Sábado, 07 de dezembro de 2019

Home / EDITORIAS  / Internacional  / Para além de hongi, hāngi e haka: experiências autênticas com a cultura Māori na Nova Zelândia

Para além de hongi, hāngi e haka: experiências autênticas com a cultura Māori na Nova Zelândia

A Nova Zelândia é conhecida pelo seu haka, suas piscinas termais e suas wharenui (casas de reunião) primorosamente esculpidas. Os visitantes podem abraçar um kiwi (pássaro local), ouvir as asas pesadas de um kereru (pombo-torcaz) alimentado à base de frutas vermelhas e provar uma refeição hāngi direto da terra. Para aqueles que desejam algo especial, reserve uma experiência liderada por guias turísticos Māori que dão vida ao destino com sua paixão, prazer em contar histórias e habilidades culinárias.

Experiências à beira do rio

O Mãori Jay Cripps tem sua whare (casa) no melhor lugar para observar os turistas tomarem um caldo nas corredeiras do rio Whanganui, no centro da Ilha Norte, onde às chances de vencê-las sem cair é de 50/50.  Cripps tem vivido isolado nessa área junto ao rio por quase duas décadas e hoje é um dos integrantes da equipe do Unique Whanganui River Experience. Administrada por Hayden Potaka, a empresa combina canoagem no rio com bons restaurantes no meio da natureza.

Os passeios de 3 a 5 dias são lendários por sua kai (comida), preparada pelo chef Damien Peeti, além da presença surpresa de outros chefs Māori da Nova Zelândia como Monique Fiso, que estagiou em um restaurante de Manhattan estrela guia Michelin, os chefs Darrien (irmão de Hayden) e Philippa Potaka, baseados em Sydney, e ainda Damian Oehlrich, dono de um café em Whanganui.

Durante a viagem, os visitantes também colhem ingredientes para preparar a própria comida, incluindo kawakawa (erva medicinal), horopito (pimenta da Nova Zelândia), brotos de samambaia, agrião e puha – uma planta frondosa que combina bem com a carne de porco.

O rio Whanganui, tornou-se o primeiro rio do mundo a receber os mesmos direitos legais de um cidadão comum. Os Māori locais, consideram-no umtupuna (ancestral). “Não queremos fazer apresentações de kapa haka [dança] para turistas. Queremos que os visitantes conheçam nosso povo nomarae [campo de reunião] à beira do rio, ouçam as histórias do nosso passado e conheçam a personalidade e a espiritualidade do rio. E, também, apreciem uma deliciosa refeição, que pode incluir a nossa lendária enguia defumada, saboreada ao ar livre. Eu chamo de KFE”, diz Jay. “Tem gosto de frango.”
Viva o presente

Tom Loughlin não usa relógio de pulso. O tempo, diz ele, é menos importante do que o prazer do momento. “Não digo aos visitantes: “Ok, próxima atividade.” Aqueles que se inscrevem em sua experiência na região selvagem de Kai Waho geralmente são pessoas cujas vidas são regidas por prazos. O que eles procuram quando viajam para sua base em Tamau Pā, que tem vista para a megaerupção do vulcão Taupo de 27 mil anos, vai nadireção oposta ao controle do tempo. “Aqui, tudo se trata de whakapapa [ancestralidade] e conexão, são os valores que todos nós compartilhamos uns com os outros e com a terra”, diz ele. “Ficamos concentrados em aprender juntos.”

Os hóspedes convivem com o silêncio. Kai Waho fica bem longe da vida urbana. Situado em Ngāti Tūwharetoa, em uma floresta subalpina na borda leste da bacia de Taupo, na Ilha Norte, são necessários 45 minutos para chegar lá, sacolejando em um veículo quatro rodas a partir da State Highway 5. Muitos hóspedes preferem pegar um helicóptero. Loughlin hospeda turistas há 11 anos. Ele é um chef treinado pela City and Guilds, mas também um apaixonado por atividades ao ar livre com habilidades aprendidas ao lado de seu pai que já faleceu.

Grupos de duas a quatro pessoas podem desfrutar de uma variedade de atividades, incluindo culinária tradicional, pesca de enguias, caminhadas, observação de pássaros e caça – tudo regido por um princípio de sustentabilidade -, além da simples alegria de observar um céu noturno sem poluição. Nenhum dia é igual a outro. “Eu me baseio nos questionamentos dos hóspedes”, diz Loughlin. O dia geralmente será moldado em torno de suas necessidades e interesses. O pacote de um dia oferecido através da Ahipara Luxury Travel é focado em kaiahihāngi hakari – comida, fogo, culináriae festa -, onde os hóspedes compartilham suas experiências com comida e viagem.

Loughlin diz que os hóspedes são pessoas inteligentes e bem-sucedidas que desfrutam de novos aprendizados através de uma experiência intercultural interativa. “Nos conectamos a este lugar através da troca de experiências”.


Um dia na vida de um ancião Mãori

A família de Robert MacDonald vive em Waimarama, na costa leste da Ilha Norte, há mais de sete séculos, antecipando a presença europeia em centenas de anos. A praia de areia dourada perto da casa que seu avô construiu há 106 anos é o lugar onde, em 1350, ele descansou após sua longa viagem desde Hawaiki.

Todas as manhãs, MacDonald reflete sobre a necessidade de preservar as histórias transmitidas através das gerações. É por isso que ele as compartilha com os visitantes. E é a inspiração para o modelo de negócios por trás da premiada Waimarama Māori Tours. “Compartilhar histórias com as pessoas é a única maneira de garantir que esse pequeno trecho verde na costa esteja seguro”, afirma ele. Com isso, ele quer dizer que os jovens podem ser empregados e treinados localmente através dos wananga (programas de educação Māori).

