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Museu da Inquisição: Reinauguração é marco histórico e cultural

O belíssimo Museu da Inquisição, o primeiro do Brasil, fundado em 19 de agosto de 2012, foi reinaugurado ontem em grande estilo, reunindo elegância, conteúdo histórico relevante e uma recepção memorável.

Tive a imensa satisfação e honra de participar deste momento singular, a convite do amigo Dr. Marcelo Miranda Guimarães, escritor, pesquisador, teólogo, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e fundador deste importante espaço cultural, uma iniciativa privada que se consolida como referência nacional.

A Casa dos Açores de Minas Gerais esteve presente e se fez representar neste evento de elevado significado histórico, especialmente pela inclusão de um painel dedicado aos Açores, que passa a integrar de forma permanente o contexto expositivo do museu.

Inquisição

A história revela que a presença de judeus e cristãos-novos nos Açores remonta ao decreto de 1496, durante o reinado de Dom Manuel I. Episódios marcantes, como o martírio do médico António Borges, queimado pela Inquisição em 1559, e o caso de Maria Lopes, evidenciam a dureza deste período.

A partir de 1575, com a primeira visitação do Tribunal do Santo Ofício, diversos açorianos foram perseguidos. Entre os que migraram para o Brasil, destacam-se famílias como Bicudo, Resende da Costa, Fernandes de Melo, Homem de Carvalho, Fernandes e Azevedo, cujos legados permanecem vivos em nossa formação histórica.

Após o fim da Inquisição, em 1821, os Açores receberam judeus marroquinos de origem espanhola, como as famílias Bensaúde, Buzaglo, Benayón, Sentob, Aflalo e Metaná, enriquecendo ainda mais o mosaico cultural do arquipélago.

Estudos indicam que 13,4% da população açoriana possui ascendência judaica, reforçando a profundidade dessa herança histórica.

Cônsul de Portugal Eurico Daniel Lagoa conversa com o Fundador
do Museu da Inquisição

Minas e os Açores

Durante o ciclo do ouro no século XVIII, muitos açorianos migraram para o Brasil, especialmente para Minas Gerais, contribuindo decisivamente para a formação cultural, social e econômica da região.

“Os açorianos deixaram mais do que pegadas: trouxeram fé, coragem e esperança para as montanhas de Minas. Seus sobrenomes ecoam nas famílias, suas tradições ainda iluminam festas e rezas, sua fala deixou marcas na língua que aqui floresceu. Vieram do mar para semear identidade, fundindo o Atlântico ao coração do Brasil.” texto que assinei com muito orgulho.

Este novo painel representa um reconhecimento histórico essencial e reforça os laços entre Açores, Portugal e Brasil, valorizando a memória, a identidade e as raízes que nos unem.

O autor deste texto Cláudio Motta, pesquisador do Judaísmo, Cônsul do México e Presidente da Casa dos Açores em Minas Gerais

FOTOS DIIVULGAÇÃO/MUSEU DA INQUISIÇÃO