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Confira a entrevista com o líbero Maique do Fiat/Minas

Confira a entrevista com o líbero Maique do Fiat/Minas

Nova rotina de treinos, muitos desafios superados e foco total no futuro e em novas conquistas. Esses são alguns dos pontos destacados pelo jovem líbero Maique, do Fiat/Minas, na Entrevista da Semana. O jogador minastenista, que é campeão da Copa do Mundo 2019, campeão do Sul-americano 2019 e vice-campeão do Mundial 2018, todos pela seleção brasileira, relembrou o início da carreira, quando teve que superar adversidades e preconceitos; contou como tem sido os treinos durante a quarentena, devido à pandemia de covid-19; e comentou o que espera para o futuro na sua carreira e a busca pelo sonho de ser um jogador olímpico. O jogador também responderá outras perguntas em uma live no instagram @mtcvolei, nesta sexta-feira (8/5), a partir das 20h.

Assessoria de comunicação  Como tem sido os treinos e atividades em casa? Tem cuidado da alimentação? O que é possível fazer para estar próximo de um dia a dia de treino normal?

Maique – A rotina de treinos em casa tem mudado bastante. Não se compara à rotina que a gente tinha treinando todos os dias e jogando, mas eu tento me aproximar disso o máximo possível. Procuro fazer primeiro um trabalho de ‘cardio’, pulando corda, e depois começo a fazer a ficha que o Davidson (preparador físico do Minas) passou, trabalhando com o peso corporal. Também tento sempre manter contato com a bola. Eu tenho uma em casa e fico brincando na parede, para tentar não ficar esse tempo todo sem fazer minhas atividades. Em relação à alimentação, é meu foco estar sempre me alimentando bem, em casa estou consumindo mais frutas, que não era um hábito que eu tinha tanto. Minha alimentação está bem regular, que é o que mais preocupa nessa época, porque não treinamos na mesma intensidade de antes.

Assessoria de comunicação  Como tem sido os seus dias de quarentena? Está com a família? Tem feito outras atividades?

Maique – Tinha dois ou três anos que eu não conseguia vir para casa e ficar mais de um mês com a minha família, poder aproveitar minha família e a minha casa, porque a rotina de clube e seleção é bem intensa. Então, ficar em casa tem sido gostoso. A minha rotina está sendo estudar inglês, jogar jogos no computador, estar com meus familiares e ajudar o meu pai, porque estamos reformando a casa. Ele é pedreiro, eu sempre ajudei, e agora estou dando mais esse suporte para ficar tudo do jeito que eles querem.

Assessoria de comunicação  Com o encerramento da Superliga, a temporada 2019/20 acabou. Qual o momento mais marcante da temporada para você? O que destaca como mais positivo no time Fiat/Minas?

Maique – O momento mais marcante para mim na temporada foi a reta final da Superliga, antes do encerramento. Nosso time vinha em uma crescente, trabalhando muito, até mesmo para buscarmos o melhor de cada um nos playoffs. Foi um momento de muita superação, perdemos alguns jogos no meio do turno de bobeira, e superamos. O ponto positivo da nossa equipe era a garra e a determinação, a gente sempre trabalhou muito para correr atrás dos nossos objetivos, que era cada um estar no seu melhor na reta final, estávamos conseguindo buscar isso e, infelizmente, a Superliga foi encerrada. Dou parabéns para toda nossa equipe, tanto atletas quanto a comissão técnica. A competição encerrou de uma forma que não queríamos, mas todos estão de parabéns pelo empenho.

Maique tem aproveitado a quarentena para estar em casa com a família e jogar com os amigosMaique tem aproveitado a quarentena para estar em casa com a família e jogar com os amigos

Assessoria de comunicação  O Nery é um técnico que gosta de trabalhar bem os fundamentos com os jogadores. Como o trabalho desenvolvido no Minas auxilia no seu desenvolvimento técnico?

Maique – Sempre foi uma honra e um prazer trabalhar com o Nery. Desde muito novo, na base, ele tem agregado muito. Não só na parte técnica, mas no lado pessoal, como ser humano e atleta. Todo o trabalho desenvolvido na base do Minas me fez chegar onde cheguei hoje. Graças a ele, de enxergar potencial em mim desde muito novo e acreditar nesse potencial, e eu também ter acreditado no trabalho dele e de todos da comissão. Está sendo um trabalho magnífico, sou completamente grato por estar no clube certo, com as pessoas certas e no momento certo. Acho que foi de grande importância para mim e espero construir e trabalhar mais ao lado dessas pessoas.

Assessoria de comunicação  Como foi o início da sua carreira? E quando aconteceu a troca de posição de ponteiro para líbero?

