sexta-feira, maio 29, 2026
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Você realmente entende o que significa ser deportado? Especialista alerta para erros que podem mudar a vida de um imigrante

MESA, AZ - JUNE 24: An undocumented Guatemalan immigrant, chained for being charged as a criminal, prepares to board a deportation flight to Guatemala City, Guatemala at Phoenix-Mesa Gateway Airport on June 24, 2011 in Mesa, Arizona. The U.S. Immigration and Customs Enforcement agency, ICE, repatriates thousands of undocumented Guatemalans monthly, many of whom are caught in the controversial "Secure Communities" data-sharing program which puts local police on the frontlines of national immigration enforcement. ICE recently announced a set of adjustments to the federal program after many local communities and some states, including New York, insisted on opting out, saying immigrants were being deported for minor offenses such as traffic violations. Guatemala ranks only second to Mexico in the number of illegal immigrants deported from the United States. John Moore/Getty Images/AFP (Photo by JOHN MOORE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

Muitos brasileiros que vivem fora do país, ou sonham em construir uma vida no exterior, ainda confundem conceitos ligados à imigração e acreditam que ser “deportado” significa apenas ser mandado de volta ao Brasil. Somente em 2025, pelo menos 3.294 imigrantes do Brasil foram expulsos do território norte-americano ao longo do ano, em 2024, foram 1.648, o que representa um aumento de 99,8%, de acordo com dados do G1.

JOHN MOORE /Getty Images via AFP

Na prática, o processo de deportação pode envolver consequências jurídicas, restrições futuras e impactos que vão muito além do retorno ao país de origem. O advogado especialista em imigração, Diego Felis Sales, explica que esse procedimento se inicia quando uma pessoa permanece em um país de forma irregular ou viola normas migratórias estabelecidas pelas autoridades locais.

Segundo ele, cada país possui regras próprias, mas existem situações recorrentes que costumam acender o alerta das autoridades, como permanência após o vencimento do visto, informações falsas em processos migratórios ou descumprimento das condições autorizadas de entrada.

“Existe uma ideia muito simplificada sobre deportação, como se fosse apenas um embarque de volta ao país de origem. Mas o processo pode envolver investigação migratória, detenção temporária, proibição de retorno por anos e até impactos em futuros pedidos de visto para outros países”, explica Sales.

O especialista destaca que muitos brasileiros acabam entrando em situações de risco por acreditarem em informações compartilhadas nas redes sociais ou em relatos de conhecidos que não refletem a realidade jurídica de cada caso.

“Cada processo migratório possui particularidades. O que aconteceu com uma pessoa não necessariamente servirá para outra. Muitas decisões tomadas sem orientação adequada acabam gerando consequências difíceis de reverter depois”, alerta.

Outro ponto que chama atenção é que nem toda retirada obrigatória de um país configura exatamente o mesmo procedimento jurídico. Em alguns casos existem diferenças entre deportação, expulsão e extradição, termos frequentemente usados como sinônimos, mas que possuem significados distintos dentro do Direito Internacional e das legislações migratórias.

Para Diego, a principal forma de evitar problemas migratórios é atuar preventivamente e compreender as exigências legais antes mesmo da viagem. “O planejamento migratório deixou de ser apenas uma burocracia. Hoje ele é uma medida de proteção jurídica e financeira para quem deseja morar, trabalhar ou estudar fora com segurança”, conclui.

Sobre Diego Sales

Diego Sales é advogado licenciado no Brasil, com mais de 14 anos de experiência em direito de imigração e direito corporativo. Ao longo de sua carreira, atuou em escritórios de advocacia e empresas de tecnologia tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.