Terça Feira, 19 de fevereiro de 2019

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Fez Nas montanhas Atlas

DIRETO DO MARROCOS (África)

Visitar a Medina de Fez, aos pés das montanhas Atlas, no Marrocos, é uma viagem no tempo. O genuíno artesanato, ali produzido e comercializado, é a cada dia mais raro e apreciado em um mundo globalizado onde os mesmos produtos chineses abastecem as lojas populares e as mesmas marcas internacionais dominam os shoppings das grandes cidades.

Fundada no ano de 750, a Medina de Fez está cercada por 19 km de muralhas e ocupa uma área de 200 hectares. Em suas 9.400 ruelas vivem 250 mil habitantes, apinhados em blocos maciços de casas baixas, entremeados por poucos espaços livres que são as pracinhas onde ficam as fontes d’água. Pelo emaranhado de ruas e becos, muitos com menos de um metro de largura, só circulam pedestres. A movimentação é intensa.

Homens jovens, os únicos a usar roupas ocidentais, oferecem os produtos de suas lojinhas abarrotadas de todo tipo de mercadoria. Os mais velhos, vestidos com as tradicionais dhilabas- túnicas compridas com um capuz pontiagudo-, passam o tempo conversando nas esquinas. As mulheres, de cabeças cobertas e usando longas túnicas, sobem e descem as ruelas. Vão apressadas, carregando sacolas de alimentos e seguidas por uma fila de crianças. Enquanto os vendedores vão além da cortesia no afã de venderem seus produtos, as mulheres mostram indiferença pelos turistas e não permitem ser fotografadas. As meninas são tímidas, passam desapercebidas, porém os meninos pulam na frente do turista a fazer brincadeiras e imitar jogadores de futebol.

A vida dentro da Medina gira em torno do artesanato, desde o preparo da matéria prima até a venda do produto . A inspiração dos desenhos, nos quais predominam arabescos, motivos florais ou listras em cores vibrantes vem da cultura berbere. Marcenaria, marchetaria, tecelagem e confecção de roupas, curtume, tinturaria e produtos em couro, cobre e prata, artigos de decoração, tapeçaria, joias em prata e pedras semipreciosas e ainda fabricação de pães e doces são ali produzidos em cooperativas.

A Medina passa por restaurações na tentativa de recuperar o antigo esplendor de Fez. De maneira exemplar, o governo se mostra interessado em incentivar a produção artesanal como forma de preservar a cultura milenar e incrementar o crescente turismo. Hoje o Marrocos recebe mais de 12 milhões de turistas por ano, o dobro do que recebe o Brasil.

silvania@mgturismo.com.br

Bacharelanda em Jornalismo pela FUMEC, arquiteta, ex-presidente da ABIH-MG.

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