Terça Feira, 12 de novembro de 2019

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Mostra de Cinema de Tiradentes

Convidados internacionais e sessão dupla da Mostra Aurora

Anualmente a Mostra de Cinema de Tiradentes promove a mesa “Um olhar sobre o cinema brasileiro”, que reúne convidados internacionais para discutir como vem sendo a recepção e circulação das produções do país no circuito e em festivais no exterior. Nesta 22a edição, o encontro, que reuniu o argentino Roger Koza e a francesa Claire Allouche, que integram o júri da crítica, aconteceu na quarta, 23 de janeiro.

A presença internacional no evento segue nesta quinta, 24 de janeiro, desta vez com o seminário “Estratégias de festivais internacionais e a visão de programadores sobre o cinema brasileiro”, que reunirá Diego Lerer (Argentina), María Campaña Ramia (Equador), Mathilde Henrot (França) e Violeta Bava (Argentina). A programação do dia tem ainda a Mostra Olhos Livres e sessão dupla da Aurora, que caminha para sua reta final. Ao todo, serão exibidos hoje nove filmes, além de debates e show.

NA QUARTA

Na mesa “Um olhar sobre o cinema brasileiro”, a francesa Claire Allouche apresentou informações a partir da apresentação intitulada “Notas sobre ocorrências e ausências do cinema brasileiro contemporâneo nas telas francesas”. Entre dados do circuito exibidor e de eventos segmentados de cinema na França, a convidada detectou a dificuldade de determinados filmes, que acredita relevantes e de invenção, atingirem espaços fora dos tradicionais ou canônicos.

“A última grande retrospectiva de cinema brasileiro na França tinha sido em 1987, com curadoria de Paulo Paranaguá, até que, em 2015, outra retrospectiva ocorreu, feita por Bernard Payen”, relembrou ela, que destacou as controvérsias em torno do programa desenvolvido por Payen, que deixou de fora diversos títulos representativos tanto de cinema contemporâneo quanto histórico. Em termos de festivais, Claire falou sobre o Três Continentes (Nantes) e o Cinelatino (Toulouse), que sempre contam com brasileiros em suas grades, tanto nas competitivas quanto nas mostras paralelas.

Em sua vez, o crítico Roger Koza preferiu refletir sobre a figura do programador como aquele que leva os filmes para serem exibidos a determinadas plateias. “Um dos elementos políticos no trato com o cinema hoje é o trabalho da programação, que exige muito estudo e concentração, muito cuidado para o que se vai escolher mostrar”, disse ele. Grande entusiasta do cinema independente brasileiro, Koza afirmou que a Mostra de Tiradentes tem por característica a exibição de filmes muito distintos entre si e sobre os quais públicos de outros países às vezes não entendem de imediato, mas apreciam ao tomarem contato.

PASSADO E FUTURO

A memória e a violência (e a memória da violência) apareceram nos Encontros com os Filmes desta quarta-feira a partir das conversas sobre os longas exibidos na noite de terça. Aída Marques, diretora de “Trágicas”, que está na Mostra Olhos Livres, contou sobre suas escolhas para mostrar os relatos de várias mulheres vítimas do regime militar e das forças de opressão brasileiras, intercalados com a encenação de tragédias gregas. Ao lado dela, a pesquisadora Patrícia Machado ponderou que “a montagem do filme mostra que a fala das mulheres é tão forte que, quando entra a encenação, a sensação é de que a tragédia grega fica muito pequena diante dos depoimentos”.

Já na conversa sobre “Tremor Iê” (Aurora), de Elena Meirelles e Lívia de Paiva, a crítica convidada, Carol Almeida, destacou a estratégia ficcional do filme de “confundir o espectador, o tempo todo, sobre quem está narrando a história, com saltos temporais entre presente, passado e futuro e lidando com a natureza fantasmagórica do momento vivido pelo país”. Para Carol, trata-se de um filme distópico sobre o Brasil de hoje, mesmo tendo sido feito antes das eleições de 2018. “Ele tem uma oscilação constante entre o que é memória e o que é invenção”.

