Internacional

A outra Europa – Moscou

Texto e fotos de Jairo Peres e Rose Oliveira

Quando alguém fala que vai fazer uma viagem à Europa, logo nos vêm à cabeça os países que serão visitados: França (com Paris sendo a Capital mais visitada da Europa!), Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. Realmente, estes são os Países mais visitados! Entretanto, existem alguns Países, que também fazem parte da Europa, que, embora não tanto visitados e, as vezes, até poucos lembrados, possuem belezas que não ficam atrás de nenhuma no Mundo. É por isto, que estamos falando da Outra Europa: Rússia, Países Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Polônia, República Tcheca, Áustria, Bósnia e Herzegovina e Croácia.

Para se conhecer alguma coisa de um País, é preciso percorrê-lo (preferencialmente de ônibus ou carro!) de norte a sul, conhecer sua História, suas belezas geográficas, sua situação econômica, seu regime politico, além de informações básicas, que irão motivar e informar a outros turistas.

 Foi pensando nisso que resolvemos percorrer alguns desses Países da chamada Outra Europa, de ônibus, através de um pacote turístico de 24 dias, que fizemos com a Operadora de Turismo EUROPAMUNDO. Já havíamos feito cinco viagens com essa Empresa e conhecíamos sua seriedade e compromisso com a programação oferecida. As informações foram todas passadas em Espanhol, idioma que nós, brasileiros, não temos dificuldades de entender.

Nossa viagem começou em Moscou, depois de fazermos uma parada de 6 dias, para visitar amigos, numa cidadezinha próxima a Frankfurt, centro geográfico e comercial de toda a Europa.

Quando se fala na Rússia, especialmente em Moscou, têm-se ideias muito controvertidas sobre essa cidade. Nós sempre a imaginávamos como uma cidade suja, cheia de prédios arruinados, de um povo fechado e desconfiado, aonde a modernidade ainda não chegou e as questões de segurança ainda estão em primeiro lugar nas prioridades do governo. Tais imagens que tínhamos se confirmaram, em parte, e em outras, nos enganamos completamente!

Maravilhosa cidade Moscou, a capital da Rússia! Ela reúne como poucas, o passado, presente e futuro! Entre seus principais atrativos estão suas imensas avenidas, suas elegantes áreas comerciais, a Praça Vermelha (onde se encontra o Mausoléu de Lenin), a Catedral de São Basílio e a Catedral do Cristo Salvador, que mais parecem bolos confeitados. Dentre os vários atrativos, o Museu da Segunda Guerra Mundial que mostra muitos aspectos do período soviético.

Moscou é a maior e mais importante cidade da Rússia, além de ser a capital do país.  Sua fundação é creditada a Yury Dolgoruky, um príncipe da  Dinastia Rurik, do Principado de Kiev em 1147 sendo esta data questionada por alguns historiadores que afirmam que,  provavelmente, foi fundada antes deste ano. Está situada sobre o Rio Moscovo (que significa “águas turvas” e desagua no Rio Volga, o maior do País) e foi o centro do chamado Bloco do Leste. A Capital também é a sede do Kremlin, uma antiga fortaleza que é hoje a residência oficial do Presidente Russo e sede do poder executivo do País. O Kremlin é também um dos vários Patrimônios da Humanidade, na cidade. A palavra Kremlinsignifica Fortaleza e existe em várias cidades da Rússia, constituindo-se em sedes dos governos estaduais e municipais de diversas regiões.

Com uma população de aproximadamente 12,3 milhões de habitantes, (e mais de 4.000.000 milhões, na Grande Moscou) a cidade é o centro econômico, político, cultural, científico, religioso, financeiro, educacional e de transportes da Rússia e do continente. É a megacidade mais ao norte na Terra, a segunda cidade mais populosa da Europa, atrás de Istambul, e a sexta cidade mais populosa do mundo, ficando atrás somente de Xangai, Istambul, Pequim, Bombaim e Carachi.  Moscou tem a segunda maior comunidade de milionários domundoA população da Rússia é hoje, aproximadamente, 147 milhões de habitantes.

 É servida por uma extensa rede de trânsito, que inclui quatro aeroportos internacionais, nove terminais ferroviários e uma das maiores redes de metrô  do mundo, que perde apenas para Tóquio em termos de número de passageiros. É reconhecido como um dos marcos da cidade, devido à arquitetura rica e variada de suas 185 estações, que são pontos turísticos e de visitação obrigatória de todos turistas. Moscou é uma cidade onde as construções antigas convivem muito bem com enormes e modernos arranha-céus, tirando de nós aquela antiga impressão de cidade que parou no tempo. Entretanto, ainda vive obcecada com questões de segurança, levando-nos aos tempos da antiga União Soviética. Em todos os prédios e locais públicos existem os controles de bolsas e maletas, exatamente como nos grandes aeroportos. Até nos hotéis, essa prática é utilizada! Destacamos também, a comunicação dos turistas pois, apesar da realização da Copa do Mundo na Rússia, fora dos hotéis poucas pessoas falam Inglês tornando as comunicações complicadas  e nada fáceis e para dificultar mais ainda, o Alfabeto Cirílico usado no País complica ainda mais o entendimento das informações. 

