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Home office nos EUA com visto de turista traz riscos

home office nos EUAOtavio Haverroth, CEO da YOUSA Law Firm

Por Otávio Haverroth, advogado e CEO da YOUSA Law Firm

Fazer home office nos EUA durante uma viagem com visto de turista B1/B2 pode gerar consequências migratórias para brasileiros que continuam exercendo atividades profissionais enquanto permanecem no país. Embora o trabalho remoto tenha reduzido barreiras geográficas, a legislação americana ainda considera relevante o local físico onde a atividade profissional é realizada.

Em 2025, os Estados Unidos receberam quase 1,9 milhão de turistas brasileiros, segundo a Embaixada dos EUA no Brasil. Dados do Escritório Nacional de Viagens e Turismo dos Estados Unidos (NTTO) apontam ainda o Brasil como o quarto principal emissor internacional de viajantes para o país.

Home office nos EUA pode ser considerado trabalho

As normas que regulam o trabalho em território americano, entre elas o Immigration and Nationality Act de 1952 e o Immigration Reform and Control Act de 1986, estabelecem que atividades laborais exercidas nos Estados Unidos exigem autorização formal.

Segundo essa interpretação, o ponto determinante não é a nacionalidade da empresa contratante nem o país onde o salário é pago, mas o local físico onde a pessoa está enquanto trabalha.

A legislação foi criada em um contexto no qual o objetivo era proteger o mercado de trabalho americano da concorrência estrangeira sem regulamentação. A realidade do trabalho remoto, porém, trouxe situações que não existiam quando essas normas foram elaboradas.

Um brasileiro contratado por uma empresa brasileira, remunerado em reais e que permanece temporariamente nos Estados Unidos pode não estar disputando uma vaga com trabalhadores americanos. Ainda assim, sua atividade profissional realizada fisicamente no país pode ser interpretada pelas autoridades como trabalho não autorizado.

EUA não têm visto específico para nômades digitais

Outro ponto relevante é a inexistência, nos Estados Unidos, de um visto específico para nômades digitais, modalidade já adotada por outros países para profissionais que trabalham remotamente durante uma permanência temporária.

Essa ausência mantém profissionais remotos sujeitos às categorias migratórias tradicionais e às regras previstas para cada tipo de visto.

Por isso, continuar trabalhando durante uma viagem com visto B1/B2 pode trazer riscos, mesmo quando o empregador está no Brasil e nenhuma remuneração é recebida de uma empresa americana.

Quais são os possíveis riscos migratórios?

As consequências de uma atividade considerada incompatível com o visto podem afetar não apenas a viagem atual, mas também futuros processos migratórios.

Entre as possíveis implicações citadas estão:

  • advertência pelas autoridades migratórias;
  • entrada negada nos Estados Unidos;
  • cancelamento do visto;
  • deportação;
  • restrições em futuros pedidos de visto;
  • impactos em processos posteriores de regularização migratória.

O histórico migratório pode ser considerado em solicitações futuras. Além disso, o aumento da fiscalização e do cruzamento de informações, incluindo análise de redes sociais e padrões de permanência prolongada, amplia a exposição de quem realiza atividades profissionais sem uma situação migratória adequada.

Quais são as alternativas legais para trabalhar nos EUA?

Existem diferentes categorias migratórias para profissionais que pretendem exercer atividades legalmente nos Estados Unidos. A escolha depende da formação, trajetória profissional, vínculo com empresas, função exercida e objetivos de permanência.

Entre as possibilidades estão:

  • H-1B: destinado principalmente a ocupações especializadas que exigem formação superior e vínculo empregatício;
  • O-1: direcionado a profissionais com trajetória consolidada e reconhecimento em sua área de atuação;
  • L-1: utilizado em transferências corporativas de executivos e outros profissionais elegíveis;
  • EB-2 NIW: alternativa para profissionais de determinadas áreas e perfis, podendo dispensar uma oferta formal de emprego e permitir acesso à residência permanente;
  • EB-1A, EB-1B e EB-1C: categorias de residência permanente destinadas a perfis específicos de excelência, pesquisa, liderança e gestão empresarial.

Cada modalidade possui requisitos próprios e não representa uma alternativa automática ao visto de turista.

Planejamento migratório ganha importância

O avanço do trabalho remoto criou uma realidade profissional mais internacionalizada, mas as regras migratórias dos Estados Unidos ainda seguem uma estrutura criada antes da popularização do home office.

Trabalhar remotamente em território americano usando visto de turista pode parecer uma situação simples para quem mantém emprego e renda no Brasil, mas envolve regras que podem produzir consequências relevantes para a permanência e para futuros processos migratórios.

Para profissionais que pretendem atuar nos Estados Unidos de maneira temporária ou permanente, o planejamento migratório passa a fazer parte da própria estratégia profissional. Avaliar previamente qual categoria é compatível com o perfil e com a atividade exercida pode evitar problemas com o histórico migratório e com futuras solicitações de visto ou residência.

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