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Sustentabilidade e tecnologia serão pilares importantes para nova fase de crescimento de hotéis e restaurantes

Entre os meses de março e junho de 2020, o turismo sofreu uma queda que acabou gerando muita dor de cabeça para quem sobrevive do setor, com passageiros e viagens diminuindo, hóspedes parando de chegar e as dívidas se acumulando. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) estimou um prejuízo em torno de R$ 160 bilhões em 2020 e 2021, além do fechamento de até 1,1 milhão de postos de trabalho em todo o mundo no universo hoteleiro e de serviços.

Os efeitos da pandemia também vão se refletir no Produto Interno Bruto (PIB) do setor. A estimativa é de que as atividades só retornem de forma mais intensa no ano de 2022. A FGV concluiu que o indicador referente ao turismo ficou em torno de R$ 143,8 bilhões em 2020, um tombo de 46,9% em relação a 2019. Em 2021, o PIB do turismo somará R$ 236,5 bilhões, ainda 12,6% abaixo do resultado de dois anos atrás.

Por outro lado, a pausa forçada proporcionou reflexões entre os players deste mercado a respeito de como a indústria deverá se estruturar daqui para frente. Nesse sentido, não há dúvida de que sustentabilidade e a tecnologia serão pilares fundamentais para a retomada das viagens e lucratividade principalmente no setor de hotéis e restaurantes.

“O fluxo de turismo deverá se intensificar nos próximos dez anos e a geração dos millennials está determinada a prestigiar marcas que não só se importam com aspectos ambientais e sociais, mas também saibam comunicar essa mensagem de forma clara”, explica Carla Ricchetti, executiva internacional focada em investimentos globais em sustentabilidade e tecnologia na International Finance Corporation e blogger do Room & Spoon. 

“São os consumidores tech savvy, sempre a esperar que a tecnologia traga independência, rapidez e personalização. Até agora, sustentabilidade e tecnologia em hotéis e restaurantes eram apenas opções. Daqui para frente, serão condições fundamentais de sucesso do negócio”, explica.

Mudança de comportamento

No Brasil, os sistemas de reservas de hotéis tiveram um salto de 49% entre os bimestres julho/agosto (300 mil buscas) e setembro/outubro (447 mil buscas), segundo o mais recente levantamento da Nemo, uma das maiores empresas de Inteligência de Dados da América Latina, especializada em soluções para a indústria do turismo.

Hoje os hóspedes de hotéis entendem e prezam por uma política de sustentabilidade que considere, por exemplo, o uso de LED, aparelhos de ar condicionados mais eficientes, sensores e painéis solares.

Há ainda a questão comportamental: a abolição de práticas como trocar roupa de cama ou toalhas todos os dias em prol da diminuição do consumo de água. Na mesma direção, consumidores também estão buscando restaurantes que incluam nos cardápios ingredientes mais frescos, produzidos localmente, marcas que se importam com produção sustentável e com a substituição de embalagens e utensílios de plástico.

Um estudo realizado pela consultoria Nielsen concluiu que 75% dos entrevistados que fazem parte de gerações mais novas querem marcas, produtos ou serviços que se importam com sustentabilidade. A consequência para o setor de hotéis e restaurantes durante a pandemia é, consequentemente, a observância do distanciamento social e de padrões rígidos de limpeza.

Já é possível notar check-ins sendo realizados por meio de aplicativos com reconhecimento facial ou mesmo pela autenticação de identidades. Tem-se também a abertura da porta dos quartos permitida por celular, painéis de controle para ar condicionado e televisão sendo ativados por comando de voz ou ainda robôs circulando para esterilizar ambientes e ajudar nos serviços de quarto.

Em restaurantes, mudanças para cardápios virtuais já são possíveis com acesso dos clientes por meio de QR codes, isso sem falar nas modalidades de pagamento online e no uso de inteligência artificial para otimizar a cadeia de fornecedores e aplicativos de entregas. Essas tecnologias não são temporárias, vieram para ficar já que proporcionam agilidade operacional e redução de custos.

Sobre Carla Richetti

Carla Ricchetti é official de Investimentos da International Finance Corporation (IFC) – braço do Banco Mundial que investe no setor privado. Tem mais de 15 anos de experiência no mercado, tendo sido responsável pela movimentação de cerca de US$ 5 bilhões em investimentos em diversos setores como: energia renovável, edifícios verdes e tecnologias limpas em mercados emergentes. Carla já viajou para mais de 95 países e compartilha suas experiências através do perfil de viagens Room & Spoon, no Instagram que destaca hotéis e restaurantes que prezam por sustentabilidade e tecnologia.