A Blis AI, traveltech criada pelos mineiros Rafael Cohen, Rodrigo Cioffi e Luiz Antunes, aposta em agentes de inteligência artificial integrados ao WhatsApp para automatizar operações de agências de viagens. A startup projeta encerrar 2026 com Receita Anual Recorrente (ARR) de R$ 8 milhões e 150 contratos ativos.
A plataforma foi desenvolvida para executar tarefas como buscas, reservas, inclusão de bagagens, cancelamentos e remarcações de voos por meio de mensagens de texto ou áudio. Segundo a empresa, seus agentes virtuais podem elevar em até 400% a produtividade em determinados processos operacionais quando comparados ao trabalho exclusivamente humano.
Blis AI nasceu após experiência frustrada na pandemia
A trajetória dos três fundadores começou antes da criação da traveltech. Cohen, Cioffi e Antunes se conheceram durante a faculdade no Ibmec, em Belo Horizonte, e tiveram sua primeira experiência empreendedora conjunta em 2020.
Aos 19 anos, eles criaram a Easy Barbers, marketplace que conectava barbeiros autônomos a clientes interessados em cortar o cabelo em casa durante o período de restrições sanitárias da pandemia.
Segundo os fundadores, a operação chegou a realizar milhares de cortes em Belo Horizonte. Com o avanço da vacinação e a retomada das atividades presenciais, entretanto, o comportamento dos consumidores mudou e o negócio foi encerrado em 2021.
“Nossa tese era de que o corte em casa continuaria forte, mas o público masculino valoriza a barbearia como um momento social”, relembram os fundadores.
Para Rodrigo Cioffi, atualmente COO da Blis AI, a experiência trouxe um aprendizado que influenciou a escolha do novo mercado.
“Entendemos que uma boa execução não basta. É preciso escolher um mercado grande, recorrente e com uma dor estrutural forte o suficiente para sustentar a escala”, avalia Cioffi.
Experiências profissionais levaram trio ao turismo
Após o encerramento da Easy Barbers, os três seguiram trajetórias profissionais diferentes. Rafael Cohen mudou-se para São Paulo e trabalhou durante quase quatro anos na BeFly, onde teve contato com processos e desafios operacionais das agências de viagens.
Luiz Antunes aprofundou sua formação tecnológica ao estudar Engenharia de Software na PUC. Rodrigo Cioffi, por sua vez, fundou a Digital Bot, empresa parceira da Blip que chegou a contar com 70 colaboradores.
A nova oportunidade surgiu depois que Cohen e Antunes passaram uma temporada no Vale do Silício acompanhando o desenvolvimento da inteligência artificial generativa. A partir da experiência no setor de turismo, os fundadores identificaram processos ainda dependentes de atividades manuais, e-mails, ligações e sistemas desenvolvidos nas décadas de 1990 e 2000.
IA executa reservas e remarcações pelo WhatsApp
A proposta da Blis AI é ir além dos chatbots convencionais usados para responder perguntas frequentes. A plataforma integra seus agentes de inteligência artificial a sistemas utilizados pelo setor, incluindo GDS, NDC e plataformas de back-office.
De acordo com a empresa, a tecnologia consegue realizar processos de ponta a ponta em canais conversacionais como web e WhatsApp.
Entre as operações automatizadas pela plataforma estão:
- cotações e buscas;
- reservas de hotéis;
- reservas e emissões de passagens;
- marcação de assentos;
- inclusão de bagagens;
- cancelamentos;
- remarcações de voos;
- reembolsos de passagens.
A tecnologia é direcionada a agências de viagens, TMCs, consolidadoras e companhias aéreas.
Empresa afirma que produtividade pode crescer até 400%
Segundo a Blis AI, empresas que utilizam seus agentes virtuais registram ganhos de produtividade de até 400% em determinados processos operacionais. A intenção é transferir atividades repetitivas para a automação e liberar os consultores para atendimentos considerados mais complexos e estratégicos.
A startup relata o caso de uma agência corporativa que corria o risco de perder uma conta responsável pela movimentação de dezenas de milhões de reais por ano em passagens. Conforme a empresa, a apresentação da tecnologia da Blis AI como diferencial de atendimento pelo WhatsApp ajudou a agência a manter o contrato durante um processo de concorrência.
Blis AI captou R$ 1 milhão e atrai investidores
A empresa realizou o lançamento oficial da marca durante a LACTE 2026 e captou R$ 1 milhão em uma rodada pré-seed destinada à estruturação da equipe de engenharia.
Segundo o material divulgado, investidores também demonstraram interesse em realizar aportes considerando uma avaliação de mercado de R$ 30 milhões para a startup.
A Blis AI informou ainda ter fechado uma nova rodada de captação de investimentos no segundo semestre de 2026. Os recursos serão utilizados nos planos de crescimento e expansão para a América Latina.
Startup projeta ARR de R$ 8 milhões em 2026
A meta da Blis AI é encerrar 2026 com Receita Anual Recorrente de R$ 8 milhões e alcançar 150 contratos ativos.
A empresa mantém parceria com a Flytour e informa possuir atualmente uma fila de espera superior a 160 agências interessadas na implementação da tecnologia.
“A inteligência artificial vai transformar profundamente o papel das agências de viagens nos próximos anos. A IA vai assumir o trabalho massivo e repetitivo, enquanto o ser humano focará no relacionamento, na confiança e no atendimento consultivo. Quem adotar essa transformação primeiro terá uma vantagem competitiva imbatível”, afirma o CEO Rafael Cohen.
A Blis AI opera no modelo B2B2C e se apresenta como uma traveltech especializada em agentes de inteligência artificial para automação de operações no setor de viagens, com foco em VTES (Vertical Travel & Expense System).
Mais informações sobre a empresa estão disponíveis no site oficial da Blis AI.





