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Testes para a vacina da Pfizer contra o novo coronavírus avançam na Argentina

Após uma extensa análise de profissionais de vários países do mundo, um grupo de pesquisadores argentinos foi selecionado para testar a vacina que a Pfizer fabrica em conjunto com a empresa alemã Biontech, em sua última fase. A equipe do BioNTech anunciou que a conclusão do estudo poderá ocorrer ainda no mês de dezembro deste ano, renovando as expectativas de uma rápida imunização em massa.

A seleção de um centro na Argentina para realizar esses estudos foi baseada em diferentes fatores que incluem a experiência científica do país em estudos clínicos, o conhecimento em doenças respiratórias virais e a capacidade logística.  No processo de seleção da Argentina, os dirigentes dos laboratórios farmacêuticos também destacaram o médico argentino Fernando Polack, diretor da Fundación Infant, que está realizando um estudo na Capital e na Grande Buenos Aires para determinar se o plasma convalescente COVID-19 reduz sintomas em outras pessoas infectadas.

A rodada de ensaios clínicos da fase três, que teve início neste mês de agosto, já recrutou mais de 2.000 voluntários argentinos e esse número deverá dobrar nos próximos dias. Embora ainda exista muito sigilo sobre os avanços dos testes, fontes próximas ao infectologista Fernando Polack, informaram que já foram organizados turnos para começar a aplicação das doses nas próximas semanas.

“Hoje eles começaram com a distribuição de turnos e logo os testes começarão, os estudos serão realizados por etapa, isso pode durar várias semanas até que um número aproximado de 4.000 voluntários seja atingido”, projetam fontes do laboratório americano Pfizer.

“A terceira fase que a Pfizer está testanto na Argentina não vacina todas as pessoas no mesmo dia. Como há um período de inscrição, os voluntários serão vacinados dependendo da ordem de chegada. Em seguida, haverá um acompanhamento para analisar a resposta dos anticorpos”, afirmou o médico especialista em doenças infecciosas Eduardo López.

Os testes consistem na aplicação de duas doses, uma inicial e a segunda após 21 dias. Durante este período, todos os voluntários – homens e mulheres entre 18 e 50 anos – serão consultados periodicamente com exames de sangue para ver a evolução do seu estado de saúde e os efeitos adversos da vacina.

O Ministério da Saúde da Argentina garantiu que também está trabalhando no desenvolvimento dos testes, embora tenham indicado que hoje os estudos estão nas mãos da equipe do Dr. Polack. Por sua vez, o portfólio de saúde da cidade de Buenos Aires também está ajudando na tarefa de recrutar voluntários, embora com foco nos profissionais da saúde.

Ao final das diferentes etapas do estudo, a Pfizer e a BioNTech indicaram que se os testes forem bem-sucedidos e a vacina receber a aprovação das entidades supervisoras, pretendem fabricar até 100 milhões de doses no restante do ano e potencialmente mais de 1,2 bilhão em 2021.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem atualmente 164 pesquisas de vacina em desenvolvimento no mundo. Entre elas, 25 já estão sendo testadas em humanos, sendo que apenas seis estão na última fase de ensaios clínicos (terceira fase). São elas: Pfizer/ BioNTech (Estados Unidos/ Alemanha); Oxford/ AstraZeneca (Reino Unido); Coronavac (China); Instituto Biológico de Pequim/ Sinopharm (China); CanSino Biologics Inc. (China); e Moderna/ NIAID (Estados Unidos). Após a conclusão dessa última etapa, as vacinas poderão ser licenciadas e, então, comercializadas.