Diplomacia e Turismo

¿Por qué no te callas?

Patrícia Coutinho*

Falar de diplomacia e turismo em tempos de pandemia exige cuidado e respeito para aqueles que padecem.

O turismo passa por uma crise sem precedentes com grande parte da cadeia produtiva na UTI e já sem oxigênio. O socorro é insuficiente e escasso, muitos já foram mortos.

Já a diplomacia sedentária passa a se exercitar esbaforida surpreendida por inúmeras demandas em escala global.

Mesmo em uma guerra onde o inimigo é invisível, a diplomacia é uma arma poderosa e que poupa vidas.

Não falo da diplomacia desastrada de alguns líderes, falo da ação civilizada, da arte de conduzir negociações entre nações, instituições, empresas e civis.

Fiquei feliz no princípio da pandemia quando algumas instituições como o FMI e Banco Mundial se pronunciaram em um apelo para a suspensão ou remissão das dívidas dos países mais pobres do mundo.

Esta seria uma discussão diplomática relevante desencadeada pela pandemia, como tantas outras tão importantes e urgentes, a fim de solucionar questões humanitárias sem o auxílio de armas ou embargos comerciais.

Uma diplomacia eficaz é baseada em instituições e governos fortes e independentes, para que as negociações sejam equilibradas e os mais vulneráveis tenham voz.

Instituições internacionais como ONU, OMS, OMC, OTAN, FMI, entre outras, têm ou deveriam ter um papel fundamental para, por exemplo, organizar a distribuição de vacinas e remédios pelo mundo.

A desigual e vergonhosa distribuição de vacinas no mundo vai trazer prejuízos em um futuro próximo: o vírus pode sofrer mutações e tornar as vacinas menos eficazes e produzir consequências econômicas, políticas e morais ainda mais devastadoras.

O recado da COVID foi dado: somos vulneráveis e estamos irremediavelmente interconectados. Não há como salvar apenas uma pequena parcela da população, todos serão afetados.

Mais que nunca, TODOS SOMOS UM.

¿Por qué no te callas? é a famosa frase dita pelo rei espanhol João Carlos I para o presidente Hugo Chaves que virou mania na internet

*Patrícia Coutinho é advogada, empresária de turismo, ex-presidente da ABIH-Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (MG) e ex-diretora de Relações Internacionais da ABIH Nacional