Conheci o trabalho do grande artista plástico Eymard Brandão em exposição no ICBEU – Instituto Cultural Brasil Estados Unidos, por volta de 1974.

Lançado por artistas da Escola Guignard, liderados por SARAH ÁVILA, críticos como Mari’Stella Tristão (Estado de Minas) e sob curadoria de Maria do Carmo Arantes (ambas da AICA – Associação Internacional de Críticos de Arte), Brandão exibia imagens de “orelhões” (cabines telefônicas de rua e áreas externas/internas).
Nos quadros, os objetos de comunicação ficavam localizados em paisagens insólitas. Montanhas, pradarias, cerrados e planaltos onde, de repente, o aparelho urbano surgia inserido, “falando” de segredos e de solidão.
Eu, aos meus vinte e dois anos, crescera imerso na capacidade de desenhar, e bem, de meu pai engenheiro Janos Capanema Andrade Santiago. Exigente, hiper-crítico, ele me exigia desenhar sem “colar”, sem copiar.

Aluno de Inimá e Arlinda Corrêa Lima na infância e adolescência, bati os olhos na figuração de Eymard e me encantei. Finura de traços precisos, minimalistas, podiam até ser perscrutados com lupa. Suavidade e sedução ante o olhar edificante.
A obra chegava-me antes de conhecer o artista seu autor, Eymard Brandão, com quem eu faria aulas avulsas na Escola Guignard nos anos 1990. E sobre quem hoje apresento estas páginas no jornal MG TURISMO.

Os trabalhos de Eymard Brandão atualmente variam materiais como tintas industrializadas e cores que ele mesmo cria, concatenando pigmentos de terras e minérios. Há, nas composições geométricas, a inserção de elementos tridimensionais resgatados dos campos e das urbanidades em que pesquisou. “O contato com a Escola criada pelo Mestre Guignard também tem sido marcante referência nos caminhos que percorri”. Eymard, desde sempre, reflete admiração e espanto, às vezes certo estranhamento perante a natureza em meio a qual até hoje se insere, residente que é numa área de preservação ecológica em Nova Lima, MG.

pinceladas, natureza tratada para efeito perene. Desenho e colagem. 39x29cm. 1984.






