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Fortalecer o aeroporto como hub logístico é oportunidade para Minas Gerais

BELO HORIZONTE / MINAS GERAIS / BRASIL (23.02.2021) - BH AirPort - Kleber Meira, presidente da BH Airport, que administra o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte. Foto: Pedro Vilela / Agencia i7

Kleber Meira*

É fundamental ampliar o protagonismo de Minas Gerais no cenário logístico nacional e internacional. E, acredite, há muito espaço para que isso aconteça. Conforme dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Minas está na terceira posição no ranking de porta de entrada de carga aérea para o território mineiro. Com isso, somente 28% das cargas aéreas chegam por aqui. Até então, o Estado sempre disponibilizou uma cadeia logística tímida para atendimento as empresas, o que contribuiu para esse cenário. No entanto, mudanças estão por vir com o fortalecimento do papel do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, como hub logístico. 

Mesmo em um ano de pandemia, o aeroporto se dedicou em lançar novos serviços no mercado para oferecer aos clientes soluções multimodais. A partir daí, em 2020, implantou a primeira rota marítima que liga diretamente o aeroporto ao Terminal Bandeirantes, no Porto de Santos (SP), o que oferece a possibilidade de remoção da carga importada, através do modal marítimo, para a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Já estamos em negociação para ampliar o serviço para o Porto do Rio de Janeiro.  

Pensando também em redução de custos, outro lançamento a se destacar foi do projeto Rotas Rodoviárias, que tem o intuito de conectar as zonas primárias, como portos e aeroportos, do sudeste brasileiro, com indústrias, comércios e importadores mineiros. Com a iniciativa, foi possível oferecer uma redução de até 60% no custo do transporte de cargas, o que elevou a competitividade das empresas mineiras. 

Outros dois importantes produtos lançados recentemente são: o entreposto aduaneiro, inclusive em câmaras frias, que contribui para a eficiência no fluxo de caixa das empresas. Além do Programa de Parceiros Logísticos (PPL), que visa fortalecer a parceria com os demais atores da cadeia logística, como agentes de cargas e despachantes aduaneiros.  

Todas essas ações fortalecem o protagonismo do Estado no cenário da logística nacional e internacional. A partir do desenvolvimento desses produtos, passamos a ter condições de estimular a cadeia logística aérea mineira, sobretudo por estarmos situados em uma região estratégica, com localização geográfica privilegiada. De Minas Gerais temos acesso a 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, voando apenas uma hora. O Estado faz fronteiras com sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Distrito Federal (Brasília) e Mato Grosso do Sul. Nenhum estado brasileiro tem isso e, consequentemente, nenhum aeroporto tem essa condição.  

Temos um terminal moderno e um portfólio robusto de produtos e serviços para que o Estado ofereça uma condição favorável para o desenvolvimento de sua própria cadeia logística, mas é fundamental a construção de políticas que impulsionem o setor. Esse avanço passa pela construção de um ambiente propício à migração das cargas aéreas que tem como destino Minas Gerais, mas que, infelizmente, ainda chegam em aeroportos de outros estados da federação.  

*CEO da BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte