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Agostinho Patrus abre CPI para investigar supostas fraudes na vacinação contra a covid-19 em Minas

Mais de 800 servidores teriam sido vacinados sem divulgação; parlamentares cobram mais transparência da Secretaria de Estado de Saúde

O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Agostinho Patrus (PV), aprovou, nesta quinta-feira (11/3), requerimento assinado por 39 deputados para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar denúncias de fraude na vacinação contra a covid-19 em Minas Gerais.

As reuniões da CPI devem começar já na próxima semana, após a definição dos membros da comissão pelos blocos parlamentares. Nos próximos quatro meses, os deputados investigarão a operacionalização da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Covid-19 no Estado, em especial porque 806 servidores da Secretaria de Estado de Saúde teriam, supostamente, furado a fila de imunização, prejudicando a vacinação de grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como idosos e pessoas com comorbidades.

“A Assembleia cumprirá o seu papel de fiscalização e, por meio da CPI, investigará as suspeitas e ouvirá o depoimento de cada uma das pessoas envolvidas. Saber que alguém possa ter passado à frente de outras pessoas prioritárias [na fila de vacinação] deixa a sociedade mineira, a população de Minas Gerais indignada”, afirmou o presidente Agostinho Patrus em entrevista coletiva à imprensa.

Além disso, os parlamentares investigarão o baixo investimento do Estado nos serviços públicos de saúde, em especial na ampliação de leitos para o enfrentamento da doença. Por lei, o Estado deve destinar 12% da arrecadação de impostos para a área. Em 2020, mesmo com a pandemia, Minas Gerais foi o Estado brasileiro que menos investiu na saúde, apenas 10,57%, segundo dados do próprio governo.

Enquanto isso, a contaminação e os óbitos pelo novo coronavírus mais do que dobraram em Minas Gerais, em 2021, na comparação com o período entre o fim de 2020 e o pico da primeira onda, em junho. De acordo com a média diária, as mortes no Estado subiram de 54 para 115 pessoas por dia, chegando a uma vida perdida para a covid-19 a cada 12 minutos.

“Vamos investigar a fundo esses que se entendem privilegiados e passaram à frente dos demais na vacinação. Neste momento de pandemia, isto é um crime dos mais graves. Penso naqueles que ainda precisam ser vacinados, que gostariam de estar abraçando os seus parentes, mas que, infelizmente, estão doentes. Isto é algo absurdo”, declarou Agostinho Patrus.

Crédito (fotos): Luiz Santana e Victor Oliveira/ALMG