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Exposição sobre o Egito, que chega ao CCBB BH em setembro, bate recorde no RJ com 1 milhão de visitantes

Mostra gratuita reúne o maior número de visitantes da história de 30 anos da instituição e passará ainda neste ano por Belo Horizonte (16/09/2020 a 23/11/2020), depois de temporadas em São Paulo e Brasília

A exposição Egito Antigo: do cotidiano à eternidade, que será inaugurada no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) em setembro, chegará à Praça da Liberdade validada pelo público. Na CCBB Rio de Janeiro, onde foi inaugurada há pouco mais de três meses, recebeu 1 milhão de visitantes. O marco foi registrado na tarde desta quarta-feira (15/01) pela estudante Luanda Santana.

O curador da exposição, Pieter Tjabbes, atribui o recorde nacional de visitantes do CCBB Rio ao altíssimo nível de qualidade das obras, à expografia envolvente e ao empenho de toda a equipe do CCBB e de produção da Art Unlimited. “Ao fim da exposição, é provável que tenhamos até um recorde internacional”, aposta.

“A combinação de obras fascinantes e uma dose substancial de interação sensibiliza pessoas que ainda não estão habituadas a visitar o CCBB”, explica Pieter. “Também nos alegra muito perceber a participação de visitantes de diferentes níveis socioculturais, sendo que muitas dessas pessoas se mobilizam pela possibilidade de aproximação com as raízes africanas presentes na cultura do Egito Antigo”.

Entendimento qualificado

A mostra reúne 140 peças que têm em comum a relevância para o entendimento da cultura egípcia, que manteve parcialmente os mesmos modelos religiosos, políticos, artísticos e literários por três milênios. Egito Antigo: do cotidiano à eternidade tem patrocínio do Banco do Brasil, BB DTVM, BB Seguros e copatrocínio da Brasilprev. A produção e organização são da Art Unlimited.

Aspectos da historiografia geral do Egito Antigo são apresentados de forma didática e interativa, por meio de esculturas, pinturas, amuletos, objetos cotidianos, um Livro dos Mortos em papiro, objetos litúrgicos e ostracons (fragmento de cerâmica ou pedra usados para escrever mensagens oficiais), além de sarcófagos, múmias de animais e uma múmia humana da 25ª dinastia.

“O principal fulcro é possibilitar a um público muito grande e diverso um entendimento qualificado sobre a cultura egípcia”, explica Pieter Tjabbes, junto com Paolo Marini curador da mostra. “Organizamos as obras em diversos recortes, diferentes instâncias, ultrapassando limites temporais e regionais”, completa. Para o público entender melhor em qual contexto os objetos eram usados, terão aqui em Brasília uma réplica da tumba de Nefertari e uma pirâmide cenográfica.

Egito Antigo

Por volta de 4000 a.C., os povos do Egito viviam em pequenas unidades políticas, os nomos, e eram governados por nomarcas, que se reuniram em dois reinos, o Baixo Egito, ao norte, e o Alto Egito, ao sul. Reconhecido como berço de umas das primeiras grandes civilizações da Antiguidade, o Egito Antigo se formou a partir da unificação do Alto Egito e Baixo Egito, no reinado de Menés (Narmer, em grego), o primeiro faraó, entre 3.100 a.C. e 3.000 a.C. – e se desenvolveu até 30 a.C., após a derrota de Cleópatra pelo Império Romano, na Batalha de Alexandria.

Foram quase 3.000 anos de relativa estabilidade política, prosperidade econômica e florescimento artístico, alternados por períodos de crises. O legado dessa civilização desperta fascínio até hoje e teve grande influência na moda, no design, na arquitetura e em cultos europeus, como a maçonaria e a Rosa Cruz, sendo que, a partir do século 19, virou mania na Europa (egiptomania).

Muitas das peças de Egito Antigo: do cotidiano à eternidade são resultantes de escavações do século 19 e início do século 20, e todas são oriundas do Museu Egípcio de Turim (Museo Egizio), na Itália. Fundado em 1824 por Carlo Felice di Savoia, rei da Sardenha, o museu italiano reúne a segunda maior coleção egiptológica do mundo (depois do Museu do Cairo), com cerca de 26.500 artefatos do Egito Antigo. Seu acervo é resultado da junção das peças da Casa Savoia (adquiridas desde o século 17) às da coleção que o monarca comprara das escavações de Bernardino Drovetti, cônsul da França no Egito (1820-1829) – e outra parte do acervo foi descoberta pela Missão Arqueológica Italiana (1900-1935), quando ainda era possível a divisão dos achados arqueológicos.

A exibição é dividida em três seções: vida cotidiana, religião e eternidade, que ilustram o laborioso cotidiano das pessoas do vale do Nilo, revelam características do politeísmo egípcio e abordam suas práticas funerárias. Cada seção apresenta um tipo particular de artefato arqueológico, contextualizado por meio de coloração e iluminação projetadas para provocar efeitos perceptuais, simbólicos e evocativos. As cores escolhidas são: amarelo para a seção da vida cotidiana; verde para a religião; azul para as tradições funerárias – associadas a três intensidades da iluminação (brilhante, suave e baixa).