

Ser sempre quem eu sou é o que eu esperava conseguir em meus diferentes trabalhos. E na minha habilidade atual como comandante, tendo feito minha última mudança de carreira, por assim dizer, acho que posso dizer honestamente que ainda sou eu mesma. Eu sempre me perguntava se mudaria quando me tornasse comandante. Não mudei.

Fatos que mudam a vida

Filhos são as maiores mudanças na vida. Você se torna pai ou mãe e vive para seus filhos. Isso torna você vulnerável e você muda seriamente seus pontos de vista sobre algumas coisas. Você entra em algum tipo de força primordial, mas também ganha um grau de paz em sua vida. Estou muito feliz por ter me tornado mãe.

A vida é boa

Fiz tantas viagens incríveis, não tenho uma favorita em particular. São muitas para isso, e não quero parecer mimada. Muito pelo contrário, é mais no sentido de que há viagens demais para escolher.

Hilário

Nós aterrissamos e um velho casal desembarca – a porta da cabine está aberta. O homem olha para nós e faz uma pausa por um momento. Querendo nos elogiar, ele diz: “Deus, é bom ver uma mulher piloto, e ainda assim foi um voo muito seguro”. Eu acho isso brilhante, não tem preço. Embora você pudesse entender de outra maneira, achei hilário na época.

Um dia, quando eu crescer…

Falando de questões pessoais, espero que meus 4 filhos encontrem seus caminhos e felicidade em suas vidas. Que eles possam olhar para trás e dizer: “Você fez um bom trabalho, mamãe”. Em termos de trabalho, tenho como objetivo ser uma boa instrutora. Tive vários treinadores que me inspiraram e serviram como bons modelos. Espero ser o mesmo para alguns dos futuros pilotos.

Desafio

Sempre há algo novo para aprender no meu trabalho, sempre novos desafios a enfrentar. Existe a operação padrão, é claro, mas sempre quero aprender mais com os outros. Quem sabe, eu possa até fazer algo diferente. A KLM realmente estimula seus funcionários a desenvolver seu potencial, mas o esforço tem que vir da própria pessoa.

Lições de vida

A vida tem seus altos e baixos. Eu acredito que sempre se pode crescer a partir dessas experiências, especialmente dos piores momentos. E tem a cor da sua vida. A vida é colorida de uma certa maneira, mas no final é você quem decide qual cor deve ser. O que quero dizer é que depende de você. Você pega aquele lápis cinza ou preto? Ou o vermelho ou amarelo?

Veja só, mesmo que as coisas nem sempre saiam do jeito que você quer, no final, depois de um tempo – mesmo quando sua vida sofreu uma mudança drástica causada por outra pessoa – você tem o poder de aplicar a cor. E você se torna mais forte por isso, mesmo que demore um pouco.

Antes e agora

Quando comecei a voar, as pessoas ficavam praticamente inacessíveis se estivessem em um país distante. Já era uma grande coisa se o hotel tivesse um aparelho de fax. Agora podemos estar em contato o tempo todo. É tão diferente. Quando se tem uma família, como é o meu caso, isso facilita muito a vida. É também mais difícil, quando não conseguem encontrar algo em casa, e eu estou dormindo em um fuso horário diferente – aquelas mensagens no meio da noite, “Mamãe???”, “Mãe???”. Hahaha.

Lembro-me vividamente de caminhar ao longo da Grande Muralha da China com meu primeiro celular – eles não existiam há tanto tempo. Lembro-me de pensar como era bizarro que eu estava na Grande Muralha da China – longe, muito longe – e conseguindo telefonar para casa. Hoje em dia eu nem sempre deixo meu telefone ligado: o sono é precioso demais, especialmente quando há uma diferença de fuso horário. Mas tudo bem também. Tudo está bem organizado em casa, enquanto estou ausente.

A entrevista completa com Marlies pode ser encontrada aqui. Este e tantos outros textos de curiosidades da aviação estão noBlog da KLM em Português.

Sobre a KLMHá 99 anos, a KLM é pioneira no setor de transporte aéreo e é a companhia aérea mais antiga que ainda opera sob seu nome original. A KLM pretende ser a companhia aérea com mais foco no cliente, inovadora e eficiente, oferecendo um serviço confiável e produtos de alta qualidade na Europa.

A KLM transportou um recorde de 32,7 milhões de passageiros em 2017, oferecendo aos seus passageiros voos diretos para 165 destinos com uma frota moderna de mais de 160 aeronaves. A companhia aérea emprega uma força de trabalho de mais de 32.000 pessoas em todo o mundo. O Grupo KLM como um todo transportou mais de 41 milhões de passageiros em 2017. Além da KLM, o Grupo KLM inclui a KLM Cityhopper, Transavia e Martinair. A malha aérea da KLM conecta a Holanda com todas as principais regiões econômicas do mundo e é um poderoso motor impulsionando a economia da Holanda.

Grupo Air France-KLM

Desde a fusão em 2004, a KLM faz parte do Grupo Air France-KLM. Essa fusão deu origem a um dos principais grupos de companhias aéreas da Europa, com duas marcas fortes operando em dois grandes centros: o Aeroporto Schiphol de Amsterdã e o Charles de Gaulle de Paris. O grupo concentra-se em três atividades principais: transporte de passageiros e carga e manutenção de aeronaves. Juntas, as duas companhias aéreas transportam quase 100 milhões de passageiros por ano.

A KLM também é membro da SkyTeam Alliance global, que possui 20 companhias aéreas associadas e uma malha aérea conjunta de 1074 destinos em 177 países.

Para mais informações sobre a KLM, acesse KLM.comKLM NewsroomFacebookTwitter e o Blog.

KLM no Brasil

Rio de Janeiro: 7 voos semanais

São Paulo: 7 voos semanais

Fortaleza: 3 voos semanais (4 voos semanais a partir de 2 de abril de 2019)

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