Refúgio de turistas do Brasil e do mundo, o Nordeste do país vem perdendo a imagem bucólica para o tráfico e o medo. E, infelizmente, os números só crescem…

Assunto delicado e por vezes abafado para não prejudicar o turismo, fato é que a população de várias localidades litorâneas convive hoje com ameaças de facções criminosas que a cada dia ganham mais força, implantando terror nas mais diversas comunidades praieiras como Pipa, Porto de Galinhas, Caraíva e Jericoacora, entre muitos outros locais espalhados por nossa enorme costa.
Destinos conhecidos em praias do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia estão literalmente tomadas pelo crime, com os moradores e índios sendo obrigados a aceitar regras e sistemas impostos, sob pena de morte e decapitação para quem não as segue.
O poder público vende os destinos turísticos como refúgios de descanso e lazer, mas não garante o mínimo para a população, que, muitas vezes, vive em locais onde não há Delegacia de Polícia ou aparato mínimo de segurança próximo.
A venda de drogas ocorre à luz do dia e a vida local é dominada pelo poder paralelo das facções. Diferenças com maus pagamentos, divisão de terras, discussões de vizinhos, som alto, tudo deve passar pelo crivo da facção. A polícia já encontrou cemitérios clandestinos em regiões de mangue, onde são enterrados os julgados pelo tribunal por “burlar” leis próprias, como comercializar drogas sem a autorização dos líderes e ser informante da polícia.
Se antes as facções eram restritas às grandes cidades e às fronteiras, hoje, com a circulação de dinheiro pelos turistas de alto poder aquisitivo nessas vilas, formaram-se filiais do negócio de drogas. O descontrole vem desde a fronteira, passa pelos grandes centros e deságua nestes destinos que têm um turismo ligado a festas e uso recreativo de drogas, com muito movimento, mas com estrutura de cidade pequena, com poucos policiais e menos ainda presença do poder público.
O domínio das facções tem repercutido na mídia nos últimos anos diante de casos absurdos de homicídios, decapitações, toques de recolher, chantagem e brigas de comando, mas o fato é que a audácia desses grupos só cresce e as populações, antes acostumadas com a vida simples em comunidades praianas pequenas, estão se tornando cada dia mais reféns do crime e do terror.




