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Qual a verdadeira relação entre a alta do dólar e a COVID-19?

A presente situação da bolsa de valores tem chamado a atenção das pessoas em todo o país: mesmo os que não têm o costume de investir, ao observar o passar dos dias, percebem que algo está fugindo da normalidade.

A pandemia causada pelo novo coronavírus, tem feito com que diversos países optem pelo isolamento da população. No Brasil, medidas do gênero têm sido tomadas pelos governadores de uma série de estados, embora não seja consenso sobre qual é o melhor caminho a ser seguido.

Muitos têm questionado: se a COVID-19 é um problema generalizado, uma vez que está presente em todos os continentes, por que o dólar continua subindo? E por que o real, enquanto isso, segue desvalorizado?

Neste artigo, falaremos um pouco mais sobre a relação entre o aumento dos casos do novo coronavírus ao redor do mundo e a situação do dólar. Se você gostaria de entender um pouco melhor o assunto, confira o material que preparamos para você abaixo.

Bolsa de valores: por que ela tem sido afetada pelo coronavírus?

A bolsa de valores, recentemente, passou por um momento inédito em sua história: o circuit breaker, mecanismo que é acionado quando há quedas muito altas em um dia e que é responsável pela suspensão de operações, foi acionado quatro vezes em dois dias.

O pânico está ao redor do mundo: por conta das condições de isolamento, que devem persistir por semanas e até meses em diversos lugares, os estabelecimentos vendem menos, as pessoas consomem menos, não há dinheiro circulando com meios de transporte e similares.

Diversas empresas, durante as últimas semanas de instabilidade, viram o seu valor de mercado despencar: acredita-se que há empresas que perderam mais de um trilhão, valor impossível de ser menosprezado.

Por que ocorreu a alta do dólar?

Em momentos onde o mercado está incerto e a economia está sendo afetada de forma significativa, é natural que os investidores busquem adquirir títulos do Tesouro Americano, uma das alternativas mais seguras para quem deseja preservar os seus investimentos financeiros.

Obviamente, ao mesmo tempo em que há um aumento de compras de títulos norte-americanos, há o abandono dos mercados de risco – como, infelizmente, é o caso do Brasil. Assim, as moedas consideradas de risco tendem a ser desvalorizadas, perdendo valor diante das demais (e ainda mais diante do dólar).

Dinheiro que se vai: como os investimentos vão para o exterior em momentos de crise

Quando falamos sobre o mercado de câmbio, não podemos ignorar três aspectos: os investimentos, as taxas de juros e a balança comercial.

Para que se tenha uma ideia, no início de 2020, o fluxo de capital externo fechou negativa em 40 bilhões. Em todo o ano de 2019, a saída foi de 44,5 bilhões de reais.

Até o dia 13 de Março, com a confirmação de dezenas de casos de COVID-19, paralisação da já estagnada economia e uma série de problemas internos, foi registrada uma fuga de quase 55 bilhões.

Para agravar mais, temos o fato de que um dos nossos maiores parceiros econômicos é a China, país que foi o primeiro epicentro do novo coronavírus e que tem batalhado ativamente para limitar o contágio já há alguns meses.

Os preços internacionais dos produtos oriundos da China diminuíram consideravelmente, assim como a expectativa de compras produzidas pelo mercado chinês.

O problema do petróleo

Recentemente, os russos e os sauditas entraram em um embate. A razão? O preço do petróleo. O resultado disso foi a diminuição da cotação dos barris.

O Brasil, como sabemos, é um dos maiores produtores de petróleo do globo. A diminuição da cotação refletiu-se no câmbio, fazendo com que o real perdesse ainda mais valor de mercado. Não fomos os únicos, é verdade, mas o real segue sendo a moeda que mais sofreu desvalorização nos últimos tempos.

Por fim, não temos conseguido atrair investidores, o que faz com que a nossa economia permaneça em uma corda bamba: não há crescimento que permita aquisições importantes, parcerias comerciais, novos rumos de negócios. Da mesma forma, nossos juros estão baixos demais.

O real, nesse ínterim, não tem como ser valorizado. E enquanto a situação estiver como está, não há previsão de melhora.

A título de curiosidade: quais são as áreas mais afetadas pela pandemia do coronavírus?

Uma vez que, durante os períodos mais críticos da doença, é pedido aos cidadãos que não saiam de casa, existem diversos setores da economia que sofrem com a ausência de clientes.

Dado o fato de que o coronavírus possui fácil transmissão – razão pela qual pede-se aos indivíduos que mantenham-se afastados uns dos outros, para evitar o contato com a respiração, gotículas de saliva, entre outras coisas -, tornou-se primordial impedir aglomerações e o contato de pessoas em ambientes fechados.

Assim, as companhias aéreas têm realizado poucas viagens. Muitos passageiros reagendaram ou cancelaram os seus voos, o que fez com que muitas viagens fossem canceladas ou acontecem com pouquíssimos passageiros.

Não por acaso, as empresas do setor de turismo, que frequentemente têm parcerias com companhias aéreas, também estão preocupadas com a receita.