Na Semana Mundial do Glaucoma, especialistas destacam como algoritmos de IA e exames de retina estão revertendo o avanço do “ladrão silencioso da visão”.

Na Semana Mundial do Glaucoma (08 a 14 de março), a comunidade médica acende um alerta sobre aquela que é considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é responsável por cerca de 9% a 12% dos casos de perda total da visão no mundo, impactando aproximadamente 5,9 milhões de pessoas.
O cenário futuro é ainda mais desafiador indicando que até 2040, mais de 111 milhões de indivíduos poderão ser afetados por essa condição, reforçando a urgência de diagnósticos precoces e estratégias de prevenção mais robustas. Em meio a esses desafios, a medicina em 2026 celebra a consolidação da Inteligência Artificial (IA) como uma das maiores inovações tecnológicas na oftalmologia. Atualmente, softwares de ponta conseguem identificar o glaucoma através de uma única imagem de retinografia, analisando a escavação do nervo óptico e as fibras nervosas da retina com uma acurácia que supera a análise visual isolada.
A oftalmologista e professora da Afya Montes Claros, Dra Amanda Picanço, comenta que em 2026, a IA já é uma realidade consolidada. “Ela atua como um GPS de alta precisão, a IA utiliza algoritmos avançados para analisar exames de imagem ocular com mais agilidade, analisando exames como retinografia, tomografia de coerência óptica (OCT) e campo visual. Na prática, ela pode detectar alterações muito sutis, antes mesmo de serem perceptíveis ao olho humano, reduzir o tempo de análise dos exames e auxiliar médicos em regiões com poucos especialistas”.
Dados do Conselho Regional de Oftalmologia apontam que no Brasil, estima-se que mais de 1,7 milhão de pessoas tenham a doença, considerando que cerca de 2% da população acima de 40 anos está em risco. “A IA não substitui o médico, mas potencializa sua capacidade diagnóstica. Isso significa mais agilidade, mais precisão e maior alcance populacional. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, essa tecnologia pode ser transformadora”, complementa a oftalmologista.
Diagnóstico correto e precoce são fundamentais
Uma pesquisa divulgada em 2025 pela Glaucoma Research Foundation com mais de mil participantes revelou que 74% afirmam realizar exames oftalmológicos ao menos a cada dois anos. No entanto, apenas 43% relataram ter feito exames com dilatação da pupila, considerado o método mais eficaz para detectar alterações no nervo óptico e identificar o glaucoma precocemente. O dado evidencia que, embora haja preocupação com a saúde ocular, nem sempre os procedimentos mais indicados são realizados.
Dra Amanda Picanço explica que o exame com dilatação da pupila é fundamental, pois permite ao oftalmologista visualizar diretamente o nervo óptico, principal estrutura afetada pelo glaucoma. “Sem a dilatação, a avaliação pode ficar limitada. Com a pupila dilatada, é possível avaliar com mais precisão o formato e o grau de escavação do nervo óptico, identificar alterações iniciais, comparar os achados ao longo do tempo e direcionar melhor a solicitação de exames complementares. É importante destacar que muitos pacientes podem apresentar pressão ocular dentro da normalidade e, ainda assim, já terem dano no nervo óptico, algo que só é detectado por meio de um exame detalhado do fundo do olho”.
A professora da Afya Montes Claros também destaca que os avanços nos diagnósticos são fundamentais, uma vez que a doença é conhecida como “ladrão silencioso da visão”.
“Na maioria dos casos, a doença não provoca sintomas nas fases iniciais. A perda visual geralmente começa de forma sutil, afetando a visão periférica e avançando lentamente ao longo do tempo. Quando o paciente percebe alguma dificuldade para enxergar, o dano ao nervo óptico pode já estar em estágio significativo e, infelizmente, a visão que foi perdida não pode ser recuperada”, conclui a oftalmologista.