No debate sobre os filmes da Mostra Foco, o diretor Bruno Ramos, do curta-metragem “Estado de Neblina”, também se disse impregnado da desilusão política no Brasil para chegar à atmosfera de seu filme. “Toda vez que penso na morte da Marielle Franco, eu lembro o motivo pelo qual eu resolvi fazer o filme: para expressar minha sensação de mal-estar, de fim do mundo”.

SESSÕES DE CINEMA

Ontem (24), aconteceu a última sessão da Mostra Foco, com a exibição dos curtas “A ética das hienas”, “Antes de ontem”, “Tempestade” e “Negrum3”, que teve calorosa recepção do público. Na Praça, entraram em cartaz cinco produções, de Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Bahia e Rio de Janeiro, mostrando a diversidade da produção audiovisual brasileira. Também foram exibidas produções nas Mostras Panorama, Olhos Livres e Aurora. O dia terminou com o show de Felipe de Oliveira no Sesc Cine-Lounge.

PRODUÇÕES GOIANAS TOMAM CONTA DA 22ª MOSTRA DE TIRADENTES NESTA QUINTA (24)

Com uma produção em franca ascendência nos últimos anos, o cinema goiano invade a programação da 22ª Mostra de Tiradentes nesta quinta (24/01). Além dos três curtas já exibidos anteriormente na programação, dois longas do estado marcam presença nas sessões competitivas de hoje, trazendo para a pauta do evento a questão da moradia e da propriedade rural, tão latente na região.

Às 18h, no Cine-Tenda, o documentário “Parque Oeste” apresenta na Mostra Olhos Livres a história de uma mulher que tenta reconstruir sua vida após ser vítima de uma violenta desocupação. O filme foi dirigido por Fabiana Assis. A questão da habitação sob ameaça se repete em “Vermelha”, primeiro longa de Getúlio Ribeiro, que concorre na Mostra Aurora a partir das 22h. A ficção acompanha dois viajantes ajudando o morador de uma zona rural endividado e ameaçado por um fornecedor de materiais de construção.

Antes dele, porém, outro longa participa da Aurora e encara o crivo do júri da crítica: o paraibano “Desvio”. Estreia de Arthur Lins (editor de “Batguano”) na direção, o filme exibido no Cine-Tenda às 20h conta a história de um detento que recebe permissão para uma saída temporária da prisão e, ao visitar sua família no interior do Estado, reconhece em uma prima adolescente a mesma chama que queimava em seu peito.

INCLUSÃO EM DEBATE

Já a sessão do Cine-Praça, às 21h, coloca na tela a questão da inclusão. Em sintonia com os esforços da Mostra na promoção da acessibilidade, respeito e acolhimento de todos os públicos, o documentário “Meu Nome é Daniel” revela a trajetória pessoal de seu diretor, o carioca Daniel Gonçalves, portador desde a infância de uma deficiência que nenhum médico conseguiu diagnosticar até hoje. No filme, que será seguido de debate com o realizador e equipe, sob mediação do curador Victor Guimarães, o cineasta tenta compreender sua condição a partir de imagens de arquivo da família e registros atuais.

Outro Daniel, Paes, resolveu botar não a si mesmo, mas a própria Tiradentes, em tela no documentário “Alma da Cidade”. A partir dos relatos de habitantes de diferentes gerações e origens, ele e sua co-diretora, Solange Jobim, retratam as transformações da cidade no média-metragem que será exibido às 18h no Cine-Teatro Sesi, dentro da Mostra Valores.

Completando a programação cinematográfica da quinta, duas dobradinhas compõem a terceira série de curtas da Mostra Panorama, às 16h30, no Cine-Tenda. A sessão contará com duas produções de Pernambuco – “Reforma” e “Insipiente” – e duas do Rio de Janeiro – “Aurora” e “Perpétuo”.

FESTIVAIS TIPO EXPORTAÇÃO

A tarde também traz um importante encontro na série de debates promovidos por esta edição da Mostra. Às 15h, os convidados internacionais do evento se reúnem para discutir “Estratégias de Festivais Internacionais e a Visão de Programadores sobre o Cinema Brasileiro” no Cine-Teatro Sesi.

