Cidadania italiana começa pela identificação correta da cidade onde nasceu o antepassado italiano da família, uma etapa considerada decisiva para quem busca o reconhecimento por direito de sangue.
Segundo estimativas da Embaixada da Itália no Brasil, mais de 30 milhões de brasileiros possuem ascendência italiana. Apesar disso, muitas famílias desconhecem uma informação essencial para o processo: o comune de nascimento do ancestral.
Sem esse dado, não é possível solicitar corretamente a certidão italiana de nascimento, documento indispensável para processos administrativos ou judiciais de reconhecimento da cidadania italiana.
“A maioria das famílias chega até nós com informações transmitidas de geração em geração. Sabem que o bisavô era italiano, lembram do sobrenome original ou da região de onde a família teria vindo. Essas pistas ajudam, mas raramente são suficientes. Para um processo de cidadania sólido, é necessário identificar com precisão o comune onde o antepassado nasceu”, explica Welliton Girotto, CEO da Master Cidadania.
Por que o comune é essencial para a cidadania italiana?
O comune é essencial para a cidadania italiana porque corresponde ao município italiano responsável pelos registros civis da população. É nesse local que normalmente se encontra o registro oficial de nascimento do antepassado italiano, conhecido como estratto dell’atto di nascita.
Muitas famílias sabem que seus ancestrais vieram de regiões como Veneto, Lombardia, Piemonte ou Sicília. No entanto, essa informação, sozinha, não basta para solicitar a documentação necessária.
“O comune é a peça-chave da pesquisa genealógica voltada para a cidadania. Saber apenas a província ou a região italiana não permite localizar o registro com segurança. É preciso chegar ao município exato onde o nascimento foi registrado”, destaca Girotto.
Certidão italiana é etapa subestimada
A busca da certidão italiana costuma ser uma das etapas mais subestimadas por descendentes que desejam iniciar o processo de cidadania italiana.
De acordo com a Master Cidadania, um erro frequente é confundir as diferentes instituições italianas envolvidas em pesquisas documentais.
O Portale Antenati, mantido pelo Ministério da Cultura italiano, é uma plataforma importante de consulta histórica, mas não emite certidões. Já os Arquivos de Estado preservam acervos documentais e podem auxiliar em pesquisas, mas não substituem o órgão responsável pela emissão dos documentos oficiais.
Em regra, essa responsabilidade continua sendo do comune onde o registro foi originalmente realizado.
Como a origem italiana se perdeu nas famílias?
Grande parte da imigração italiana para o Brasil ocorreu entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Ao longo das gerações, muitas famílias preservaram tradições, sobrenomes e histórias, mas perderam detalhes sobre a cidade de nascimento dos antepassados.
A pesquisa pode se tornar mais complexa por causa de fatores como:
- alteração de sobrenomes na chegada ao Brasil;
- erros de grafia em documentos brasileiros;
- adaptação de nomes italianos para o português;
- registros com datas divergentes;
- mudanças administrativas em municípios italianos;
- informações familiares transmitidas de forma incompleta.
Segundo especialistas, esses elementos transformam a busca da certidão italiana em uma investigação documental que exige método, cruzamento de informações e análise técnica.
Documentos brasileiros podem indicar a cidade de origem
Embora muitos descendentes iniciem a busca diretamente na Itália, a Master Cidadania ressalta que informações importantes podem estar em documentos brasileiros.
O comune de origem do imigrante pode aparecer em registros como:
- certidões de casamento;
- certidões de óbito;
- registros religiosos de batismo e matrimônio;
- listas de passageiros;
- documentos de entrada no Brasil;
- registros da Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo;
- processos de naturalização;
- inventários familiares;
- documentos antigos preservados por parentes.
“O cruzamento entre documentos brasileiros e italianos costuma ser o que permite transformar uma suspeita familiar em uma identificação documental concreta. É nesse momento que a pesquisa deixa de ser uma busca genérica e passa a seguir uma direção técnica e juridicamente consistente”, explica Girotto.
Lei Tajani aumentou a importância da análise documental
A busca correta da certidão italiana ganhou ainda mais importância após as alterações promovidas pela Lei nº 74/2025, que converteu o Decreto-Lei nº 36/2025, conhecido internacionalmente como Lei Tajani.
As mudanças introduziram novos critérios para o reconhecimento da cidadania italiana por descendência para pessoas nascidas fora da Itália. Com isso, a análise prévia da linha familiar e da documentação disponível passou a ter peso ainda maior.
Nesse novo cenário, identificar corretamente o antepassado italiano não é apenas uma etapa inicial. A informação passou a integrar a estratégia jurídica do reconhecimento da cidadania italiana.
“A busca da certidão italiana deixou de representar apenas a obtenção do primeiro documento. Ela passou a ser a fundação técnica de toda a análise. Encontrar a certidão errada, identificar o antepassado incorreto ou solicitar documentos ao comune equivocado pode comprometer toda a estratégia jurídica construída para o caso”, afirma a Dra. Mariane Baroni, Diretora Jurídica da Master Cidadania, advogada habilitada no Brasil (OAB/SP 154.276) e em Portugal (OA/Lisboa 49258L).
Método reduz erros no processo de cidadania italiana
Com mais de duas décadas de atuação entre Brasil e Itália, a Master Cidadania afirma ter desenvolvido uma metodologia própria para a busca documental, baseada no conceito de inteligência de origem.
A abordagem divide o trabalho em três etapas:
- coleta das pistas familiares;
- identificação arquivística do registro mais provável;
- obtenção da certidão oficial emitida pela autoridade competente.
Segundo a empresa, essa separação reduz retrabalho, evita falsas expectativas e oferece mais segurança para famílias que desejam iniciar o reconhecimento da cidadania italiana.
Com escritório físico em Milão e atuação junto a comuni, arquivos e órgãos italianos, a Master Cidadania realiza o cruzamento de fontes documentais brasileiras e italianas para localizar registros históricos e estruturar processos desde a etapa inicial da pesquisa.
“Quando a origem familiar é identificada corretamente, todo o restante do processo ganha previsibilidade. O desafio é justamente transformar relatos familiares em evidências documentais. É essa etapa que determina a qualidade de toda a jornada da cidadania”, conclui Girotto.





