Brasileiros com carreira no Canadá avaliam os EUA como próximo passo migratório

Mercado de trabalho, expansão de negócios, educação dos filhos e proximidade com o Brasil estão entre os fatores considerados por brasileiros que vivem no Canadá e avaliam uma mudança para os Estados Unidos.

02 Out 2026 - 18:53
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Brasileiros com carreira no Canadá avaliam os EUA como próximo passo migratório
Tati Rainer, brasileira que vive no Canadá há quase 15 anos.

Depois de construir carreira e vida no Canadá, alguns brasileiros começam a considerar os Estados Unidos como uma possível nova etapa de sua trajetória profissional e familiar. Entre os fatores avaliados estão mercado de trabalho, expansão de negócios, custo de moradia, educação dos filhos, clima e maior facilidade de deslocamento para o Brasil.

Um desses casos é o da brasileira Tati Rainer, que vive no Canadá há quase 15 anos. Depois de construir carreira executiva no país, ela fundou uma empresa de posicionamento profissional e iniciou, junto ao Murtaz Law, a avaliação de um projeto migratório para os Estados Unidos.

Carreira e negócios aproximam profissionais dos Estados Unidos

Tati conta que os Estados Unidos não estavam entre suas primeiras opções quando deixou o Brasil. Ela foi para Vancouver em 2009 para estudar inglês e retornou definitivamente em outubro de 2011, quando conseguiu uma oportunidade profissional no Canadá.

“Quando eu decidi sair do Brasil, os Estados Unidos não eram uma opção para mim. Eu tinha aquela percepção de que seria muito mais difícil imigrar para lá. Vim para Vancouver em 2009 para estudar inglês, me apaixonei pela cidade e, quando voltei definitivamente em outubro de 2011, consegui uma oportunidade profissional no Canadá. Naquele momento, parecia o caminho mais natural”, conta Tati.

Atualmente, além de ser mãe de dois filhos, ela atua como estrategista de posicionamento de carreira e LinkedIn Expert, auxiliando profissionais e executivos com currículo, presença no LinkedIn e preparação para entrevistas. Segundo Tati, aproximadamente 90% de seus clientes estão nos Estados Unidos.

“Quando comecei a direcionar meu negócio para o mercado americano, percebi uma mudança muito grande. Existe uma abertura maior para serviços de coaching, há um mercado muito maior e também mais oportunidades de relacionamento profissional e participação em eventos. Estar fisicamente nos Estados Unidos pode representar uma expansão importante para o meu negócio”, afirma.

Planejamento familiar também pesa na decisão

A possibilidade de mudança também envolve o futuro dos filhos e a proximidade com o Brasil. Para Tati, morar nos Estados Unidos poderia ampliar as opções de educação, carreira e experiências para as crianças, além de facilitar os deslocamentos da família.

“Hoje pensamos principalmente no futuro dos nossos filhos. Queremos ampliar as possibilidades de educação, carreira e experiências que eles poderão ter. Também pesa muito a proximidade com o Brasil. Depois de tantos anos vivendo fora, a facilidade de ter voos mais diretos e reduzir o tempo de deslocamento faz diferença para uma família com crianças”, explica.

Cidadania canadense pode abrir possibilidades específicas

Segundo Murtaz Navsariwala, advogado americano de imigração e fundador da Murtaz Law, a cidadania canadense pode trazer vantagens específicas em determinadas situações, mas não garante acesso automático à residência permanente nos Estados Unidos.

Um dos exemplos citados pelo advogado é o status TN, disponível para determinados profissionais cidadãos do Canadá e do México que exercem ocupações previstas no acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá, o USMCA. A categoria permite trabalho temporário nos Estados Unidos quando os requisitos aplicáveis são atendidos.

“Ter cidadania canadense pode abrir possibilidades que não estariam disponíveis da mesma forma para um profissional apenas com nacionalidade brasileira, como o TN em determinadas ocupações. Mas isso não significa que exista um caminho automático para o green card. São análises diferentes e cada categoria possui requisitos próprios”, explica Navsariwala.

Experiência profissional acumulada também pode ser considerada

Além da nacionalidade, a trajetória profissional construída no Canadá também pode ter relevância em processos migratórios. Promoções, cargos de liderança, crescimento empresarial, publicações, pesquisas, palestras, participação em projetos, prêmios e reconhecimento profissional podem, dependendo das circunstâncias, integrar a documentação analisada em categorias baseadas em qualificação profissional, como EB-1A, EB-2 NIW e O-1A.

“O profissional não começa do zero quando decide avaliar os Estados Unidos. Toda a carreira construída anteriormente pode ser importante. O que fazemos é analisar essa trajetória, os objetivos da pessoa e as categorias previstas na legislação para entender se existe uma estratégia possível e qual seria a mais adequada para aquele caso”, afirma o advogado.

Navsariwala ressalta, porém, que ter construído uma carreira sólida no Canadá ou possuir cidadania canadense não substitui os requisitos exigidos pela legislação americana.

“Uma carreira sólida no Canadá e a cidadania canadense podem ser elementos importantes, mas nenhum deles substitui os requisitos da legislação americana. Não existe uma solução única para todos. É necessário analisar formação acadêmica, profissão, experiência, histórico profissional, objetivos familiares, situação migratória e a categoria pretendida antes de definir qualquer estratégia”, afirma.

Para Tati, conhecer essas possibilidades mudou sua percepção sobre uma eventual mudança para os Estados Unidos. O Canadá, segundo ela, continua sendo uma parte fundamental de sua trajetória, mas não necessariamente precisa ser o destino final.

“Eu construí minha vida no Canadá e sou muito grata por tudo o que vivi aqui. Mas também acredito que precisamos aproveitar as oportunidades conforme a nossa vida muda. Hoje, para nossa família, os Estados Unidos representam a possibilidade de expandir o negócio, oferecer mais opções para nossos filhos e ficar mais conectados ao Brasil”, afirma.

Redação Jornal MG Turismo

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