O extravio de bagagem caiu 23% em 2025, mesmo com o aumento do número de passageiros no transporte aéreo mundial. A taxa recuou para 4,9 malas por 1.000 viajantes, segundo o relatório “Baggage IT Insights” de 2026, divulgado pela SITA em 29 de junho de 2026.
O levantamento mostra que 5 bilhões de passageiros viajaram de avião em 2025, ante 4,8 bilhões no ano anterior. No mesmo período, o volume de bagagens extraviadas diminuiu 19%, chegando a 24 milhões de malas. Tanto a taxa quanto o volume ficaram abaixo dos níveis registrados antes da pandemia.
Apesar da melhora operacional, o problema ainda representa um custo anual de US$ 6,3 bilhões para o setor aéreo, valor equivalente a aproximadamente 15% do lucro total da indústria.
Extravio de bagagem ainda custa US$ 260 por mala
O relatório atualizou o custo médio provocado por cada bagagem extraviada para US$ 260. O novo parâmetro substitui a estimativa de US$ 150, utilizada durante anos pelo setor e considerada desatualizada pela SITA.
Segundo o estudo, o lucro líquido médio das companhias aéreas é de aproximadamente US$ 8 por passageiro. Dessa forma, uma única mala extraviada pode eliminar o lucro gerado por mais de 30 assentos vendidos. Cinco ocorrências podem anular o resultado financeiro de um voo inteiro.
Na América do Sul, o custo médio é de US$ 240 por mala, incluindo indenizações. O valor está abaixo da média global de US$ 260 e representa o terceiro menor custo entre as regiões analisadas.
O relatório não apresenta uma taxa específica de extravio para a América do Sul. O dado disponível reúne as Américas em um único agrupamento, com índice de 5,6 bagagens por 1.000 passageiros.
Tecnologia melhora rastreamento e recuperação
De acordo com a SITA, a redução registrada em 2025 não resultou de uma única ferramenta, mas da integração entre diferentes sistemas. Entre as tecnologias utilizadas estão compartilhamento de dados em tempo real, roteamento por inteligência artificial, despacho biométrico de bagagens e dispositivos de localização dos próprios passageiros.
“A bagagem está deixando de ser um problema logístico para se tornar um serviço digital”, afirma Nicole Hogg, diretora de portfólio de bagagem da SITA. “Os passageiros querem saber onde está sua mala a todo momento e estão cada vez mais dispostos a nos ajudar a rastreá-la.”
Segundo a executiva, a próxima etapa será ampliar essas tecnologias para transferências, agentes de bagagem e aeroportos, conectando todas as fases da viagem e oferecendo mais visibilidade aos passageiros.
A integração do recurso Find My, da Apple, com o sistema SITA WorldTracer® reduziu em 90% a perda definitiva de bagagens durante o primeiro ano de operação. A tecnologia também diminuiu em 26% o tempo necessário para recuperar malas atrasadas.
A SITA informou ainda que integrou ao sistema o compartilhamento de localização de itens do Find Hub, do Google. Outro exemplo citado é o da Thai Airways, que utiliza o Auto Reflight, da SITA, e reduziu de três minutos para um segundo o tempo de processamento por mala em nove aeroportos.
Conexões concentram 39% dos problemas
As bagagens atrasadas representam aproximadamente 70% do custo total provocado pelas ocorrências. A maior parte dessas despesas está relacionada à localização, ao redirecionamento e à entrega das malas aos passageiros.
Nos casos de bagagens perdidas ou danificadas, até 70% dos gastos correspondem ao pagamento de indenizações.
As conexões entre voos continuam sendo a principal causa de falhas no transporte das malas. Em 2025, elas responderam por 39% das ocorrências, abaixo dos 41% registrados em 2024.
Na avaliação de David Lavorel, CEO da SITA, os aeroportos operam cada vez mais próximos de seus limites físicos, enquanto o número de passageiros continua crescendo.
“Dados, inteligência artificial e operações preditivas nos permitem tirar maior proveito do aeroporto que já temos, no check-in, na segurança, no portão de embarque, na pista de manobras e nas salas de bagagem”, afirma Lavorel.
Companhias aéreas planejam ampliar investimentos
O relatório aponta que três em cada quatro companhias aéreas pretendem investir em inteligência artificial nos próximos dois anos. Metade das empresas também planeja fornecer aos passageiros atualizações em tempo real sobre a localização das bagagens.
O rastreamento de malas previsto pela Resolução 753 da Associação Internacional de Transporte Aéreo, a IATA, já ultrapassou 50% de implementação no setor. A meta é alcançar conformidade total em 2027.
Entre as próximas soluções avaliadas pela indústria estão a possibilidade de etiquetar bagagens em casa, despachá-las a partir de veículos e transportá-las em aeronaves diferentes daquela utilizada pelo passageiro.
A SITA fornece tecnologias para mais de 1.000 aeroportos e 19.600 aeronaves, além de atender aproximadamente 2.500 clientes e mais de 70 governos. Informações adicionais sobre a empresa estão disponíveis no site oficial da SITA.





