Segunda Feira, 09 de dezembro de 2019

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Encontro com Iemanjá pode virar patrimônio imaterial de BH

A festa para a rainha das águas, que acontece na capital mineira em agosto, está em vias de reconhecimento como patrimônio imaterial pelo Conselho Deliberativo de Patrimônio Cultural de Belo Horizonte

O 2 de fevereiro dos mineiros cai em agosto. Sim, a festa para Iemanjá, em Belo Horizonte, por causa do sincretismo religioso, é realizada todos os anos em agosto, sempre próximo ao dia 15, quando é celebrada Assunção de todas as Nossas Senhoras e de Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira da capital mineira. Este ano, a tradição que está completando 61 anos, será festejada no dia 17 de agosto (a partir das 18h30, na Lagoa da Pampulha, em frente à Estátua de Iemanjá) e terá uma carreata saindo da Praça da Estação, às 17 horas (concentração a partir das 15 horas, em frente ao Centro de Referência da Juventude, Rua Guaicurus nº 50).

A carreata já era um movimento que os antigos zeladores participantes dos festejos faziam entre as décadas de 1970 e 1990, e agora acontecerá novamente para comemorar a novidade que contribuirá ainda mais para reforçar a importância do evento: o Encontro com Iemanjá poderá ser decretado patrimônio imaterial da cidade pelo Conselho Deliberativo de Patrimônio Cultural de Belo Horizonte.

“Esta chancela para a festa de Iemanjá, assim como para a festa dos Pretos-Velhos, que acontece no bairro da Graça, em Belo Horizonte, dará mais proteção às manifestações públicas dos povos de terreiro (como são chamados os grupos ligados às comunidades de matriz africana)”, explica Ricardo de Moura, o Pai Ricardo da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, que é um dos organizadores das duas festas. A afirmação de Pai Ricardo se deve aos riscos que os povos de terreiro sofrem por conta das agressões e diversas formas de discriminação aos centros de Umbanda e Candomblé por parte de integrantes de outras religiões.

Durante a concentração, a partir das 15 horas, no Centro de Referência da Juventude, haverá apresentações de capoeira e batuques do Grupo de Percussão Olubatá. Na orla da lagoa, assim que chegar o cortejo, por volta de 18h30, haverá apresentação da Cia Motumbá & Sérgio Diaz, com participação especial de Luiz Di Novais.

Campanha de solidariedade e fé

O evento é gratuito, mas os participantes poderão trocar um quilo de alimento não perecível (exceto sal e fubá) por um ojá (pano de cabeça das mulheres no ritual das religiões de matriz afro-brasileira). O objetivo é arrecadar alimentos para serem doados para entidades beneficentes, principalmente creches, asilos e grupos e casas em situação de vulnerabilidade já assistidos pelos centros de Umbanda participantes do evento.

Ritual

A cerimônia de abertura começará às 19h30, com a entonação do hino da umbanda, defumação, a pemba, lavagem das escadarias, entrega das flores, e a entrega dos barcos e presentes a Iemanjá, tudo ao som dos atabaques. Após a cerimônia de abertura, os terreiros darão início à suas giras, que darão passes nos participantes. Tudo gratuito. É só chegar e participar.

Ojás

 Os ojás já estão disponíveis nas lojas de artigos religiosos em Belo Horizonte:

-Casa da Umbanda: Rua Goitacazes, 747, Centro, BH;
-Casa Arco Iris: Av. Augusto de Lima, Lj. 182, Mercado Central, Centro, BH;
-Dama da Noite Ateliê: Rua Goitacazes, 767, Centro, BH;
-Loja Tira Teima: Av. Augusto de Lima, 744, Lj. 267, Mercado Central, BH

Sincretismo religioso e preservação ambiental

Embora a festa de Iemanjá esteja programada este ano para o dia 17, sábado, a data de referência em Belo Horizonte é o dia 15 de agosto (e nas cidades litorâneas do Brasil, 2 de fevereiro) por ser também dia de Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira de Belo Horizonte.

Assim como no ano passado, o local da festa será limpo antes e depois da festa. “Vamos varrer tudo antes e depois da festa. Não queremos deixar sujeira, e vamos orientar os participantes para que, coloquem apenas o que a natureza consome, resíduos e embalagens de plástico, vidros e outros devem ser descartados nas lixeiras. A Umbanda é natureza, temos que preservar o ambiente onde estivermos. Queremos divulgar a expressão de nossa religiosidade e cultura, quebrando preconceitos”, conclui o presidente da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, Ricardo de Moura.

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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