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Comércio do G-20 tem maior queda no 1º trimestre desde 2017, diz OCDE

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Comércio do G-20 tem maior queda no 1º trimestre desde 2017, diz OCDE
(Crédito: Divulgação)

O primeiro trimestre do ano teve o pior resultado financeiro do comércio entre as 20 maiores economias do mundo – incluindo o Brasil –, o G20, desde 2017. O resultado significativamente mais baixo se deu por conta das medidas de combate ao coronavírus. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, as quedas no rendimento de importação são de 3,9% e de exportação, 4,3%. A tendência para os resultados do mês de junho, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é uma queda ainda maior.

“As medidas de contenção da Covid-19, introduzidas em muitos países em março, atingiram fortemente o comércio de mercadorias do G-20 no primeiro trimestre de 2020”, explicou a OCDE sobre as quedas. O grupo teve reunida a soma de vendas em US$ 3,451 trilhões e de compras em US$ 3,468 trilhões no trimestre.

Um dos piores resultados foi o da China, país que exerceu medidas de isolamento mais drásticas até o momento. As importações do país foram 7% menores e as exportações, 9,3%. Já a União Europeia apresentou os números menos afetados, com 2,4% de queda nas compras e 3,5% nas vendas.

Os outros países da Ásia, como Japão, Índia e Arábia Saudita, tiveram, respectivamente, as exportações com decrescência de 4%, 9,2% e 10,2%. A Coreia foi o único país da região que teve vendas positivas. “O comércio manteve-se razoavelmente bem na Coreia (as exportações aumentaram 3,3%, enquanto as importações recuaram 1,2%), embora com considerável volatilidade durante o trimestre, refletindo perturbações nas cadeias de suprimentos asiáticas após o surto inicial da epidemia na China”, considerou a OCDE.

As exportações da Austrália foram derrubadas em 3,7%, um reflexo do ritmo mais lento dos países asiáticos com quem firma parcerias. Ao mesmo tempo, as vendas da Rússia, pelo mesmo motivo que as da Arábia – o colapso no preço do petróleo –, cederam 9,9%.

França, Itália e Reino Unido relataram quedas de 7,1%, 4,9% e 7,8%, respectivamente, enquanto as importações cederam 7,0%, 5,6% e 6,5%. Dentre os europeus, se destaca positivamente a Alemanha, que teve desempenho ligeiramente melhor do que outras economias da União Europeia, com as vendas caindo 3,5% e as compras, 2,4%.

No Canadá e nos Estados Unidos, as vendas recuaram 4,2% e 1,9%, respectivamente, mas as exportações do México tiveram um pequeno aumento de 1%.

“O Brasil, que foi inicialmente menos exposto no primeiro trimestre de 2020 ao surto de Covid-19 do que a maioria das outras economias do G-20, resistiu à tendência geral, com exportações e importações subindo ligeiramente (0,9% e 2,8%)”, apontou a entidade. Vale lembrar que o país aderiu às medidas de isolamento no meio do trimestre, o que pode explicar os resultados mais sustentados.

Cabe agora, com a América Latina sendo o novo epicentro do coronavírus, puxada pelo Brasil, aos formados na faculdade de Relações Internacionais traçar estratégias, para que o comércio brasileiro possa usufruir neste trimestre da relação com os países da Europa que já percebem significantes recuperações, e não sofrer quedas ainda mais comprometedoras, já que o Brasil, entre todos os integrantes do G-20, costuma ser o menos aberto ao comércio internacional. Enquanto a média mundial em 2019 equivalia a mais de 40% do PIB em transações externas, o país marcava 20%.