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Impactos da pandemia: entregadores de aplicativo relatam piora nas condições de trabalho

Pesquisa realizada pela Remir, a partir de projeto da UFPR, mostra que mais de 50% dos entregadores não receberam qualquer apoio das empresas durante a pandemia

(fonte: istock) 

A pandemia trouxe para muitas casas uma necessidade não tão nova, mas muito mais persistente, durante o período de isolamento: o delivery. Inúmeros estudos apontam o crescimento no número de pedidos, o que trouxe um resultado cada vez mais desastroso para os entregadores.

Um ano inteiro de pandemias gerou, para eles, um cenário de trabalho não apenas mais intenso e exaustivo, como também mais perigoso. De acordo com a pesquisa da Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir), a partir de projeto da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizada em 2020, houve aumento da jornada de trabalho e queda na remuneração da categoria.

Ainda de acordo com a pesquisa da Remir, a maior parte dos entregadores são homens (94,6%), com idade entre 25 e 40 anos (78,2%). Uma grande parcela se reconhece como branco ou pardo (83,9%) e 57% deles afirmam que a jornada de trabalho aumentou durante a pandemia.  

Segurança durante a pandemia

Com a quarentena, os entregadores também destacaram dificuldades para manter os parâmetros de segurança. Sem benefícios e auxílios das empresas para as quais trabalham, eles destacam que toda a compra de máscaras, álcool em gel e outros produtos de segurança acaba pesando no pouco salário que já recebem.

Ainda assim, a pesquisa da Remir mostra que 96% dos entrevistados fazem uso de máscaras e álcool em gel durante o trabalho, mesmo que 57,7% dos entregadores não tenham recebido nenhum apoio das empresas que trabalham para diminuir o risco de contaminação.

O aumento da demanda durante a pandemia também fez crescer o número de novos entregadores – fator que também tem relação com o aumento da taxa de desemprego no Brasil. Muitos dos entregadores recorrem a este tipo de emprego no momento de crise, em que os trabalhadores foram demitidos ou tiveram perda considerável de renda.

Mas, mesmo para os entregadores, a renda diminuiu. Dados do estudo realizado pela Remir mostram que, para 58,9% dos entrevistados, houve queda remuneratória durante a pandemia. Além disso, 62% dos entregadores trabalham mais de nove horas por dia e 78,1% deles afirmam que a jornada semanal tem entre seis e sete dias de serviço. Muitos deles ainda contam com gastos para alugar carros e motos para conseguir realizar as entregas a tempo e em maior quantidade.

O estudo da Remir foi realizado com 298 entrevistados que trabalham nas principais plataformas de entrega, espalhados em 29 cidades brasileiras, com foco em São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Curitiba.