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Pela primeira vez, número de mulheres supera o de homens na advocacia brasileira

Mulheres estão cada vez mais presentes na área jurídica

(Crédito: Divulgação)

Um marco na história do direito brasileiro: pela primeira vez, o número de mulheres advogadas ultrapassa o de colegas homens no país. Os dados foram divulgados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que apresentou os números totais e por estado. Esses números, apesar de não garantirem a plena igualdade de gêneros na área jurídica, por fatores que explicaremos adiante, apontam que o setor está se tornando o mais representativo da sociedade, seguindo uma tendência global.

Nos dados apresentados pela organização, o número de mulheres era de 610.369, contra 610.207 homens. O estado onde essa diferença está mais acentuada é no Rio de Janeiro, com 75.412 advogadas e 70.695 advogados. São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e alguns outros estados também contam com mais mulheres do que homens advogando. 

Vale mencionar que esses números vêm logo após a aprovação da proposta de paridade de gênero para as eleições da OAB, que começou a vigorar no início deste ano. Essa decisão veio a partir da constatação de que nenhuma das 27 seccionais, correspondentes aos 26 estados brasileiros e ao Distrito Federal, tinha uma mulher como presidente, e, ao longo dos 90 anos da instituição, apenas dez mulheres foram eleitas para o cargo. Portanto, essa mudança no regimento da OAB também pode ser considerada um marco.

Apesar desse cenário positivo, ainda há desafios a serem superados pelo setor jurídico no que se refere à presença e à remuneração de mulheres advogadas. 

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, com 303 profissionais do direito de todas as regiões do país, apontou que a renda mensal individual entre homens e mulheres é desigual. Enquanto eles têm renda média de R$ 6.948, elas ganham R$ 4.966 – quase R$ 2 mil a menos. Além disso, há menos advogadas atuando na área do direito criminal, composta majoritariamente por advogados homens (67% dos entrevistados).

O que as duas pesquisas dão a entender é que estamos avançando na questão da igualdade de gênero dentro da área do direito, mas ainda há muito a ser feito. Para as mulheres que passam no Exame de Ordem e estão aptas a advogar, o cenário é promissor, pois revela que a presença delas cresce a cada ano que passa, mas, ao mesmo tempo, é um alerta para que busquem melhores remunerações e mais espaço em todas as áreas em que desejam atuar.