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Vale a pena comprar ações em IPO? Confira as vantagens e desvantagens

Humor do mercado e IPOs concorrentes podem influenciar o preço das ações após estreia na Bolsa, mas os lucros podem compensar. Confira o que analisar antes de comprar uma ação.

A crise trazida pelo novo coronavírus tem provocado uma corrida dos investidores atrás de ações baratas e também de empresas à Bolsa de Valores. Atualmente, há quase 50 candidatas na fila de IPOs (oferta inicial de ações) aguardando aval da Comissão de Valores Mobiliários para iniciar as suas operações com capital aberto.

Em momentos como este, os investidores precisam ficar atentos na escolha dos melhores papéis, pois alguns fatores podem influenciar diretamente o preço das ações logo após a estreia na bolsa.

A oferta pública, como o nome sugere, é quando uma empresa resolve oferecer ações para o público, geralmente com a finalidade de captar recursos para expansões e outros investimentos.

Na IPO, o tipo mais comum de oferta pública, a empresa realiza a sua primeira distribuição pública de ações para começar a operar com capital aberto.

Para quem é indicado esse tipo de investimento?

É necessário ter um perfil específico para investir em ofertas públicas, em especial no caso de IPOs. O investidor deve ser capaz de suportar bem os riscos e possuir informações sobre a empresa na qual deseja investir.

É preciso também ficar atento aos “flippers”, investidores que participam de IPOs e vendem suas ações logo no primeiro dia, esperando uma eventual alta procura e consequente valorização dos ativos.

Quais as vantagens e desvantagens das ofertas públicas?

Muitos investidores são atraídos pela possibilidade de comprar um título de baixo valor e ver um crescimento rápido nos preços de uma ação adquirida em IPO. Porém, é preciso entender as vantagens e desvantagens deste tipo de investimento para não se arrepender da compra e nem perder dinheiro.

Vantagem

A principal vantagem de adquirir ações em ofertas públicas é a possibilidade de obter lucros rapidamente, já que as ações em IPO podem oferecer altos ganhos em curto prazo, principalmente no momento de estreia da ação na bolsa.

Desvantagens

Como em uma IPO a ação nunca foi negociada publicamente, o investidor não sabe se o preço do ativo corresponde a seu real valor de mercado, sendo bastante comum que ações sejam negociadas em queda já no seu dia de estreia, ou ainda que o preço dispare no dia de abertura de capital e despenque alguns dias depois.

Além disso, nos casos de alta procura, o número de ações por participante pode ser limitado, devido ao rateio realizado entre os interessados. Também existe a incidência de Imposto de Renda sobre os lucros dos investimentos.

Quais são os riscos de investir em IPOs?

O principal risco é o preço inicial cotado, pelo qual as ações são compradas na oferta pública, estar acima do aceito pelo mercado. Neste cenário, a ação já estreia na bolsa de valores em queda, e os preços continuam caindo até atingir o valor adequado e voltar a atrair investidores.

Para diminuir estes riscos, o investidor deve ter o máximo de informações sobre a empresa e seus planos, além de verificar suas condições em oferecer bons resultados a longo prazo, não apenas no período do IPO.

Em relação à tributação, é a mesma utilizada para compra de ações: 15% sobre os lucros nos meses com vendas superiores a R$ 20 mil (que são recolhidos pelo próprio investidor por meio de DARF no dia 30 do mês subsequente) e 20% para as operações no mesmo dia (no caso dos flippers).

Por que algumas ações disparam ou despencam após o IPO na Bolsa?

Na última terça-feira (2), a rede de farmácias Pague Menos (PGMN3) e a construtora Lavvi (LAVV3) abriram capital na bolsa de valores, com o preço dos ativos abaixo da faixa indicativa prevista no IPO, e desde então os papéis têm registrado movimentos diferentes.

A PGMN3 encerrou o dia de estreia cotada a R$ 10,30, com alta de 21,12% em relação aos R$ 8,50 precificados no IPO. No dia seguinte, o papel foi negociado a R$ 10,40, com alta de mais quase 1%.

Já a Lavvi teve ação negociada a R$ 9 na terça-feira, valor 5,26% abaixo dos R$ 9,50 precificados na estreia na bolsa. Na quarta, a ação encerrou o dia a R$ 8,86, uma queda de mais 1,55% em relação ao dia anterior.

Os papéis, que estrearam no mesmo dia, tiveram desempenhos diferentes devido à influência de dois principais fatores: o humor do mercado e as ofertas concorrentes.

Tanto a rede de farmácias quanto a construtora abriram capital em um momento próximo a outros pares. A Pague Menos concorre com as ações recém-lançadas na bolsa da Panvel (PNVL3) e da d1000 (DMVF3), que tiveram queda no preço de seus papéis após o lançamento.

Já a Lavvi tem uma concorrência muito mais expressiva, devido ao alto número de concorrentes que já operam na bolsa e que ainda pretendem entrar.

Após o IPO, os investidores fazem uma correção no preço da ação, avaliando se ele condiz com os múltiplos da empresa.

Tanto a Lavvi quanto a Pague Menos tiveram que abaixar o preço de suas ações para atrair investidores no lançamento, e o mercado entendeu que a Pague Menos ficou barata para seu múltiplo, gerando mais demanda por seus papéis, enquanto a Lavvi continuou sendo avaliada como cara.

Investir em uma empresa em sua estreia não é algo simples. É preciso analisar uma série de critérios e aprofundar-se nos fundamentos e números da organização. Por isso é sempre recomendada a consulta a um especialista antes de realizar seus investimentos.