Uma viagem para a neve exige cuidados que vão além das atividades de esqui e snowboard. Quedas em ruas congeladas, queimaduras solares, problemas com medicamentos, dificuldades ao dirigir e atrasos de voos estão entre os imprevistos apontados pela Coris para turistas que visitam destinos de inverno.
Com o aumento das viagens internacionais e da procura por destinos como Bariloche, na Argentina, e Valle Nevado, no Chile, o planejamento ganha importância. Segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), o setor de viagens e turismo deve crescer 4,1% na América Central e do Sul em 2026, acima da projeção global de 3,2%. As informações estão disponíveis no levantamento divulgado pelo WTTC.
De acordo com Cláudia Brito, sócia-diretora comercial da Coris, muitos problemas não acontecem nas pistas, mas durante caminhadas, deslocamentos e períodos prolongados de exposição ao frio e ao sol.
“Os imprevistos mais frequentes acontecem durante caminhadas pelas cidades, deslocamentos entre atrações ou até pela exposição prolongada ao frio — e, muitas vezes, ao sol, que parece inofensivo em razão da baixa sensação térmica. O planejamento começa muito antes do embarque e inclui conhecer os riscos do destino e viajar com uma assistência adequada para lidar com situações inesperadas”, explica Cláudia Brito.
Cinco riscos comuns em uma viagem para a neve
1. Quedas em ruas e calçadas congeladas
Caminhar sobre gelo ou neve compactada pode ser um desafio para turistas que não estão acostumados a essas condições. Escorregões podem provocar torções, luxações e fraturas.
Um dos riscos é o chamado black ice, uma camada fina de gelo que pode se formar sobre a superfície e ser praticamente invisível.
2. Queimaduras solares e irritações nos olhos
As baixas temperaturas não eliminam os riscos provocados pela radiação ultravioleta. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a neve pode refletir até 80% dos raios UV.
Em áreas montanhosas, a intensidade da radiação também aumenta conforme a altitude. Sem proteção adequada, podem ocorrer queimaduras solares, rachaduras nos lábios e irritações oculares.
3. Direção em estradas congeladas
Quem pretende alugar um veículo durante uma viagem para um destino de inverno também precisa considerar as condições das estradas. Gelo e neve compactada reduzem a aderência dos pneus e elevam o risco de derrapagens e colisões.
Segundo a Coris, danos ao carro alugado normalmente dependem do seguro da locadora ou de proteções contratadas separadamente e não são cobertos pelo seguro viagem. Despesas médicas decorrentes de acidentes, porém, podem estar previstas conforme as coberturas contratadas.
4. Conservação de medicamentos
Medicamentos termossensíveis, como insulinas, canetas para diabetes e determinados colírios, precisam permanecer dentro das faixas de temperatura indicadas pelos fabricantes.
O congelamento pode alterar as propriedades desses medicamentos e reduzir sua eficácia. Caso ocorra uma piora clínica, o viajante pode precisar de atendimento médico e de nova prescrição no destino.
5. Atrasos e cancelamentos de voos
Nevascas, tempestades de inverno e baixa visibilidade podem provocar atrasos e cancelamentos, afetando conexões aéreas, reservas de hotéis e outros compromissos do roteiro.
O material alerta que o viajante deve verificar previamente as condições do seguro contratado, pois a existência de um fenômeno climático não significa, por si só, que todas as despesas decorrentes serão cobertas.
Como reduzir riscos durante viagens para a neve
Alguns cuidados podem ajudar a diminuir a possibilidade de imprevistos durante a estadia em destinos de inverno:
- utilizar calçados com solado antiderrapante para caminhar sobre gelo ou neve;
- usar protetor solar, protetor labial e óculos com proteção UV, inclusive em dias nublados;
- transportar medicamentos de acordo com as orientações de conservação do fabricante;
- consultar a previsão do tempo antes de realizar deslocamentos de carro;
- evitar dirigir em condições extremas sem experiência;
- usar roupas apropriadas para frio intenso e fazer pausas em ambientes aquecidos quando necessário;
- conferir previamente as coberturas e exclusões do seguro contratado.
O que verificar no seguro viagem
Segundo Cláudia Brito, o turista deve analisar se o plano contempla despesas médicas e hospitalares, remoção médica, assistência farmacêutica e extravio de bagagem.
“Em viagens para destinos de inverno, vale verificar se o seguro viagem contempla coberturas como despesas médicas e hospitalares, remoção médica, assistência farmacêutica e extravio de bagagem. Também é importante conferir se o plano atende às atividades que serão realizadas durante a viagem e conhecer as exclusões contratuais para que a experiência fique ainda mais proveitosa”, reforça a executiva.
A recomendação é verificar também se as atividades planejadas durante a viagem estão incluídas nas condições do plano contratado, especialmente quando o roteiro envolve práticas esportivas ou outras atividades específicas.





