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Interesse pela árvore genealógica aumenta no Brasil durante a pandemia

Segundo a FamilySearch, durante a pandemia, a procura dos brasileiros pela história familiar e dados sobre ancestralidade aumentou 20% em relação a 2019

O Brasil é um dos países que mais acessa a plataforma FamilySearch – organização sem fins lucrativos focada em registros genealógicos – em busca de informações sobre antepassados. Em 2020, durante a pandemia, a procura por esses dados por parte dos brasileiros aumentou 20% em relação a 2019. Em toda a América Latina, os acessos do país ao portal representam cerca de 40% do total. De acordo com Fábio Falcão Lucas, Gerente Geral do FamilySearch no Brasil, “o país é de longe o que mais pesquisa genealogia e história da família na região. Muitas vezes em busca de mais informações para os processos de reconhecimento de cidadanias e formação da árvore genealógica”.

A plataforma FamilySearch tem parcerias e oferece acesso gratuito a registros de diversos custodiantes nacionais, como o arquivo nacional, arquivos estaduais, registros católicos, cartórios, cemitérios etc. No Brasil, por exemplo, apenas no Rio de Janeiro – uma cidade histórica e imperial –, estão sendo digitalizados mais de 100 milhões de documentos com dados dos imigrantes que chegaram ao país entre os anos 1823 e 1980. Com esse serviço de utilidade pública, um dos objetivos principais da entidade é ajudar a reconstruir a história de uma nação.

Atualmente, está em andamento também a coleta de informações sobre a Diáspora Africana. Em 2020, a diretora-geral do Arquivo Nacional e presidente do Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), Neide De Sordi, disponibilizou para o FamilySearch alguns registros e documentações que vão permitir aos afrodescendentes de hoje a reconstrução de uma história que deixou inúmeras lacunas de informações sobre suas reais origens.

Segundo Fábio Falcão Lucas, são vários os motivos que levam as pessoas a buscarem informações sobre sua história familiar. Além do desejo de iniciar processos de reconhecimento de cidadanias estrangeiras, há aquelas pessoas que possuem um interesse mais emocional em conhecer suas origens e construir a árvore genealógica, especialmente no momento em que vivemos, tendo em vista o impacto da pandemia nos familiares mais idosos. “As famílias estão perdendo integrantes importantes, que sabiam as histórias do começo do século XX ou até antes, pois um pouco dessa história ainda consegue ser transmitida ao longo dos anos até chegar nas gerações baby boomers (nascidos entre 1945 e 1964), X (1965 a 1984) ou Y (1985 a 1999). Mas é um hábito que vem enfraquecendo e isso impacta nas gerações mais novas, como os nascidos a partir do ano 2000 (Geração Z), que mal possuem fotos impressas da infância”, exemplifica.

“Ao compartilhar descobertas, histórias, fotografias e outras lembranças, as pessoas criam laços e fortalecem o amor entre os membros da família. Nesse sentido, a pesquisa genealógica é muito mais do que apenas pesquisar nomes, datas e lugares. O serviço gratuito do FamilySearch ajuda esse processo de conexão. Esse serviço mundial oferece as ferramentas tecnológicas para ajudar os usuários a descobrir, reunir e vincular gerações, sejam elas do passado, presente ou futuro”, finaliza Fábio.

Evento global da organização bate recorde em número de inscritos

O interesse crescente dos brasileiros pela história familiar foi refletido no número de inscrições para a maior conferência mundial de ancestralidade, a RootsTech Connect, que aconteceu entre os dias 25 e 27 de fevereiro. O evento organizado pelo FamilySearch já chegou a reunir mais de 25 mil pessoas presencialmente em fevereiro do ano passado, antes da pandemia. Neste ano, pela primeira vez, a conferência foi realizada de forma online e totalmente gratuita, com participação de mais de 500 palestrantes de diferentes países incluindo do Brasil, apresentando conteúdos que ajudaram as pessoas a obterem mais informações sobre a própria genealogia e ancestralidade. Participaram 1.179.613 milhão de pessoas de 240 países e territórios. O Brasil foi o terceiro país com maior número de inscritos – 21.229 pessoas, atrás do Canadá (36.741) e Reino Unido (34.169), e seguido por México (18.246) e Irlanda (16.856).

Entre os palestrantes, estavam os brasileiros “Tita” (Milton Queiroz da Paixão), treinador e ex-jogador de futebol e da Seleção Brasileira, e Bruna Benites, zagueira do Internacional e também da Seleção Brasileira. O palestrante motivacional Nick Vujicic também esteve no evento, assim como o uruguaio Lugano, ex-jogador e superintendente do São Paulo e ex-zagueiro da Seleção Uruguaia.

“O evento foi uma oportunidade para celebrarmos culturas e tradições de todo o mundo por meio de atividades, como demonstrações de culinária local, narração de histórias e apresentações musicais”, comenta Steve Rockwood, CEO do FamilySearch International.