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Bares e restaurantes evitam repassar aumentos para o cardápio

Inflação do setor deve ficar novamente abaixo do índice geral em janeiro, segundo o IPCA-15. Estabelecimentos evitam ajustar cardápio, mesmo com a volta do movimento

Bares e restaurantes têm evitado aumentar os preço temendo afastar os clientes. (Foto: Tânia Rego)

Bares e restaurantes estão enfrentando desafios em relação à capacidade de acompanhar a inflação. Com 52% das empresas operando sem lucro em dezembro, segundo apontou pesquisa da Abrasel, o setor está buscando maneiras de lidar com uma alta de preços menor do que o índice geral de inflação.

A inflação no setor de alimentação fora do lar desacelerou em janeiro, ficando abaixo do índice geral. Segundo o IPCA-15, considerado a prévia da inflação e divulgado pelo IBGE, o setor registrou uma inflação de 0,24%, enquanto o índice geral encerrou em 0,31%. Isso reflete a tentativa dos empreendedores de evitar repassar os aumentos de preços aos consumidores, visando manter o faturamento.

No entanto, os alimentos e bebidas tiveram um aumento mais significativo, chegando a 1,53%. Esses dados corroboram com a pesquisa mais recente da Abrasel, que revelou que cerca de 49% dos empreendedores não conseguiram reajustar os preços de seus produtos de acordo com a inflação no último mês, sendo que 18% reajustaram abaixo e 31% não alteraram os preços.

A pesquisa também apontou que 52% das empresas operaram sem lucro em dezembro, com 18% tendo prejuízo e 34% se mantendo em equilíbrio financeiro.

A queda na inflação do setor de alimentação fora do lar indica que os empreendedores estão evitando repassar integralmente o aumento dos alimentos e bebidas para os consumidores. Essa estratégia pode ser compreendida como uma forma de preservar a demanda do setor, porém, a estratégia enfrenta problemas com a alta dos alimentos e bebidas.

“A parte do setor que está trabalhando sem lucro evitou aumentar os preços, temendo afastar clientes. E mesmo aqueles que estão no azul não querem perder o embalo de uma época com bom movimento, como foi dezembro. No entanto, com a alta mais forte dos principais insumos, isso pode não perdurar”, explica Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.