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Turismo na Coreia do Norte: o Reino Eremita

Pyongyang em artigo sobre turismo na Coreia do NorteArquivo pessoal

Turismo na Coreia do Norte é um tema cercado por curiosidade, restrições e contrastes. Localizado no leste da Ásia, na parte norte da Península Coreana, o país tem regime comunista de forte controle político e permanece entre os destinos mais fechados do mundo.

A capital é Pyongyang, a população é de cerca de 26 milhões de habitantes e a moeda local é o won norte-coreano. O atual líder é Kim Jong-un, neto de Kim Il-sung, fundador do país.

Eduardo Azeredo, novo articulista do Jornal MG Turismo, ex-governador de Minas Gerais, ex-senador da República e ex-prefeito de Belo Horizonte, apresenta neste artigo um olhar sobre a história, os símbolos, os contrastes e as peculiaridades da Coreia do Norte.

Turismo na Coreia do Norte e isolamento político

A Coreia do Norte nasceu em meio às tensões do pós-guerra. O Japão dominou a Península Coreana durante longo período e, após o fim da Segunda Guerra Mundial, houve a divisão entre dois países: a Coreia do Norte, apoiada pela Rússia, e a Coreia do Sul, apoiada pelos Estados Unidos.

Em 1950, Kim Il-sung deu início à Guerra da Coreia, conflito que contou com a participação dos Estados Unidos. Oficialmente, a guerra ainda não foi encerrada por um tratado de paz, permanecendo sob armistício.

O culto à personalidade, já na terceira geração da família no poder, é uma das marcas mais visíveis do país. Fotografias, estátuas, monumentos e manifestações públicas de reverência aos líderes compõem parte importante da paisagem política e urbana norte-coreana.

Pyongyang, monumentos e símbolos do regime

A ligação da Coreia do Norte com o exterior é limitada. Trata-se de um país de economia fechada, com pouca participação internacional e circulação restrita de estrangeiros.

Segundo o texto de Eduardo Azeredo, o Brasil mantém embaixada em Pyongyang, enquanto a Coreia do Norte possui representação diplomática em Brasília. Para quem deseja visitar o país, o processo de obtenção de visto exige tempo e paciência.

O articulista também recorda que Arnaldo Carrillo, primeiro embaixador do Brasil em Pyongyang, comentava em conversas reservadas que precisava ir a Pequim para reabastecer a residência oficial. A ligação aérea com a capital chinesa é associada à Air Koryo, companhia norte-coreana conhecida pelo uso de aeronaves antigas de origem soviética.

Entre as atrações citadas estão o Estádio Kim Il-sung, a Torre Juche, criada como homenagem à ideologia oficial do país, e o Hotel Ryugyong, edifício de grandes proporções que se tornou um dos marcos mais conhecidos da paisagem de Pyongyang.

Grandes estátuas, desfiles militares e cerimônias públicas cuidadosamente organizadas também fazem parte da imagem internacional da Coreia do Norte.

Transporte, contrastes e vida urbana

Os meios de transporte reforçam o contraste entre a estrutura urbana antiga e o avanço militar do país. Bondes e trólebus antigos ainda circulam, enquanto o metrô de Pyongyang segue uma linha inspirada nos sistemas russos, com estações amplas, decoração política e vagões antiquados.

Esse cenário contrasta com o desenvolvimento militar norte-coreano, que envolve mísseis e artefatos nucleares. A fronteira entre as duas Coreias permanece como ponto de tensão permanente e símbolo da divisão da península.

A diferença entre Coreia do Sul e Coreia do Norte também pode ser percebida em mapas internacionais de comunicação e imagens noturnas. Enquanto o território sul-coreano aparece amplamente iluminado e ocupado, a Coreia do Norte surge com baixa luminosidade e pouca circulação aérea nos registros disponíveis em plataformas como o Flightradar.

Uma viagem incomum e difícil de esquecer

Para estrangeiros, há lojas especiais destinadas à compra de alimentos e produtos em geral, muitos deles vindos da China. Segundo Azeredo, esse tipo de estrutura lembra práticas existentes em Moscou durante a antiga União Soviética.

Apesar das restrições e peculiaridades, a viagem à Coreia do Norte pode ser inesquecível para quem busca compreender um dos países mais fechados do planeta. Essa experiência foi descrita pelo jornalista mineiro Renato Alves, natural de Sete Lagoas e radicado em Brasília, no livro “Reino Eremita”.

A Coreia do Norte segue como um destino que desperta fascínio, dúvidas e cautela. Para alguns viajantes, pode ser uma experiência única. Para outros, um roteiro distante, complexo e improvável.

Por isso, o turismo na Coreia do Norte permanece como uma experiência incomum, marcada por contrastes políticos, históricos e culturais.

Quem se anima?

Antônio Claret
the authorAntônio Claret
Jornalista
Jornalista formado pela UFMG, diretor-geral do Jornal MG Turismo e sócio-administrador da Tour Press Jornalismo Ltda. Mestre em Administração com ênfase em mídias sociais e turismo, possui MBA em Gestão Empresarial e atuação institucional em entidades e conselhos do setor turístico.