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Confira entrevista de Mariana Silva

Já são mais de 20 anos dedicados ao judô. Diversas medalhas e conquistas pessoais. Representou o Brasil nas Olimpíadas de Londres (2012) e do Rio de Janeiro (2016). Recentemente, mostrou muita determinação e garra para superar duas lesões e duas cirurgias seguidas de Ligamento Cruzado Anterior (LCA) do joelho esquerdo, sem contar uma outra cirurgia no ombro, essa um pouco mais antiga. Leituras, filmes, e estudo da Bíblia Sagrada fazem de Mariana Silva uma judoca mais concentrada. Aos 30 anos e com a cabeça mais madura, a atleta, que defende o Minas desde 2012, treina pesado nesta quarentena e garante que vai brigar por uma vaga na Olimpíada do Japão, que, agora, será disputada em 2021. A “Entrevista da Semana”, desta vez, é com a judoca, esposa, aprendiz de culinária e determinada Mariana Silva, atleta da categoria Meio-médio (63kg) do Minas e do Brasil.

Assessoria de comunicação – Mariana, onde você está na quarentena e como tem sido os seus dias?
Mariana Silva – Eu estou em Belo Horizonte e posso dizer que os meus dias de quarentena estão sendo bem produtivos. Tenho conseguido manter a rotina dos meus treinos, intensificado bastante e feito o que meu corpo precisa. Está sendo ótimo porque, agora, tenho um tempo melhor de recuperação até o treino seguinte.

Tenho lido bastante, gosto muito de ler a Bíblia. E, nessa quarentena, estou fazendo um estudo sobre o pentateuco, que são os 5 primeiros livros da Bíblia. Este aprendizado está sendo transformador para mim, já que, na correria do dia a dia, a gente sempre fala que não tem tempo. Agora, não tenho desculpas.

Tenho lido outros livros também e indico:

– Lute, de Kenny Luck.
– Igreja não se faz no singular, de Flavinho Marques.
– Bom Dia, Espirito Santo!, de Benny Hinn.

Acredito que ler é muito importante para o atleta, que precisa estar bem condicionado não só com o corpo, mas também com a mente e espírito. Quando trabalhamos essas três áreas juntas, conseguimos dar o nosso melhor, conseguimos perseverar, persistir, acreditar e nos superar, independente das circunstâncias.

Leituras e estudos fazem de Mariana Silva uma atleta mais madura (Foto: Divulgação/MTC)Leituras e estudos da Bíblia fazem de Mariana Silva uma atleta mais madura (Foto: Divulgação/MTC)

Além disso, comecei a quarentena com o propósito de cozinhar. Iniciei com uma lasanha, para impressionar (risos). Mas o meu marido começou a fazer moqueca de camarão, carne assada recheada, e vários outros pratos deliciosos. Pronto. Eu descobri que sou uma ótima auxiliar de cozinha (risos).

Aqui em casa, nas duas primeiras semanas, organizamos toda a nossa casa. Tiramos tudo que não usávamos mais e doamos.

Outra coisa que estamos fazendo muito é assistir filme. Adoro filmes baseados em fatos reais, de ação e de drama.

Aproveito e quero indicar três bons filmes:
– O Milagre na cela 7 (baseado em fatos reais).
– Mais que Vencedores.
– Drama e Resgate – filme de ação.

Assessoria de comunicação – Como você tem cuidado da alimentação? O que tem feito para evitar o ganho de peso? Você é daquelas que adora comer bobagens ou consegue manter a rotina alimentar mesmo no isolamento?
Mariana Silva – Eu não faço dietas absurdas, mas procuro fazer uma alimentação saudável. Tenho algumas estratégias que que me ajudam a manter o peso, por exemplo: se eu tenho treino de manhã, eu tomo um café reforçado e vou treinar. No almoço, eu como um bom prato de salada antes dos carboidratos e proteínas. Fazendo assim, eu como o necessário e não exagero muito. Antes do treino da tarde, como uma fruta e, dependendo do nível de fome, até como algo com mais sustância. Após a atividade, tomo um café da tarde reforçado e procuro não fazer uma refeição muito pesada à noite.

E, claro, como ninguém é de ferro, às vezes, me permito comer uma besteirinha. Eu procuro fazer isso aos fins de semana.

Assessoria de comunicação – O judô exige muita disciplina de treinamentos, que, na maioria das vezes, são bem pesados. Como você tem feito os treinamentos?
Mariana Silva – Tenho feito os treinos físicos em casa, com o meu marido, que é fisioterapeuta. Consegui uma barra e alguns pesos emprestados e outros acessórios como elástico, corda, rolo de soltura muscular, que eu já tinha em casa. Para treinos aeróbicos, tenho procurado ruas vazias, tomando todos os cuidados necessários. E também treino judô com o meu marido três vezes por semana, para manter contato com o quimono, que é muito importante para judoca. Estou trabalhando muito a minha mente, com atendimento uma vez por semana com a minha coach.

Quarentena não tem sido problema para Mariana Silva realizar seus treinos Quarentena não tem sido problema para Mariana Silva realizar seus treinos (Foto: Divulgação/MTC)

Assessoria de comunicação – No tatame você é uma judoca muito séria. Como é a Mariana Silva sem o quimono, sendo esposa, dividindo as tarefas de casa com o marido e o que vocês fazem juntos? Querem ter filhos?
Mariana Silva – Mesmo sem a quarentena, eu fico muito em casa. Sou muito caseira, gosto do meu descanso, gosto de fazer as refeições na mesa, com o meu esposo, conversar bastante, valorizo muito esse tempo de qualidade. Aqui em casa, dividimos as tarefas em tudo, gosto de ser auxiliar na cozinha, quando ele está cozinhando. Eu coloco música e desfrutamos daquele momento juntos. Sem comparar os resultados, porque os pratos que ele faz são maravilhosos, amo muito. Eu sou aprendiz (risos).

