Nos últimos tempos foi cunhada a expressão ‘raiz’ quando se quer salientar ser original, ser pioneiro. É com esta qualificação que inicio o texto sobre Safari em Botswana.

País rico em recursos minerais e estável do ponto de vista político e econômico, obteve a independência em 1966, tem apenas 2,4 milhões de habitantes e a capital é Gaborone. Botswana é um país que esteve sob colonização inglesa assim como seus vizinhos Africa do Sul, Zambia (antiga Rodésia ) e Zimbabwe ( antiga Rodésia do Sul). O nome anterior era Bechualandia representando o grupo étnico Batswana descendente do povo Bantu, enquanto o nome Rodésia homenageou o desbravador inglês Cecil Rhodes nascido em 1853. Localizado na África Austral não tem acesso ao mar e faz fronteira também com Angola e Namíbia. O deserto de Kalahari ocupa 70% da área territorial e o Delta do Okavango é um fenômeno com as águas do Okavango se dissipando em um vasto pantanal. São dois patrimônios fantásticos da natureza.
O Parque Nacional do Rio Chobe fica no norte do país próximo às fronteiras com Namíbia, Zâmbia e Zimbábue e esta peculiaridade geográfica já é por si só uma atração. O grande diferencial em relação a outros safáris está na presença ainda pequena de turistas e nos passeios de barco que facilitam a visão dos animais selvagens em seu habitat natural. Ver crocodilos, hipopótamos e especialmente os elefantes que lá vivem em grandes manadas é uma experiência inigualável.
A vegetação de savana é semelhante ao nosso serrado e tem uma diversidade admirável. As enormes árvores Baobá com seus troncos largos nos trazem imagens diferentes (no Zoológico de Belo Horizonte tem um Baobá em crescimento).
Uma opção muito interessante é combinar uma visita à Cataratas de Victoria Falls na divisa Zâmbia com Zimbábwe com o Safári pelo Rio Chobe. A distância é de cerca de uma hora em estrada asfaltada onde por mais uma vez se cruza com elefantes selvagens.
Victoria Falls merece um texto à parte sendo uma das três grandes cataratas do mundo , rivalizando com Niagara Falls na divisa Canadá com Estados Unidos e a nossa Cataratas do Iguaçu na divisa Brasil e Argentina. Sem risco de erro ou de ser excessivamente nacionalista, pode-se dizer que a mais bonita é Iguaçu.
A cidade de Victoria Falls fica em Zimbábwe, país que enfrentou até pouco tempo atrás uma hiperinflação que chegou a ter a impressão de notas de um trilhão de dólares do Zimbábwe. Hoje, com a economia se estabilizando, Victoria Falls é a base turística da visitação com muitos hotéis como o icônico Victoria Falls Hotel construído pelos ingleses no período colonial para abrigar especialmente os construtores da ferrovia que ligaria a cidade do Cairo no Egito à cidade do Cabo na Àfrica do Sul mas que não chegou à conclusão. Entretanto existem trens de luxo que ligam as Cataratas até a capital sul-africana Pretória cujos custos da ordem de 15 mil dólares por pessoa restringem os usuários.
Livingstone em Zâmbia é outra cidade próxima das Cataratas, sendo maior do que Victoria e também tendo o suporte necessário para o turismo raiz.
E como chegar do Brasil? A melhor opção é pelos voos da LATAM e da SOUTH AFRICAN que ligam São Paulo a Joanesburgo e Cidade do Cabo e de lá outro voo com diversas opções para Livingstone ou Victoria Falls. Pode-se também ir para Luanda que tem ligações do Brasil e da capital angolana para as cidades que estão próximas do Parque Nacional do Chobe. Registre-se que nossa saudosa VARIG já teve voos nos mesmos trajetos transatlânticos.
A África é sem dúvida uma fronteira turística que merece ser visitada sendo um continente cuja população tem pelos brasileiros não só os vínculos de origem, mas também a simpatia pelo nosso povo.