Moscou nos tempos contemporâneos – De Ivan III (século XV) até o século XIX, a cidade de Moscou, bem como toda a Rússia, passou por um longo processo de evolução. Consolidou-se como força política e econômica da região, sendo que o Império Russo formou-se a partir de vários conflitos liderados pelos czares (imperadores). A partir de 1712, Moscou deixou de ser a capital do Império Russo por determinação do czar Pedro I, que transferiu a capital para a recém-fundada São Petersburgo. A economia da Rússia, hoje, está assentada em uma quantidade enorme de fábricas e exportação de produtos básicos, como petróleo, gás natural, ouro, diamantes, etc. A religião predominante do País é a Ortodoxa, com milhares de Igrejas espalhadas por todo o País. Existem outras religiões também, porém, em menor número e representatividade. Dentro do Kremlin existem diversas Catedrais, dentre elas três bastante importantes, na época dos Czares: uma delas, dedicada aos nascimentos e batismos, outra, dedicada aos casamentos da nobreza, coroações e outras festividades formais e, ainda, uma terceira Catedral, dedicada aos ofícios de morte e enterros da alta nobreza da Rússia.

A Praça Vermelha, de tristes lembranças durante o período soviético, é conhecida como Praça do Povo (ou dos Pobres) e Praça do Mercado, e onde está a Catedral de São Basílio, a Igreja mais bonita que conhecemos.

Continuando nossa viagem em direção ao norte da Rússia, passamos pela pequena cidade de Klin, onde viveu o maior e mais famoso compositor russo e um dos maiores do mundo: Tchaikowski. Conhecemos a casa onde viveu este compositor, ao som de maravilhosas músicas compostas por ele.

Ainda nos dirigindo ao norte, passamos pela cidade de Tver, as margens do Rio Volga  e que, já tendo sido o centro de um pequeno Estado nos tempos medievais, era uma das principais rivais de Moscou. Nesta cidade localiza-se um dos grandes palácios da mais famosa Imperatriz Russa: Catarina – a Grande, cujo nome é até hoje reverenciado no País.

Em nossa jornada rumo ao norte, passamos então pela pequena cidade de Valday (mais ou menos 15.000 habitantes) onde está localizado o imenso e maravilhoso Monastério de Valday, do século XVII, muito bem conservado, com magnificas tapeçarias e pinturas, construído à beira de um lago, numa região cercada de rios e lagos.

À tardinha, chegamos a cidade de Novgorod, apaixonante cidade do norte da Rússia, que foi um dos centros culturais e políticos do País, e que fazia parte da Liga  Hanseática (uma espécie de Associação) da Europa, aquelas cidades europeias que mantinham o monopólio comercial sobre todo o norte da Europa e que abrangia mais de 100 cidades, sendo as principais Novgorod, Reval, Luebeck, Hamburgo, Brugges, Londres e ligadas as esferas comerciais de Veneza e Genova, no sul da Europa.

Com os descobrimentos marítimos de Portugal e Espanha e, sobretudo, a descoberta da América e a descoberta do caminho marítimo para a India nos séculos XV e XVI a Liga Hanseática entrou em declínio e desapareceu no século XVII. Os Monumentos de Novgorod foram declarados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Ali conhecemos o Kremlin (Fortaleza) da cidade, a Catedral de Santa Sofia, o antigo bairro do Mercado, a corte de Yaroslav, além do Museu de Arquitetura em Madeira, localizado fora da cidade, um museu ao ar livre, com construções e moradias de agricultores e bonitas igrejas, tudo muito bem decorado e conservado, mostrando a forma de vida, na época.


SÃO PETERSBURGO

Bem ao norte da Rússia encontra-se aquela que é a segunda maior cidade do País: São Petersburgo. A cidade possui mais de 5 milhões de habitantes e foi fundada sobre 40 ilhas, pelo grande Imperador Pedro I, há mais de 300 anos e é atravessada pelo Rio Neva. Foi a Capital Imperial nos séculos XVII e XVIII e é conhecida como “A Veneza do Norte”, por ser toda recortada de canais. Centenas de Palácios e Palacetes margeiam estes canais. Destes, os mais famosos e conhecidos são o Museu Hermitage, com uma das maiores coleções dos grandes pintores e escultores de toda a Europa e o Oriente (mais de 2 milhões e meio de obras de arte!) e o Palácio de Verão, colado ao Hermitage e residência de verão da Imperatriz Catarina a Grande.

Museu Hermitage e Palácio de Verão

Visitamos também o imenso conjunto arquitetônico e que compõem a Fortaleza de Pedro e Paulo. Foi esta fortificação que deu origem à atual cidade de São Petersburgo. Sua construção foi feita por determinação do Czar Pedro, o Grande, com a finalidade de defender esta região dos ataques das tropas suecas, que dominavam o Mar Báltico, durante a Grande Guerra do Norte (1700 – 1721). Durante muitos anos suas instalações foram utilizadas como prisão política. O centro do conjunto da antiga fortaleza é a Catedral de São Pedro e São Paulo.  Este templo tem sido o local de sepultamento dos imperadores russos desde o tempo do Czar Pedro, o Grande.

Durante nossa permanência em São Petersburgo, tivemos uma visita guiada ao Peterhof Palace, conhecido como o “Versalhes Russo”, localizado a 30 km de São Petersburgo. Peterhof, queoriginalmente em alemão significa “Corte/Jardim de Pedro” é um conjunto de palácios e jardins, distribuídos sob as ordens de Pedro o Grande, com vistas para o Golfo da Finlândia, um braço do Mar Báltico.

Assim como todo o Centro Histórico de São Petersburgo, o Palácio Peterhof faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO. A maior e mais bonita fonte de todo o parque, A Grande Cascata, prolonga-se por um grande canal, o Canal do Mar, até ao  Mar Báltico. Ao longo dos vários hectares de parque, o Peterhof tem mais de cento e vinte fontes, todas elas de grande beleza e imponência. Todo o conjunto merece uma visita atenta, tanto pelo luxo dos interiores como pela magnificência do parque. Todos os dias, exatamente às 11 horas da manhã, as fontes do Palácio começam a jorrar agua, sob a magnifica música de Tchaikowski. É um espetáculo magnifico e que vale a pena ver.

Abaixo algumas fotos da cidade: