Diplomacia e Turismo

É tetracampeã!

Patrícia Coutinho*

“Uma vez por ano vá a algum lugar onde nunca esteve antes” (Dalai Lama).

Estas palavras fazem todo o sentido para mim pois se eu pudesse viajar para um novo lugar, não só a cada ano, eu certamente o faria. Viajar desnuda a alma, abre a mente e nos deixa mais sábios.

O fato de você ter contato com outra cultura e verificar que as coisas podem ser feitas de uma forma diferente da sua é extremamente enriquecedor. Aprender um novo idioma cria conexões cerebrais, você literalmente se torna mais inteligente.

Nós brasileiros estamos muito distantes de grandes centros urbanos do mundo e somos um país continental, com uma língua falada. Não temos a oportunidade dos europeus de viajar pequenas distâncias e ter contato com outra língua, outra cultura, de forma barata e rápida. Esta distância nos dificulta comparar outros modelos políticos, de gestão, de vida, de história e ver que é factível viver de outra forma.

Para abrir minha coluna, que, aliás aceitei de pronto e me deixou muito feliz em poder escrever mensalmente sobre Diplomacia e Turismo, vou falar de uma nação exemplar, um país que literalmente corre atrás de sua felicidade e que tenho a honra de ser Cônsul Honorária há mais de 10 anos: a tetracampeã Finlândia, eleita pela quarta vez consecutiva o mais feliz do mundo, segundo a ONU. Mas como um país de longos e gélidos invernos pode ser o país mais feliz do mundo? Como se mede a felicidade afinal?

A felicidade finlandesa advém da qualidade e expectativa de vida da população, do PIB, benefícios de bem- -estar, baixos níveis de corrupção, um senso comum de liberdade e independência e contar com a maior cobertura florestal da Europa. O alto grau de igualdade entre os sexos, tendo sido o primeiro país a dar às mulheres o direito de voto e candidatura, em 1906, se evidencia na equiparação salarial e pelo fato de terem uma jovem primeira-ministra comandando o país desde 2019, Sanna Marin, de 35 anos.

Pode parecer uma felicidade inalcançável para os padrões brasileiros, um sonho distante talvez… mas a verdade é que a Finlândia a conquistou de forma sistemática, pois já sofreu com guerras e pobreza. Nação independente há pouco mais de 100 anos, em poucas décadas se reinventou, saindo de um estado agrícola para uma nação próspera e moderna, através de uma política progressista e de futuro, com investimento pesado em educação.

Que exemplos como o da Finlândia sejam inspiração para nós brasileiros! Que além da alegria do país do futebol e carnaval, busquemos juntos a felicidade real!

Cartão Postal de Helsinki, com destaque para a bela Catedral Evangélica Luterana e a Praça do Senado

*Patrícia Coutinho é advogada, empresária de turismo, ex-presidente da ABIH-Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (MG) e ex-diretora de Relações Internacionais da ABIH Nacional