Na mesa, os argentinos Diego Lerer (representante da Quinzena dos Realizadores na América Latina) e Violeta Bava (consultora de programação do Festival de Veneza), juntamente com a equatoriana María Campaña Ramia (programadora do Ambulante Documentary Film Festival) e a suíça Mathilde Henrot (COO do site Festival Scope e programadora do Festival de Locarno), revelam os mecanismos e linhas de seleção de seus corpos curatoriais e apresentam suas impressões sobre o cinema brasileiro contemporâneo. A mediação será da curadora de longas Lila Foster.

Pela manhã, voltam à cena os imprescindíveis Encontros com os Filmes da noite anterior. Os debates começam às 10h, com o crítico cearense Érico Araújo Lima apresentando sua análise do longa “Currais”, seu conterrâneo, exibido na Mostra Olhos Livres na noite de quarta. Às 11h15, o baiano Rafael Carvalho e o público conversam com as realizadoras do filme mineiro “A Rainha Nzinga Chegou”, que também teve sessão na noite de ontem, na Mostra Aurora. Encerrando os trabalhos, às 12h30 sobem à mesa os diretores dos últimos quatro curtas da Mostra Foco.

NO RITMO DO PARÁ, VOL. 2

Depois do sucesso da apresentação do cantor Jaloo no último domingo, os ritmos paraenses estão de volta ao Sesc Cine-Lounge na noite de hoje, desta vez sob os acordes do grupo mineiro Tutu com Tacacá. A partir da 0h30, a banda de Belo Horizonte apresenta sua roupagem própria para o Carimbó, ritmo típico do grande Estado da região Norte. No show, a tradição dos tambores paraenses é misturada com a musicalidade de Minas Gerais. O repertório conta com músicas de compositores paraenses e mineiros, além de canções autorais, e é um convite à vivência da cultura do norte do Brasil e das raízes mineiras.

SOBRE O EVENTO

22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

PLATAFORMA DE LANÇAMENTO DO CINEMA BRASILEIRO

Considerada a maior manifestação do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão. Busca refletir e debater, em edições anuais, o que há de mais destacado e promissor na nova produção audiovisual brasileira, em longas e curtas, em qualquer gênero e em formato digital. A programação é oferecida gratuitamente ao público e inclui exibição de filmes brasileiros (longas e curtas), pré-estreias, homenagens, debates, encontros com a crítica, o diretor e o público, oficinas, seminário, mostrinha de Cinema, atrações artísticas.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.


Acompanhe a 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes e o programa Cinema Sem Fronteiras 2019.

Participe da Campanha #EufaçoaMostra

Na Web: mostratiradentes.com.br

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No Instagram: @universoproducao

Informações pelo telefone: (31) 3282-2366

Serviço

22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES | 18 a 26 de janeiro de 2019

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: TAESA, KINEA/Itaú, CSN, CBMM, CEMIG, COPASA|GOVERNO DE MINAS GERAIS

Parceria Cultural: SESC em Minas

Fomento: CODEMGE|GOVERNO DE MINAS GERAIS

Apoio: ACADEMIA INTERNACIONAL DE CINEMA, SESI FIEMG, OI, INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL, TRES, WALS CERVEJA ARTE, MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, SENAC, CINEMA DO BRASIL, DOT, MISTIKA, CTAV, NAYMAR, CINECOLOR, GLOBO MINAS, CANAL BRASIL, EMBAIXADA DA FRANÇA, ETC FILMES, NOVA ERA SILICON, POLÍCIA MILITAR, PREFEITURA DE TIRADENTE E CENTRO CULTURAL AIMORÉS.

Incentivo: SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA| MINAS GERAIS

Idealização e realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

MINISTÉRIO DA CIDADANIA | GOVERNO FEDERAL

LOCAIS DE REALIZAÇÃO DO EVENTO

Centro Cultural Sesiminas Yves Alves

Largo das Fôrras

Largo da Rodoviária

Escola Estadual Basílio da Gama

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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