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Apenas um em cada sete empresários conseguiu usar linhas de crédito na pandemia

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Levantamento realizado pelo Sebrae e FGV também comprova a mudança de comportamento dos empresários durante a crise

(Crédito: Divulgação)

A pandemia do novo coronavírus afetou a economia e os negócios brasileiros diretamente. Com os comércios fechados, os micro e pequenos empresários precisaram se adaptar e tentaram buscar linhas de crédito para continuar em funcionamento. Cerca de 6,7 milhões deles procuraram por empréstimos bancários, mas apenas um milhão conseguiu ter o crédito liberado desde o início do isolamento social, de acordo com levantamento feito Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas entre abril e junho. 

“Nos países desenvolvidos existem políticas de crédito a juros zero, porque os pequenos negócios são essenciais para o funcionamento do sistema econômico. No Brasil, o crédito continua caro e burocrático. A cada sete pequenos negócios que buscam empréstimo em banco, só um consegue. Elas são 99% das empresas e respondem pela maior parte dos empregos. Em tempos de pandemia, a prioridade deveria ser manter as empresas vivas. Se não socorrermos as empresas que precisam de crédito, não vai haver empresa para voltar a produzir e não sairemos desta crise tão cedo”, explica Carlos Melles, presidente do Sebrae.

Segundo o estudo, a causa mais comum da negação de crédito são as restrições encontradas no CPF dos empresários, que correspondem a 19% das negativas recebidas pelos entrevistados. Nessa mesma linha, a negativação do CADIN/Serasa também foi citada por 11% dos participantes. A falta de garantias ou avalistas também foi apontada em 11% das conversas realizadas no estudo, que ouviu 7.703 donos de pequenos negócios de todos os 26 estados e do Distrito Federal.

A pesquisa também mostrou que, além da dificuldade em conseguir uma linha de crédito, o endividamento das empresas variou de 33% para 41% entre a primeira semana de maio e o início de junho. Para 87% dos micro e pequenos empresários, o coronavírus impactou diretamente no faturamento do negócio quando o isolamento começou.

Entretanto, a retomada gradual e as adaptações na forma de operar trouxeram mudanças. Nesse levantamento, o faturamento médio estava 55% abaixo do normal, enquanto na edição anterior do estudo era apontado como 69% menor do que o registrado normalmente. 

Mudanças

Em cursos e palestras, o Sebrae já havia avisado que os empresários teriam de se adaptar ao online para conseguir manter seus negócios funcionando em meio à crise e, ainda, não correr riscos de fechá-lo antes que a crise sanitária termine. Agora, são 59% dos empreendedores inseridos no ambiente virtual, sendo que, antes da crise, esse percentual era de 47%. De acordo com a pesquisa, o WhatsApp é o principal meio de venda pelas redes sociais, seguido pelo Instagram e pelo Facebook.Entre os empreendedores ouvidos, a expectativa de volta à normalidade passou de março de 2021 para julho de 2021. Sendo assim, para conseguir manter os negócios funcionando, novas estratégias deverão ser colocadas em prática, como participar de um curso de administração de empresas, para conhecer melhor as formas de gerir uma crise sem que grandes traumas financeiros atinjam a empresa.