Quinta Feira, 14 de novembro de 2019

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Os pinguins amarelos chegaram a Santa Cruz, Argentina

O pinguim de Penacho Amarelo é uma espécie única que chega todo mês de outubro às margens de Puerto Deseado, em Santa Cruz.

A (Isla Pingüino) “Ilha dos Pinguins” é o lugar que essa espécie escolhe para reproduzir e nidificar, em um ambiente único de preservação, povoado por uma variedade imensurável de fauna marinha. Centenas de turistas chegam todos os anos, pois é o único lugar no Hemisfério Sul onde você pode vê-lo de tão perto, chegando desde o continente.

A cidade  magalhânica  de Puerto Deseado, está localizada no extremo leste da Província de Santa Cruz, 292 quilômetros ao sul de Comodoro Rivadavia e 736 quilômetros ao norte de Río Gallegos. Possui uma Ría muito rica numa variedade de fauna marinha e sua paisagem é representativa da diversidade geográfica que pode ser encontrada ao longo dos quase mil quilômetros da costa de Santa Cruz. Águas frias, azuis e profundas, o mar infinito no horizonte inatingível e baías cautivantes, penhascos e capas, emolduram esse destino turístico na costa da Patagônia.

A 20 quilômetros ao sul desta cidade, por via marítima, você chega à Ilha Pinguin: um emergente rochoso de origem vulcânica que data de mais de 150 milhões de anos atrás (período jurássico) e que agora hospeda regularmente aves, lobos e elefantes marinhos e duas espécies de pinguins: o de Magalhães e o de Penacho Amarelo.

É um paraíso para os amantes da natureza e da aventura, já que este lugar pertence ao “Parque Interjurisdicional Marítimo Isla Pingüino”, que concede proteção nacional e provincial: é preservado e pode ser contemplado por contingentes limitados que não alteram a vida das espécies. Isso permite uma coexistência harmoniosa dessas espécies animais, quase em estado virgem.

Uma excursão para os sentidos

A expedição parte da cidade, entra na Ría Deseado, um estuário único que é uma Reserva Natural da Província e na qual convivem pelo menos 34 espécies de aves marinhas e costeiras, para entrar no mar aberto, o Mar da Argentina. Em sua excursão de 40 minutos a bordo de uma embarcação, os visitantes encontram pequenas ilhas onde a fauna marinha da região se apresenta em todo o seu esplendor. Durante a navegação, até três espécies de golfinhos podem se juntar ao contingente, enchendo as águas cristalinas de cores. E até, com alguma sorte, alguns chegam a ver a extraordinária baleia orca.

A razão para essa variedade de fauna marinha deve ser procurada na tranquilidade das águas, na comida abundante e na presença de ilhas onde elas podem se reproduzir e nidificar sem intrusão humana. Apenas saindo ao mar aberto, a península de Chaffers é uma das oito ilhas de pingüins da Ría Deseado e a maior colônia de pingüins, com uma população de até dez mil casais.

Mais adiante, outras ilhas são habitadas em suas costas por leões marinhos de várias idades que não apenas param para se reproduzir, mas também para aprender a moldar seus haréns. Também é comum observar a pomba antártica, que nidifica na Antártica, mas se aproxima  a essas ilhas para se alimentar de fezes de leões marinhos.

O estímulo sensorial que gerou o recorrido reforça a importância da chegada à Ilha Pinguin para os visitantes. Ao descer da balsa, um caminho de pedras cercado por pinguins de Magalhães leva a um penhasco, abaixo do qual estão seus cobiçados primos de Penachos Amarelos. A paisagem rochosa faz o seu caminho, majestosa, propondo-se como um guia natural para conhecer cada espécie que a habita.

Um detalhe que faz os visitantes se apaixonarem é a proximidade que é alcançada com esses animais. Isso ajuda na decisão de que no máximo duas embarcações possam chegar ao local ao mesmo tempo com os turistas, para não invadir ou corroer o ambiente natural.

A travessia dura aproximadamente seis horas e, se o tempo acompanhar e houver interessados, parte diariamente. A possibilidade de fazer caminhadas nos inúmeros caminhos de pedra da ilha complementam uma oferta inigualável de turismo ecológico.

