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Alta do visto EB-5 leva brasileiros a diversificarem investimentos nos EUA

Três meses após o aumento da cota de investimento mínimo de US$ 500 mil para US$900 mil dólares, brasileiros estão buscando alternativas para diversificar investimentos ‘made in Brazil’ nos EUA. Novo cenário exige aposta em projetos menores e com rentabilidade mais rápida, avaliam especialistas em investimentos internacionais.

Desde o dia 21 de novembro do ano passado o valor para investimento no visto EB-5 nos Estados Unidos subiu. Brasileiros que perderam o prazo para aplicação antes do aumento estão agora em busca de novas possibilidades para garantir o retorno do investimento em dólar. É que afirma o especialista em investimentos internacionais, Nilo Mingrone, que dirige a ATM Club — uma incorporadora de investimentos em caixas eletrônicos nos Estados Unidos que detectou aumento na procura por investidores já em janeiro deste ano.

“Estamos no Brasil para apresentar esta modalidade não tão usual de investimentos para os brasileiros. É muito comum que, ao tentar investir, os brasileiros sigam uma determinada tendência. Mas, como vimos com inúmeras marcas de açaí e até restaurantes, às vezes não seguir a tendência é fundamental para obter o sucesso”, afirma Mingrone que também é Co-autor do livro “Investimentos no Brasil – Aspectos Legais”.

Menos é Mais

A alta do visto EB-5 não foi a única razão para que os brasileiros procurassem investimentos menores. A rentabilidade também foi um fator fundamental. Francisco Moura, também Diretor da ATM Club e especialista em investimentos internacionais, explica que o EB-5, tradicionalmente, é usado para obtenção do documento de residência permanente, o Green Card, contudo, recomenda que quem deseja investir, de fato mirando na rentabilidade, deve procurar outras alternativas.

“Muitos investidores brasileiros aproveitam este momento de férias em que visitam os EUA para compreender melhor o cenário de investimentos possíveis. Muitos dos brasileiros que nos procuram na ATM Club teve intenção de apostar no EB-5, mas a partir de uma análise mais criteriosa sobre a intenção do investimento, a gente consegue mapear o que trará mais rentabilidade. O importante, para a maioria, é encontrar uma forma de seguir tendo retorno em dólar para o investimento”, explica Francisco Moura.

O especialista conta que sua própria história de investimentos nos Estados Unidos o fez iniciar o trabalho de suporte a outros brasileiros. “Acabou a fase de investir apenas em restaurantes e franquias de açaí. É preciso procurar outras oportunidades e ser criativo. Em meu caso, optei, pioneiramente por investir no segmento de caixas eletrônicos, um investimento antes sequer cogitado por brasileiros. Não seguir a tendência é fundamental para obter o sucesso”, afirma.

Retorno a cada saque

A ATM Club — ou o clube de caixas eletrônicos ao qual se refere Moura vendeu US$ 2 milhões de dólares em 2019 e prevê um crescimento ainda maior para este ano. A geração de empregos nos Estados Unidos também está prevista e o projeto prevê a expansão para outros estados americanos ainda este ano. “Nossa missão tem sido tornar esta e outras modalidades de investimento nos Estados Unidos mais conhecidas no Brasil”, pondera Francisco Moura.

Estudo recente divulgado pelo Itamaraty mostrou que existem quase 10 mil micros e pequenas empresas de origem brasileira nos Estados Unidos. Um movimento que, segundo Francisco Moura, acaba sendo inevitável para alguns investidores brasileiros que acabam conhecendo as vantagens do mercado americano.

“O mercado americano é um oceano de possibilidades a investidores brasileiros que buscam proteger seus patrimônios em um mercado sólido com uma moeda forte como o dólar. Sem a orientação adequada é fácil se afogar nesta jornada. Em tempos de digitalização e tecnologia era de se supor que o mapa geral de investimentos também sofresse alterações”, explica o Diretor da ATM Club, Nilo Mingrone.

Mudança em Números

Dados do Mapa Bilateral de investimentos Brasil X EUA, divulgados pela Apex, mostraram que o estoque de investimentos oriundos do Brasil pulou de US$ 9 bilhões para mais de R$ 42 bilhões em 10 anos e empresas nacionais que se arriscaram na bolsa dos EUA levantaram acima de US$ 5 bilhões desde 2017. A criatividade brasileira nunca foi tão bem-vinda no mercado americano. Brasileiros que apostam em tecnologia, inovação e empreendimentos ‘fora do comum’ estão em alta nos Estados Unidos.

Outras empresas tupiniquins testaram seu sucesso na concorrida Bolsa de Valores americana. Desde 2018, dez companhias nacionais, a maioria ligada ao ramo tecnológico, como as redes de pagamentos PagSeguro e Stone e a empresa de sistemas de educação Arco, abriram seu capital nos EUA. Esses movimentos fizeram com que, nos últimos 3 anos, as companhias nacionais levantassem o valor histórico de US$ 5,3 bilhões em solo americano, conforme dados do Citi Brasil.