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Por que a atual situação da pirâmide etária no Brasil é preocupante?

O aumento do número de idosos na população tem sido visto como um problema demográfico a ser resolvido em um médio prazo. Entenda o porquê da preocupação do Brasil com esse número e como ele afeta a previdência e as contas do governo

Nos últimos tempos, falar sobre previdência privada tem se tornado cena comum, dado às constantes alterações no sistema de aposentadoria utilizado no Brasil e às mudanças promovidas pelo INSS, com o objetivo de diminuir o déficit nesse órgão.

Assim, com as recentes reformas e alterações nas idades para o recebimento da aposentadoria, garantir o futuro de maneira particular já é uma necessidade para todos da população, principalmente aqueles que não possuem direito a um grande valor vindo do governo e desejam ter uma tranquilidade no momento de parar de trabalhar.

No entanto, esse não é o único fator representativo quanto se trata das mudanças na aposentadoria a nível nacional. O aumento na média de idade dos brasileiros também possui peso grande, tanto nas medidas adotadas pelo Estado quanto no dia a dia da população.

Nesse sentido, conhecer as medidas adotadas pelo governo em relação às mudanças na pirâmide etária brasileira é fundamental para entender mais sobre os próprios direitos e o rumo que a política nacional seguirá nos próximos anos.

População brasileira está envelhecendo

Por muito tempo o Brasil foi considerado um país predominantemente jovem. Isso acontecia devido às altas taxas de natalidade, principalmente nas décadas de 40 e 50[1] , nas quais, milhares e milhares de bebês nasciam todos os dias.

Em um contexto demográfico, podemos dizer que até então a pirâmide etária do Brasil possuía uma base mais ampla, reduzindo de tamanho significativamente em seu topo.

Porém, com o desenvolvimento do país, o aumento das políticas relacionadas a área da saúde e os planos de previdência ganhando maior adesão, a qualidade de vida brasileira aumentou. Com isso, evidentemente a população passou a ter um dia a dia melhor e com maior assistência, implicando também em uma maior expectativa de vida.

Em outras palavras, atualmente os brasileiros estão vivendo mais, o que tem provocado uma mudança na pirâmide etária.

Com uma expansão do topo e da área central, hoje temos um quadro bem equilibrado na idade dos brasileiros, com grande tendência de um aumento ainda maior do número de idosos nos próximos anos.

Qual o problema de uma população envelhecer?

Nesse cenário, o que podemos perceber é que o Brasil está passando por um processo de envelhecimento populacional. Ou seja, o aumento da média de idade de todos os brasileiros.

Mesmo que esse fator esteja atrelado a um aumento da qualidade de vida no nosso país, o que evidentemente é positivo, ainda assim pode trazer consequências negativas. Uma delas é a diminuição da PEA (População Economicamente Ativa).

Em outras palavras, cada vez menos pessoas estarão trabalhando em nosso país e, ao mesmo tempo, a Previdência Social estará gastando mais com as aposentadorias dos nossos idosos. É uma conta complicada de se fechar.

Mesmo que pareça fora de contexto, esse é um problema já vivido em diversos países europeus, com um processo de diversas décadas de envelhecimento da população.

Até a década de 50 e 60, por exemplo, as características do Brasil indicavam uma população jovem. Isso acontecia em grande parte pela cultura de que cada família possuía mais de 10 filhos, muitos deles morrendo por doenças antes de completarem sua primeira década de vida.

A partir de então, teve início um processo de redução das taxas de fertilidade que, nos últimos anos, vem se acelerando com menos filhos em cada família.

Com o passar do tempo, as taxas de natalidade do nosso país caíram, tanto na zona urbana quanto na rural. Atualmente as famílias possuem cerca de um ou dois filhos, os quais na maior parte dos casos chegam a vida adulta.

Nesse sentido, pouco a pouco caminhamos para a construção de uma população cada vez mais madura e ativa economicamente.

No entanto, a parte já adulta das famílias chega a fase idosa, contando com o apoio da previdência social. Nesses casos, se torna necessário o desenvolvimento econômico de seus filhos para a situação financeira do país.

Quanto tempo o Brasil tem até que esse envelhecimento dificulte a economia?

Atualmente, vivemos o famoso “bônus demográfico”. Ele nada mais é do que o período onde o país está favorável para o desenvolvimento, com uma faixa etária ativa economicamente. Em outras palavras, o número de pessoas trabalhando ainda é maior do que os beneficiados com a aposentadoria.

Esse cenário é bem bacana para o crescimento econômico do país, já que produz uma alta rotação de dinheiro e de investimentos no mercado.

Em outras palavras, o número de pessoas trabalhando ainda é maior do que os beneficiados com a aposentadoria. Sendo assim, as porcentagens de lucro do país se mantêm maiores do que os seus gastos, em uma construção financeira saudável.

No entanto, segundo especialistas, a janela do bônus demográfico tende a se fechar em 2020, ano, no qual, o número de trabalhadores e aposentados se tornará mais parecido. Nesse cenário a tendência é que nos próximos anos nosso país sofra com diversas transformações, tanto relacionadas a previdência quanto a políticas para inserção de jovens no mercado de trabalho.


http://www.abep.org.br/xxiencontro/arquivos/R0339-1.pdf