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Voos cênicos: entenda como funcionam as viagens “sem destino”

Portrait of a Latin American man traveling by plane wearing a facemask during the COVID-19 pandemic and looking at Rio through the window

Nesse novo tipo de turismo, a atração principal é o tempo que se passa dentro do avião

(crédito: divulgação)

O turismo foi um dos setores mais afetados durante a pandemia e ainda sofre os impactos da necessidade de isolamento social. Mas, para não ficar paradas, empresas da segmentação se reinventaram para oferecer serviços possíveis agora que viajar não é mais tão simples quanto antes. É o caso dos chamados “voos cênicos”, que consistem em uma viagem na qual o endereço de destino é o mesmo da partida e a atração é o período que se passa dentro do avião.

Essa nova forma de lazer explora a saudade que os apaixonados por viagens estão da antiga rotina que tinham, e, para atrair ainda mais esse público, o voo pode oferecer comidas típicas, observação de paisagens e gincanas. Os passageiros relatam que essa é uma forma de se distrair e diminuir a ansiedade por voltar a viajar, sem nem precisar se preocupar com fatores que envolvem a ida real para outra cidade ou país, como bagagem, hospedagem e seguro viagem.

A novidade atualmente faz mais sucesso na Ásia e na Oceania, onde a empresa EVA Air, uma das primeiras a realizar esse tipo de entretenimento, esgotou passagens para voos em jatos decorados com temas como o desenho japonês Hello Kitty. Outra empresa, a All Nippon Airways, aposta em uma temática diferente para entreter seus 300 passageiros por voo: a ideia é fazê-los sentir como se estivessem em um resort no Havaí.

Mas a companhia aérea que mais obteve sucesso foi a Qantas, da Austrália, que teve todas as 134 passagens para “lugar nenhum” compradas em cerca de dez minutos. O passeio promete apresentar uma vista panorâmica de lugares marcantes do país, como a Grande Barreira de Corais, a praia de Bondi, as Ilhas Whitsunday, a Baía de Sydney e até a região do Outback.

Preços

Apesar de a viagem ser “de mentira”, os preços existem e não são baratos. Para ter a experiência na aeronave Dreamliner B787, da Qantas, que tem janelas maiores do que outros modelos, é necessário desembolsar entre 747 e 3.787 dólares australianos (cerca de 3 mil e 14.500 mil reais), dependendo se a classe escolhida é a primeira ou a econômica.

Impactos ambientais

Apesar de popular, a novidade também apresentou pontos negativos, que contrariam a tendência de redução de impactos no meio ambiente que a reclusão da população causou durante o isolamento social. O maior problema é que a aviação é responsável por 3,5% de todo o aquecimento global, de acordo com pesquisa internacional da Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido, e, para muitos ambientalistas, os voos cênicos estariam queimando combustíveis poluentes sem necessidade.

Em resposta a essa afirmação, a Qantas declarou ao jornal estadunidense The New York Times que teria adquirido compensações de carbono – iniciativa que busca arrecadar dinheiro para promover a redução de emissões, através de ações que variam desde a plantação de novas árvores até o investimento em energia limpa.