Sobre os filhos, pretendemos sim. Os planos, hoje, são para após os Jogos Olímpicos de 2021, mas tudo pode mudar. Estamos vivendo e acredito que os filhos vão vir no tempo certo.

Assessoria de comunicação – Agora, vamos falar da judoca Mariana Silva. Quem é o seu ídolo no judô?
Mariana Silva – Meu ídolo é o Leandro Guilheiro (duas vezes medalhista olímpico, medalhas em mundiais e vários títulos e medalhas no circuito mundial). Sou fã da pessoa e do judô técnico e explosivo dele, tive o privilégio de integrar a seleção olímpica com ele, em Londres (2012).

O Leandro é de Santos e, eu, de Peruíbe, ambas as cidades fazem parte do litoral sul paulista. Então, quando adolescente, eu vi, na TV local, muitas reportagens sobre ele. Desde a minha adolescência, ele foi referência para mim, me inspirou muito.

Assessoria de comunicação – Você sofreu, recentemente, com lesões no joelho. Esses foram os seus piores momentos na carreira? O que fez para superar e voltar ao tatame?
Mariana Silva – Esse processo de lesões e cirurgias no joelho (foram duas seguidas) foi bem doloroso para mim. Isso me tirou das competições do Circuito Mundial por dois anos e me prejudicou na corrida para conquistar a vaga olímpica para Tóquio. Porém, em contra partida, hoje, acredito que até as coisas ruins que acontecem em nossa vida são para o nosso bem. Com mais maturidade, eu vejo as coisas em uma ótica diferente. Tenho muita gratidão por tudo que vivi no esporte e tudo que o judô proporcionou na minha vida. Por causa desse processo difícil, eu aprendi a ser mais resiliente, paciente, me superar e perceber quem realmente sonha comigo. A minha fé aumentou. Essas coisas que vão me ajudar para vida toda.

Assessoria de comunicação – Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados. Você, Ketleyn Quadros e Aléxia Castilhos são as principais concorrentes à vaga olímpica na categoria até 63kg. Com o adiamento dos Jogos, vocês “ganharam” mais um ano para se prepararem. Até que ponto isso é bom para você, já que, devido as duas lesões no joelho, acabou sendo ultrapassada por elas no ranking?
Mariana Silva – O adiamento dos Jogos Olímpicos me deu um folego e uma esperança muito grande para poder lutar pela vaga. Isso tem me motivado ainda mais nos treinos. Estou buscando a evolução todos os dias, para que, no momento certo, eu possa estar pronta. Acredito, fielmente, que posso conquistar essa vaga e acordo todos os dias com esse objetivo. Nesse momento, todo o apoio é muito importante, pois não conquistamos nada sozinhos, sou muito grata a todos que sonham juntos comigo. Eu vou conseguir!

Assessoria de comunicação – Na Olimpíada Rio 2016, a medalha de bronze ficou engasgada. O que fazer de diferente para tentar ir mais longe, caso você conquiste a vaga?
Mariana Silva – Eu acredito muito no trabalho mental. Por isso, hoje, com toda experiência adquirida, dou muita ênfase a esse trabalho, compreendo também que, para conquistar uma vaga olímpica, além do físico, você tem que ter um equilíbrio emocional muito grande para não deixar nada te tirar o foco. Quem tem esse equilíbrio emocional está um passo à frente, pois, em uma Olimpíada, todos os atletas, cada um com o seu estilo de judô, possui um nível técnico muito alto. Ninguém chega lá por sorte.

Assessoria de comunicação – Após todos os transtornos causados pela pandemia, o que esperar do restante da temporada? O calendário apertado é bom ou ruim para o atleta?
Mariana Silva – Acredito que todos os atletas vão voltar com muita vontade de competir e treinar. Um calendário apertado, não é o ideal, mas acredito que vai ser bom, para todos voltarem ao ritmo rápido. Aqueles que se cuidarem e se prepararem melhor nessa quarentena, mesmo diante das limitações de treinar em casa, irão voltar mais condicionado e vão conseguir superar as dificuldades do calendário apertado da melhor forma possível, com bons resultados claro.

De bate pronto…

Assessoria de comunicação – Uma luta ou vitória inesquecível?
Mariana Silva – Nas quartas de final dos Jogos Olímpicos Rio 2016, contra a israelense Gerbi Yarden. Clique AQUI e confira a trajetória de Mariana Silva na Olimpíada do Brasil.

Assessoria de comunicação – Biscoito ou Bolacha?
Mariana Silva – Bolacha.

Assessoria de comunicação – O judô em minha vida é…
Mariana Silva – Sonho.

Assessoria de comunicação – Tatame ou academia?
Mariana Silva – Tatame.

Assessoria de comunicação – Campeã mundial ou olímpica?
Mariana Silva – Olímpica.

CONFIRA A ENTREVISTA DA SEMANA COM A CENTRAL E BICAMPEÃ OLÍMPICA THAISA, DO ITAMBÉ/MINAS


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