Marcas da história

A Ilha Pinguin foi descoberta, segundo historiadores, pelo corsário inglês Thomas Cavendish em 1578, que batizou a Ria Deseado em homenagem ao seu navio: o “Desire” “Desejo”. Uma Ría  é um braço do mar que entra na costa, um rio costeiro inundado pela elevação do mar. É um acidente geográfico que na Argentina é encontrado apenas nas províncias de Santa Cruz e Buenos Aires.

A ilha Pinguin era conhecida até o século XIX como “Ilha dos Reis”, quando o capitão Villegas de begartín “Belén”, membro da expedição do capitão da fragata Ramón Clayrac, encarregado de despejar os estabelecimentos Inglêses da Patagônia, levantou o mapa da ilha que os ingleses chamavam de Pinguim e que hoje é conhecida por seu nome em espanhol.

Naqueles dias, os navegadores pretendiam encontrar uma passagem interoceânica. A partir desse momento, esta região e esta ilha em particular seriam de vital importância para os viajantes, a fim de estocar alimentos, principalmente ovos de aves e banha, e peles de leões marinhos e pingüins.

A ilha possui um farol que data de 1902 e que atualmente é o ícone mais representativo. No começo, cerca de onze pessoas moravam lá. O farol trabalhou primeiro com querosene, depois com gás acetileno e, posteriormente foi equipado com um sistema elétrico fornecido com painéis solares. Atualmente, está em desuso e, ao lado de algumas ruínas ao redor, é uma das atrações da ilha.

A colônia de pinguins de Penacho Amarelo foi descoberta em 1985, quando foi realizada a primeira viagem de caiaque desde Puerto Deseado. Naquela época, havia aproximadamente 200 casais desses animais; O crescimento foi notável, estima-se que existam atualmente  1200 chegando todo mês de outubro para reproduzir e nidificar.

As Ilhas Malvinas estão a 500 quilômetros da Ilha Pinguin, onde estão as maiores colônias de pingüins do Atlântico Sul. Acredita-se que a colônia da ilha dos pinguins se origine de indivíduos dessas espécies que chegaram precisamente das Malvinas Argentinas.

A aventura de conhecer o “saltarrocas”  “pularochas”

O pinguim de Penacho Amarelo é menor que o pinguim de Magalhães: meio metro de altura e dois quilos e meio de peso. Barriga em preto e branco, tem olhos vermelhos, bico laranja e uma plumagem “punk” amarela única na cabeça, que deriva em seu nome. Habita a área rochosa, onde geralmente se aninha, e viaja neste terreno hostil, escalando e pulando: é por isso que é conhecida como “pularochas”. Ao contrário do que muitos imaginam, é uma espécie tranquila, com a qual os visitantes tendem a ser amigos para vê-la mais de perto. Faz parte de uma das seis variedades dos chamados pinguins-de-crista.

Cada uma das duas espécies habita um setor diferente da ilha: as de Magalhães têm suas colônias na parte mais plana, enquanto os de Penacho Amarelo habitam a área mais rochosa e elevada. Os de Magalhães chegam à ilha em setembro e um mês depois chegam os de Penacho Amarelo.

A temporada para encontrar os pingüins de Penacho Amarelo ocorre entre outubro e abril de cada ano. Eles podem ser conhecidos em seus vários estados vitais: quando as fêmeas chegam, quando os machos chegam, quando aninham seus ninhos com pedrinhas e galhos, quando os filhotes nascem, quando as gaivotas cinzentas sobrevoam.

A excursão à Ilha Pinguin não tem igual,  dizem os turistas que já viveram a experiência, em cujos rostos a emoção, a alegria, a surpresa incontrolável diante de uma explosão da natureza em estado de preservação.

A viagem de volta é carregada  de reflexões. Você aprende a cuidar deles quando são conhecidos. Você aprende a andar devagar para aproveitar cada centímetro e valorizar a contemplação, capturando para sempre um momento irrepetível sem afetar negativamente o seu ecossistema.

redacao@mgturismo.com.br

Agência de Notícias do Turismo, noticiário de MG, do Brasil e exterior em tempo real. O mais tradicional jornal especializado em turismo de Minas Gerais, com circulação ininterrupta desde 1985.

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