Maique – O início da minha carreira foi muito difícil, por vim do interior e ser de família simples, passei diversas dificuldades, passei fome, e sofri com preconceito, como racismo e homofobia. Mas isso foi me fortalecendo, me fez crescer como ser humano e atleta. Isso me marcou muito, até porque sempre fui muito determinado em buscar o que eu queria, independentemente do que acontecesse na minha vida. Se as pessoas queriam me menosprezar, eu usava isso como força. A minha transição de posição aconteceu quando o Sérgio Veloso, que era meu técnico na seleção mineira Infantojuvenil, optou em me levar de líbero. Eu era ponteiro, mas isso me deu um ‘start’, eu queria me ver jogando na posição de líbero e aqui estou. Amo o que eu faço. Não foi tão difícil, ate porque hoje eu só não salto, mas faço o fundo de quadra e a parte técnica de recepção. Acho que foi de grande importância o Sergio ter me dado esse toque, porque hoje estou aqui graças a esse toque do passado.

Assessoria de comunicação  Como foi para você integrar a seleção brasileira principal tão novo? 

Maique – Foi um sonho que eu não imaginava que iria acontecer tão rápido, com 21 anos. Era algo que eu pensava que poderia ser com 24/25 anos. Mas acho que foi por merecimento e graças ao meu trabalho, por ter me entregado e ser determinado desde muito novo. Eu sempre quis alcançar esse patamar e quero ir mais longe, buscar uma vaga em uma seleção olímpica, um ouro olímpico. Acho que para mim, integrar a seleção principal hoje é um dos meus maiores sonhos e conquistas. Só tenho a agradecer a todos que fizeram parte dessa trajetória, que contribuíram um pouquinho para que eu chegasse até aqui.

Assessoria de comunicação  Você fez parte das últimas conquistas da seleção brasileira. Como se planeja para conquistar mais espaço e estar nas próximas convocações?

Maique – O planejamento é sempre não acomodar. Não vou me confortar com o que já conquistei hoje, sempre quero mais, busco mais e sei que posso mais. É seguir trabalhando, com foco total, para buscar cada vez mais espaço no mercado brasileiro e internacional e também na seleção. O sonho de todo atleta é ser um jogador olímpico, ser campeão olímpico e estou buscando por isso. Que a próxima temporada seja abençoada e de muito trabalho, porque assim tudo vai dar certo.

Assessoria de comunicação  Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados. Com isso, todos os atletas terão um ano a mais para se preparar e tentar uma vaga na seleção. Como você vê esse tempo a mais?

Maique – Com o adiamento, tenho mais um ano de preparação. Esse tempo a mais é um tempo muito precioso, ainda mais para nós que somos novos e poderíamos estar fora de uma convocação por causa da idade ou falta de experiência. Isso não só para mim, mas para vários atletas. Acho que um ano e uma temporada a mais de trabalho vai ser muito importante para estar um passo à frente, sempre buscando por esse objetivo. Vai ser um tempo muito precioso e de muita dedicação.

 O líbero do Fiat/Minas tem feito atividades e treinos em casaO líbero do Fiat/Minas tem feito atividades e treinos em casa

Assessoria de comunicação  Quais são os seus planos e sonhos pessoais? O que tem vontade de fazer e/ou conquistar?

Maique – Meus planos e sonhos é ser campeão olímpico e, quem sabe, ser o melhor do mundo. Ser multicampeão, fazer história na minha posição, assim como o Serginho fez, deixar um pouco do meu legado. Mostrar para as pessoas que todos nós temos direito de sonhar e buscar por aquilo que a gente almeja, basta ser persistente e correr atrás dos objetivos. Outro sonho é poder proporcionar mais coisas para a minha família, que é a minha base de tudo, poder dar um pouco mais de conforto para eles.

Assessoria de comunicação  Você era muito novo quando veio para o Minas. Quais conselhos daria, hoje, para aquele Maique jovem e que estava chegando em um grande clube, mudando para uma cidade grande e deixando a família?

Maique – O conselho que eu daria para mim mesmo quando cheguei é ser persistente, e isso é uma coisa que sempre fui. Estar uma cidade grande, longe da família e jogar em um clube novo tem muitos de desafios e turbulências. Acho que temos que ter sempre perseverança, persistência e muita dedicação. Abraçar a oportunidade que vier, mesmo nas dificuldades. Aprender com os erros e com a vida.

De bate pronto…

Um jogo inesquecível?
Maique – Fiat/Minas 3 x 2 EMS Taubaté Funvic, no segundo turno da Superliga 2019/20. Foi um jogo de muita superação e garra.

O esporte em minha vida é?
Maique – É minha vida, sou eu. Vivo disso e respiro isso.

Academia ou treino técnico?
Maique – Treino técnico. Adoro jogar e treinar.

Um ídolo no esporte?
Maique – Serginho (Escadinha) e Fabi. São ícones mundiais. 

Se não fosse jogador. O que seria?
Maique –
 Acho que eu seria ginasta, sou apaixonado por ginástica artística. Algo que quero ser depois de encerrar a carreira de atleta é fisioterapeuta, quero continuar no esporte.

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