A caução do visto americano pode chegar a US$ 20 mil para cidadãos de determinados países que solicitam os vistos B1 e B2, voltados principalmente a viagens de negócios e turismo. O programa dos Estados Unidos tornou-se permanente em 3 de agosto e atualmente alcança 50 países, sem incluir o Brasil.
Na prática, brasileiros não precisam pagar essa caução para solicitar o visto americano nas condições atuais. A possibilidade de ampliação do programa, porém, tem despertado atenção entre viajantes e representantes do setor de turismo.
Como funciona a caução do visto americano?
A caução funciona como uma garantia financeira vinculada ao cumprimento das condições do visto. Pela regra permanente, o valor pode ser estabelecido em três faixas:
- US$ 10.000,00;
- US$ 15.000,00;
- US$ 20.000,00.
O dinheiro pode ser devolvido quando o viajante cumpre as condições estabelecidas, como deixar os Estados Unidos dentro do período autorizado.
Segundo Caroline Azevedo, advogada da Visa Finder especializada em imigração e licenciada nos Estados Unidos, a regra não significa que brasileiros precisem desembolsar esses valores atualmente.
“É importante deixar claro que o Brasil não faz parte da lista atual de países sujeitos ao caução. O que chama atenção neste momento é a transformação de uma medida que era temporária em uma política permanente e a possibilidade de novos países serem incluídos. Para o viajante brasileiro, não existe hoje motivo para pagar qualquer valor desse tipo ao solicitar o visto de turismo”, explica.
Por que os Estados Unidos adotaram a caução?
De acordo com o material divulgado, o programa foi criado como uma ferramenta para reduzir casos de permanência nos Estados Unidos além do período autorizado pelo visto.
Durante a fase piloto, os resultados levaram o governo norte-americano a transformar o mecanismo em uma política permanente.
A medida também foi acompanhada por redução na procura pelos vistos nos países incluídos. Segundo dados apresentados no processo de regulamentação, a emissão de vistos B1/B2 caiu 83% durante os primeiros dez meses da experiência.
Brasil está sujeito à caução de US$ 20 mil?
Não. Conforme as informações disponíveis no material, o Brasil não integra atualmente a lista dos 50 países sujeitos à exigência.
A especialista ressalta ainda que existe diferença entre uma taxa e uma caução. Embora o valor possa ser devolvido, o viajante precisa ter o recurso disponível durante o processo.
“Existe uma diferença grande entre uma taxa e uma caução, e isso precisa ficar claro. A caução não significa necessariamente perder US$ 20 mil, mas exige que o viajante tenha esse recurso disponível. Se uma política como essa alcançasse mercados maiores, o impacto sobre a decisão de viajar seria considerável”, afirma Caroline.
A lista de nacionalidades submetidas à caução é definida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e pode sofrer alterações.
Viajantes devem evitar cobranças não oficiais
Para brasileiros que já possuem ou pretendem solicitar o visto americano, a orientação apresentada é acompanhar informações divulgadas por canais oficiais e evitar pagamentos antecipados a terceiros sob a alegação de uma nova “taxa de US$ 20 mil”.
“Uma notícia como essa naturalmente gera preocupação e também abre espaço para informações distorcidas. O brasileiro precisa saber que não existe hoje essa cobrança para solicitar o visto americano. Caso haja qualquer mudança que envolva o país, ela precisa ser oficialmente comunicada pelas autoridades norte-americanas”, reforça a especialista.
Setor de turismo acompanha possível expansão
A U.S. Travel Association, entidade que representa o setor de viagens nos Estados Unidos, manifestou preocupação com uma eventual ampliação da política para outras nacionalidades.
Dados preliminares citados pela entidade apontam queda de 4,3% nas viagens internacionais aos Estados Unidos no acumulado de 2026 até junho.
Para o setor turístico, uma expansão do programa para mercados maiores poderia criar uma barreira financeira adicional. Mesmo sendo reembolsável, uma caução de até US$ 20 mil exige que o viajante mantenha uma quantia significativa comprometida durante o processo.