Uma das excursões de Waimarama é a chamada “Um dia na vida de um ancião Māori”, e é exatamente isso que os visitantes terão. A rotina de MacDonald e as atividades da comunidade – pouco mais de 1000 pessoas – moldam a programação do dia. Isso pode incluir uma visita à minúscula escola local de cerca de 20 alunos, a maioria de origem Māori, ou um almoço na casa de MacDonald, onde ele apresentará os convidados a seus ancestrais, cujas fotos revestem as paredes. Uma vez, os visitantes participaram do funeral de seu primo. “Depois disso, um turista me perguntou se eu poderia fazer uma excursão funerária. Eu disse: ´Sinto muito, mas as pessoas não têm agenda para morrer´.”

O mantra da Waimarama Māori Tours é: “Se você me disser, eu esquecerei; se você me mostrar, me lembrarei; se você me envolver, entenderei.”

PONTOS DE DESTAQUE

  • Uma experiência conduzida por um guia Māori dá vida a um destino através da paixão e prazer em contar histórias e habilidades culinárias
  • A empresa Unique Whanganui River Experience combina canoagem no rio com ótimos jantares na natureza
  • As excursões de 3 a 5 dias são lendárias por sua kai (comida), obra do chef Damien Peeti, mas também pela presença ocasional de alguns dos principais chefs Māori da Nova Zelândia como Monique Fiso, Darrien Potaka e Philippa Potaka
  • Os hóspedes colhem os ingredientes para preparar a própria comida, incluindo pimenta da Nova Zelândia, brotos de samambaia, agrião e puha, um arbusto comestível
  • O rio Whanganui, no ano passado, tornou-se o primeiro rio do mundo a receber os direitos legais de um cidadão comum. Os Māori o consideram um ancestral
  • A experiência na região selvagem de Kai Waho oferecida por Tom Loughlin é baseada em Tamau Pā, com vista para a megaerupção do vulcão Taupo de 27 mil anos
  • Grupos de duas a quatro pessoas desfrutam de culinária tradicional, pesca de enguias, caminhadas, observação de pássaros e caça – todos regidos por um princípio de sustentabilidade -, além da simples alegria de observar um céu noturno sem poluição
  • A respeito da experiência, Loughlin diz: “É sobre a ancestralidade e conexão, os valores que todos compartilhamos uns com os outros e com a terra. Ficamos concentrados em aprender juntos”
  • A família de Robert MacDonald vive em Waimarama, na costa leste da Ilha Norte, há mais de sete séculos, antecipando a presença europeia em centenas de anos
  • Com essa herança em mente, a premiada Waimarama Māori Tours se concentra em preservar as histórias transmitidas através das gerações, compartilhando-as com os visitantes
  • Uma das excursões em Waimarama é chamada “Um dia na vida de um ancião Māori”, que segue a rotina diária de MacDonald, incluindo atividades como a visita à pequena escola local ou um almoço em sua casa

O que fazer depois da sua imersão cultural

Há sempre algo a mais para se explorar.


Whanganui
No místico rio Whanganui é possível remar, viajar de barco a vapor, jetboat ou acompanhar seu curso sinuoso de bike. A histórica Durie Tower and Elevator oferece uma excelente vista panorâmica dos muitos edifícios vitorianos e eduardianos da cidade, incluindo a Wanganui Opera House. Mas a maior atração aqui é a cena artística. Mais de 400 artistas e artesãos mostram suas obras no armazém urbano Sarjeant, em uma antiga olaria e em uma fábrica de lã desativada. O mercado semanal de River Traders, à beira do rio, é um ótimo lugar para comprar iguarias locais.

Taupo
O lago Taupo é do tamanho de Cingapura. Tem como pano de fundo montanhas cobertas de neve durante a maior parte do ano, incluindo a Montanha da Perdição de O Senhor dos Anéis (Mt Ngauruhoe, na verdade). É também um dos melhores destinos da Nova Zelândia para aficionados em adrenalina. É possível chegar bem perto de uma parede de água que corre através de um desfiladeiro, ou saltar de um avião a 4.500 metros. Acrescente um salto de bungy jump de uma plataforma no topo de um penhasco, 47 metros acima do rio Waikato, e uma queda livre cuja descarga de adrenalina certamente durará uma vida inteira. Os mais tranquilos podem mergulhar em piscinas termais, caminhar ou andar de bicicleta em torno do lago ou simplesmente comer, beber e fazer compras.

Napier  
Napier é a capital art déco da Nova Zelândia (e uma das capitais do mundo) – uma visão impressionante de prédios bem conservados erguidos após um terremoto devastador ocorrido em 1931. Muitos visitantes se vestem com roupas da época, para combinar com a arquitetura. Napier também é uma região vinícola; alguns dos rótulos mais conhecidos do país são produzidos aqui. Agende um tour pelos vinhedos ou pedale entre as vinícolas. Compre produtos da Napier Urban Farmers’ Market para combinar com seu vinho e fazer um grande piquenique junto ao mar. Não se esqueça de adicionar um donut viciante com recheio de creme ou geleia de chocolate da Mister D. Mais tarde, visite o National Aquarium of New Zealand, situado à beira-mar, que possui a maior e mais diversificada variedade de animais aquáticos do país. Nade com tubarões e, em seguida, alimente um cardume de piranhas famintas.

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

Avalie esta notícia:
0 Comentário

Sorry, the comment form is closed at this time.

Leia a Edição

Edições Anteriores

Confira os destaques

Nenhuma matéria foi encontrada.

×