Segunda Feira, 22 de abril de 2019

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WORLDSKILLS: Mineira pode disputar título de melhor panificação

Por Aline Dias

Quem viu Bruna Alessandra Vieira vendendo brigadeiro na escola, durante o ensino médio, jamais imaginou que a jovem um dia disputaria uma das 63 vagas na equipe brasileira da WorldSkills, a maior competição de educação profissional do mundo. Bruna fez curso de aprendizagem industrial em confeitaria no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), se formou em gastronomia e, agora, pode ser a primeira a trazer para o Brasil o título de melhor do mundo em panificação. A 45ª edição da WorldSkills ocorrerá de 22 a 27 de agosto, no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO em Kazan, na Rússia.

Crédito foto: Divulgação/SENAI

A jovem mora no bairro Jaqueline, em Belo Horizonte, com os pais e o irmão mais novo. Ela se classificou em 2017, na etapa regional, e, no ano passado, na nacional. A mineira, que hoje tem 20 anos, tentou seguir outra área, mas não conseguiu ficar longe dos quitutes. Bruna ingressou primeiro no curso técnico de comunicação visual, mas acabou mudando para o de confeiteiro, devido à sua paixão pela cozinha. Os pais não gostaram muito, mas depois de ver aptidão da filha para a área, acabaram apoiando. A aceitação veio, principalmente, depois que participou das Olimpíadas do Conhecimento. Bruna conta que a rotina cansativa, de conciliação entre treinamentos e faculdade, valeu muito a pena.

“É uma realização porque a gente passa muito tempo treinando. Quando você alcança aquilo, não que não tivesse valido a pena se eu não tivesse ganhado, mas quando tem um resultado é muito melhor, é uma situação de realização e de gratidão também, por ter chegado até aqui, pelas pessoas que eu conheci, pelas pessoas que me ajudaram”, conta ela, emocionada.

Agora, a jovem está na última fase de treinamentos, realizada em Brasília, onde deverá permanecer até a competição, junto com aproximadamente outros 50 jovens. Representantes de algumas modalidades irão se preparar também nos centros de treinamento do SENAI localizados em Belém, Porto Alegre e Joinville, em Santa Catarina.

De acordo com Bruna, o curso técnico e agora a participação nas Olimpíadas e na WorldSkills são um diferencial para qualquer jovem que busca uma vaga no mercado de trabalho. “A gente aprende justamente a fazer coisas que poucas pessoas sabem fazer e isso é muito valorizado no mercado. As pessoas ficam encantadas vendo a gente trabalhar”, explica ela.

Assim como para Bruna, a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.

Para o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.

A competição

A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades que correspondem às profissões técnicas da indústria e do setor de serviço. Há mais de 65 anos, a competição reúne jovens qualificados de todo o mundo, selecionados em olimpíadas de educação profissional de seus países, realizadas em etapas regionais e nacionais.

Cada jovem competidor recebe um projeto e tem uma determinada quantidade de horas para desenvolver o desafio, da melhor forma possível. É colocada em xeque a habilidade técnica dos participantes, cada um dentro da sua modalidade. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.

São 56 modalidades técnicas que exigem adequação aos padrões mundiais. Segundo o gestor do projeto Brasil Kazan 2019, José Luiz Gonçalves Leitão, os jovens devem ter conhecimentos sobre desenvolvimento e desenho técnicos, metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto e também sobre processos. “É um jogo de tempo. Cada uma das habilidades é trabalhada exaustivamente dentro dos padrões e eles são submetidos a vários testes, exercícios, durante esse período”, destaca.

A cada edição da WorldSkills, o Brasil participa com um número maior de competidores e melhora sua classificação no quadro de medalhas. Em 18 participações, o país já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história do campeonato foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, o Brasil foi o primeiro do ranking de países.

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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