quinta-feira, março 12, 2026
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Eymard Brandão: desde 1970, expressão pigmentada, desenho perfeito, voo original

Conheci o trabalho do grande artista plástico Eymard Brandão em exposição no ICBEU – Instituto Cultural Brasil Estados Unidos, por volta de 1974.

Professor Eymard Brandão foi Diretor da Escola Guignard em BH/MG. Ao fundo, trabalhos do artista.

Lançado por artistas da Escola Guignard, liderados por SARAH ÁVILA, críticos como  Mari’Stella Tristão (Estado de Minas) e sob curadoria de Maria do Carmo Arantes (ambas da AICA – Associação Internacional de Críticos de Arte), Brandão exibia imagens de “orelhões” (cabines telefônicas de rua e áreas externas/internas).

Nos  quadros, os objetos de comunicação ficavam localizados em paisagens insólitas. Montanhas, pradarias, cerrados e planaltos onde, de repente, o aparelho urbano surgia inserido, “falando” de segredos e de solidão.

Eu, aos meus vinte e dois anos, crescera imerso na capacidade de desenhar, e bem, de meu pai engenheiro Janos Capanema Andrade Santiago. Exigente, hiper-crítico, ele me exigia desenhar sem “colar”, sem copiar.

Intrigante “orelhão” receptor e receptáculo dos nossos segredos que pairam sobre a frieza da megalópole. Jogo de cores, recortes e deslocamentos espaciais. Desenho sobre papel Shöller montado. 22,5 x 32,5cm, 1978.

Aluno de Inimá e Arlinda Corrêa Lima na infância e adolescência, bati os olhos na figuração de Eymard e me encantei. Finura de traços precisos, minimalistas, podiam até ser perscrutados com lupa. Suavidade e sedução ante o olhar edificante.

A obra chegava-me antes de conhecer o artista seu autor, Eymard Brandão, com quem eu faria aulas avulsas na Escola Guignard nos anos 1990. E sobre quem hoje apresento estas páginas no jornal MG TURISMO.

Obra dos anos 1980, fase em que Eymard Brandão inseriu a surpresa da borracha em cima do “charcoal” (carvão), a imprimir movimentos luminosos. A divisão de cima e em parte de baixo se verifica, aqui sendo acoplada uma interface com a cor verde que parece boiar.

Os trabalhos de Eymard Brandão atualmente variam materiais como tintas industrializadas e cores que ele mesmo  cria,  concatenando pigmentos de terras e minérios. Há, nas composições geométricas, a inserção de elementos tridimensionais resgatados dos campos e das urbanidades em que pesquisou. “O contato com a Escola criada pelo Mestre Guignard também tem sido marcante referência nos caminhos que percorri”. Eymard, desde sempre, reflete admiração e espanto, às vezes certo estranhamento perante a natureza em meio a qual até hoje se insere, residente que é numa área de preservação ecológica  em Nova Lima, MG.

Mantendo a divisão de partes que se concatenam e se completam, Eymard cria e eternizando seu outono particular. Na somatório, resulta diálogo entre “still life” e movimento de lápis e cores. Sublime dança de lanças ou tulipas, em contraponto à folha seca com interferências de linhas e
pinceladas, natureza tratada para efeito perene. Desenho e colagem. 39x29cm. 1984.
Multiartista Eymard Brandão é também caricaturista, aqui relendo a imagem da professora e artista plástica Solange Botelho.